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Nova concessionária usará drones e câmeras para monitorar 97 pontos sensíveis da malha

Empresa que substituiu a SuperVia aponta falhas na automação da sinalização e mapeia 178 ferros-velhos próximos aos trilhos

Agência O Globo - 01/06/2026
Nova concessionária usará drones e câmeras para monitorar 97 pontos sensíveis da malha
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Sistema de sinalização ainda seguro, mas sem funcionar totalmente de maneira automatizada em nenhum dos cinco ramais e cinco extensões, necessitando, em alguns trechos, que o tráfego seja liberado após comunicação via rádio entre maquinistas e o centro de controle. Trens que só eram lavados a cada 42 dias e 14 estações sob influência direta do crime organizado. Essas são algumas das conclusões de um diagnóstico feito pela TrensRJ sobre a operação de transporte de passageiros na ligação por trilhos entre o Rio e outros 11 municípios. A operadora, que substituiu a concessionária SuperVia e começou a operar neste sábado, usará, entre outras medidas, já nesta segunda-feira, em seu primeiro dia útil de funcionamento, o monitoramento por drones com câmeras em 97 pontos sensíveis da malha ferroviária.

Os donos do crime:

Nova data:

A TRensRJ foi criada pela permissionária Nova Via Mobilidade, consórcio de fundos de investimento vencedor da licitação realizada pelo estado em fevereiro. A SuperVia encerrou suas atividades no último minuto desta sexta-feira, após o fim de uma concessão de 27 anos e seis meses. Atualmente, cerca de 300 mil pessoas, em média, utilizam diariamente os trens na Região Metropolitana do Rio. Apesar da troca, não haverá acréscimo no preço da passagem, que custa R$ 7,60 para quem não usa o bilhete único, e R$5 para quem tem o benefício da tarifa social.

A vigilância por drones, que começou ainda neste sábado, ocorre em locais onde costumam acontecer roubos ou em pontos que contam com instalações de equipamentos essenciais para o funcionamento dos trens, como subestações de energia, trechos de rede aérea e pátios de manobra. O estado, por sua vez, anunciou mais policiamento para este período de transição entre uma empresa e outra. A PM informou, por nota, que o Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFer) recebeu reforço de efetivo de outros batalhões para atuar no patrulhamento em plataformas de embarque, estações e composições ferroviárias. Só nos últimos 40 dias que antecederam a nova gestão, iniciada neste sábado, 190 viagens sofreram atrasos ou foram suprimidas em razão de problemas provocados por 79 ocorrências relacionadas à segurança pública.

O diagnóstico da TrensRJ também detalhou a existência de 178 ferros-velhos localizados em um raio de até dois quilômetros da malha ferroviária. Alguns são suspeitos de receptar material furtado da linha férrea. O material foi encaminhado à Polícia Civil, responsável por investigar esse tipo de crime. Em outubro de 2025, por exemplo, um trem descarrilou em Madureira, no ramal Belford Roxo, após o furto de dezenas de grampos que prendem os trilhos. Parte deles foi recuperada pela polícia quando estava à venda em uma casa de artigos religiosos na Zona Norte do Rio.

Para esta segunda-feira, 142 trens deverão circular em mais de 700 viagens no primeiro dia útil sob responsabilidade da nova operadora. A frota já chegou a ter 201 composições, mas atualmente há trens em desuso ou necessitando de manutenção. A empresa trocou os produtos utilizados na limpeza dos trens. Eles passarão a ser lavados em intervalos menores. Oito composições foram lavadas neste fim de semana. Neste sábado, os drones de vigilância flagraram quatro pessoas em atitudes suspeitas durante a madrugada, no trecho entre as estações Maracanã, São Cristóvão e Praça da Bandeira. A PM foi acionada, mas os suspeitos fugiram.

Contrato tem cláusula contra calote

Pelo contrato homologado na 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a TrensRJ vai operar 270 quilômetros de trilhos e 104 estações. O valor da remuneração da empresa será de R$ 17,60 por quilômetro percorrido pelas composições. O documento tem validade de cinco anos, podendo ser renovado por mais cinco. Ao fim de cada mês de serviço prestado, será feito um cálculo considerando o percurso realizado pelas composições, descontando-se os valores arrecadados nas bilheterias e eventuais penalidades impostas por descumprimento de indicadores. A diferença entre os valores a serem recebidos é estimada em cerca de R$ 22 milhões mensais.

Uma cláusula, no entanto, prevê uma espécie de garantia contra a inadimplência. Caso o governo estadual não pague os valores devidos e reconhecidos, eles poderão ser descontados com acréscimo de uma multa multiplicada por seis, elevando significativamente o total devido. Todo esse montante poderá ser abatido de uma conta onde já existem recursos depositados pelo estado. Ao todo, o contrato prevê gastos de R$ 652 milhões ao longo de cinco anos, incluindo despesas de manutenção, como a troca de trilhos e dormentes.