RJ em Foco
Caso Henry: médico da defesa sugere que lesão no fígado poderia ter coagulado espontaneamente
Advogados de Jairinho alegam que menino chegou com vida ao hospital
O médico Jeferson Evangelista Correa, assistente técnico da defesa, afirmou nesta segunda-feira, durante depoimento no julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros, que a laceração hepática apontada como causa da morte de Henry Borel em todos os laudos pode ter se agravado durante as manobras de ressuscitação feitas no hospital. Correa é a última testemunha a depor no oitavo dia do júri.
Possibilidade de agravamento durante a reanimação
Questionado pela defesa sobre a chance de a laceração no fígado ter sido agravada após cerca de duas horas de procedimentos de reanimação, o médico declarou que o trauma poderia ter cicatrizado espontaneamente.
— O fígado é pequeno. Essa lesão teria coagulado espontaneamente. Obviamente, teria algum sintoma de mal-estar, dor abdominal, enjoo e vômito. Se está coagulado e você fizer massagem cardíaca, vai fazer esse fígado sangrar — explicou o médico, que atua como assistente da defesa de Jairinho.
Indagado se a compressão durante a massagem cardíaca poderia causar novo sangramento mesmo após a coagulação da lesão, Correa confirmou:
— Mesmo que ela estivesse coagulada, nesse tempo de massagem, o fígado é comprimido — afirmou.
Segundo o médico, se a criança tivesse permanecido em repouso após o trauma, haveria possibilidade de recuperação. Ele destacou ainda que as compressões da massagem cardíaca representam uma ação contundente sobre o corpo.
— Se tivesse ficado quietinho, é possível que depois de quatro ou cinco dias ele estaria bem — declarou.
Relembre o caso Henry
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, com múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória. Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica. Segundo denúncia do Ministério Público, o menino teria sido submetido a agressões dentro do apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Zona Oeste do Rio.
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