RJ em Foco
Saiba como foi o sétimo dia de julgamento do caso do menino Henry Borel
Babá mencionou ainda valores em dinheiro que recebeu do denunciado
O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros pela morte de Henry Borel pode entrar para a história do Tribunal de Justiça do Rio como um dos mais longos já realizados no estado. A previsão é de durar até quarta-feira. Ontem, no sétimo dia, a babá Thayná de Oliveira Ferreira revelou episódios que considerou suspeitos e afirmou que, após a morte do menino, recebeu orientações para apagar mensagens e minimizar relatos sobre a família: “Apaga as mensagens. Vão te perguntar, fala o mínimo. Fala que a nossa relação era muito boa”, disse o atribuir a orientação a Monique. O pai de Jairinho, Jairo Souza Santos, também prestou depoimento.
Caso Henry:
Pressão:
Até o momento, 17 pessoas foram ouvidas. Inicialmente, o processo contava com 27 testemunhas listadas pelas partes e pelo juízo. Duas delas, porém, foram dispensadas ao longo do julgamento, reduzindo o total para 24 depoimentos previstos. Entre os ouvidos até agora estão delegados, peritos, médicos-legistas, ex-companheiras de Jairinho, funcionárias que conviviam com a família, o pai de Henry, Leniel Borel, familiares de Monique e, ontem, a babá.
Ela foi ouvida inicialmente na condição de informante, já que responde a um processo por falso testemunho em razão das diferentes versões já sustentadas. Logo no início, Thayná confirmou à magistrada que desejava se retratar. Segundo a ex-funcionária, ela trabalhou por cerca de um mês na casa onde Henry morava com a mãe e Jairinho, entre janeiro e março de 2021. Ao ser questionada pela juíza, descreveu episódios que a fizeram suspeitar que o vereador não tratava bem a criança.
Já Jairo Souza Santos, pai de Jairinho, prestou depoimento em defesa do filho. O coronel contestou relatos de agressões atribuídas a Jairinho por ex-namoradas e por filhos delas, afirmando que as versões seriam “induzidas” e questionando a veracidade das acusações. Também declarou que Jairinho tinha boa convivência com Henry, dizendo que ele brincava e demonstrava carinho pelo menino.
Babá cita ‘ tortura’
Thayná relatou dois episódios envolvendo Henry e Jairinho no apartamento do condomínio Majestic, na Barra. No primeiro, após Henry chamar pela mãe, Jairinho teria dito que o menino era “mimado” e o levado ao quarto. Depois de cerca de meia hora, Henry saiu “amuadinho”, reclamou de dores no joelho e perdeu o interesse em brincar.
No segundo episódio, considerado um dos mais importantes do depoimento, Jairinho teria levado Henry novamente ao quarto enquanto Monique estava fora.
— Ela pedia para eu ficar vendo o que estava acontecendo, tentando escutar alguma coisa. Mandava eu bater, ouvir — disse Thayná.
Segundo a babá, após o menino deixar o quarto, ele saiu mancando. Ela gravou um vídeo e enviou para Monique. Durante o banho, Henry teria reclamado de dores na cabeça e relatado que havia levado uma “banda” e caído da cama. Em determinado momento, ela chegou a classificar o que ocorria como uma “tortura”.
A babá disse ainda que, depois disso, recebeu R$ 100 de Jairinho para comprar roupa, mas interpretou o gesto como tentativa de silenciá-la.
— Aquilo não era para comprar uma blusa. Era para comprar o meu silêncio — declarou.
Os advogados de Monique Medeiros tentaram explorar o fato de Thayná nunca ter procurado a polícia para denunciar os episódios que descreveu em plenário.
Em resposta, a babá afirmou que também ficava nervosa e assustada diante das situações que presenciava e disse que chegou a sugerir a instalação de câmeras no apartamento.
Outro trecho que chamou atenção do depoimento foi a descrição do período imediatamente posterior à morte de Henry. Segundo Thayná, ela e a empregada foram levadas por Monique e por uma assessora de Jairinho para um escritório de advocacia onde recebeu orientações sobre o que deveria dizer publicamente.
A babá afirmou que foi pressionada a apagar mensagens de celular e orientada a sustentar que a convivência entre os integrantes da família era harmoniosa.
Ela afirmou ainda que, no escritório, um advogado insistiu para que ela falasse com jornalistas e defendesse o casal.
— A senhora não vai querer incriminar eles, né? Eles são gente boa — disse Thayná, reproduzindo a fala que atribuiu ao profissional.
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