RJ em Foco
Operação investiga desvio milionário de fortuna de empresário terminal
Mandados de busca e apreensão miram suspeitos de se aproveitar da vulnerabilidade da vítima para assumir empresas e movimentar grandes quantias
Policiais civis da Delegacia de Defraudações (DDEF) deflagraram, nesta segunda-feira, a Operação Último Suspiro, que investiga um grupo suspeito de desviar a fortuna de um empresário com câncer em estágio terminal. O suposto esquema criminoso envolvia fraudes com precatórios milionários. Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão contra suspeitos de se aproveitarem da fragilidade da vítima, que já faleceu, para assumir o controle de empresas e movimentar altos valores.
Segundo informações do Bom Dia Rio, da TV Globo, entre os alvos estão policiais militares e escritórios de advocacia. Eles são investigados por crimes de estelionato, associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica. As diligências, com apoio do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), ocorrem no Centro e nas zonas Sul, Sudoeste e Norte do Rio.
As investigações apontam para um sofisticado esquema, no qual o grupo teria assumido indevidamente o controle de empresas detentoras de precatórios de alto valor econômico. As alterações societárias suspeitas ocorreram cerca de três meses antes da morte do empresário.
De acordo com a DDEF, o controle das empresas titulares desses créditos judiciais foi transferido para pessoas ligadas aos investigados. Paralelamente, novas pessoas jurídicas teriam sido criadas para movimentar recursos financeiros e dificultar o rastreamento da origem e do destino dos valores.
O trabalho investigativo, que durou meses, identificou indícios do uso de documentos com assinaturas falsificadas, além da concessão de amplos poderes de representação a integrantes do grupo pouco antes do falecimento da vítima.
Outro ponto de destaque foi a cessão de parte de um precatório avaliado em aproximadamente R$ 38,5 milhões para escritórios de advocacia poucos dias antes da morte do empresário. Além disso, um testamento foi lavrado cerca de duas horas antes do óbito, atribuindo a uma das investigadas os papéis de testamenteira, inventariante e beneficiária do patrimônio. Apenas sete dias após a morte da vítima, mais de R$ 1,1 milhão foram depositados na conta da investigada, valor supostamente proveniente de créditos relacionados aos precatórios.
O objetivo da operação é cumprir mandados de busca e apreensão e coletar materiais que possam esclarecer a dinâmica financeira do esquema, além de contribuir para a responsabilização dos envolvidos.
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