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'Ilha dos Gatos', no litoral do Rio: entenda em seis tópicos questões ambientais e de saúde envolvidas

População de mais de 700 animais na Ilha Furtada, em Mangaratiba, mobiliza força-tarefa de cientistas; parasita da toxoplasmose já atinge golfinhos e põe em risco consumo de frutos do mar

Agência O Globo - 01/06/2026
'Ilha dos Gatos', no litoral do Rio: entenda em seis tópicos questões ambientais e de saúde envolvidas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Mais de 700 gatos vivem atualmente na Ilha Furtada, localizada entre as baías de Mangaratiba e Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro. A presença maciça desses animais abandonados tem mobilizado organizações protetoras e acendido o alerta para a necessidade de políticas públicas ambientais que previnam maus-tratos e o surgimento de doenças entre os felinos. Reportagem publicada neste fim de semana por O GLOBO destacou que se tornou comum moradores de ilhas vizinhas deixarem gatos na ilha.

Em março de 2024, a situação da ilha, distante oito quilômetros de Mangaratiba, motivou uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio, convocada pelo deputado Carlos Minc (PSB). Desde então, uma força-tarefa foi criada, integrando a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), o Instituto Boto Cinza e a Prefeitura de Mangaratiba. O grupo desenvolve o projeto “Uma só saúde na Ilha Furtada”, com o objetivo de investigar os impactos ambientais e sanitários da superpopulação de gatos e propor soluções para mitigar os danos.

Entenda em seis tópicos as principais questões:

1. Superpopulação de gatos: O abandono recorrente de animais levou ao crescimento descontrolado da população felina, gerando desequilíbrio ambiental na ilha.

2. Dependência de ajuda humana: Sem fontes naturais de água doce ou alimento suficiente, os gatos dependem do suporte de voluntários e ONGs para sobreviver.

3. Risco de toxoplasmose: Pesquisas identificaram o parasita Toxoplasma gondii nos gatos da ilha, aumentando as preocupações sanitárias.

4. Contaminação ambiental: Fezes de gatos infectados liberam parasitas que, levados pela chuva, podem contaminar o solo e o mar ao redor da ilha.

5. Impactos na fauna marinha: Organismos como ostras, mexilhões e até mamíferos marinhos, incluindo golfinhos, já foram afetados pela contaminação, o que pode colocar em risco até o consumo de frutos do mar.

6. Desafios para a solução: Mesmo com a retirada dos gatos ou melhoria nos cuidados, os parasitas podem permanecer ativos no ambiente por meses ou anos, exigindo monitoramento constante e ações de controle.

Em 2024, a “Ilha dos Gatos” foi retomada pela União por interesse público, após processos judiciais decorrentes de inadimplência. A Prefeitura de Mangaratiba aprovou legislação específica para a Ilha Furtada, estabelecendo regras para o manejo populacional dos gatos e aumentando as punições para o abandono de animais em ilhas.