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Filho e advogado de Jairinho chora durante depoimento do avô no sétimo dia de julgamento do caso Henry

Coronel Jairo, pai de Jairinho, disse que o filho "está sendo covardemente perseguido" ao longo dos cinco anos de processo

Agência O Globo - 31/05/2026
Filho e advogado de Jairinho chora durante depoimento do avô no sétimo dia de julgamento do caso Henry
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

Filho e integrante da equipe de defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o ex-vereador Jairinho, Luís Fernando Abidur Figueiredo Santos chorou durante o depoimento do avô a favor de seu pai. Jairo Souza Santos, o coronel Jairo, por sua vez, disse que o filho está "sendo perseguido" e o definiu como "um amor de pessoa" e de "caráter muito forte". A declaração foi dada durante seu depoimento no sétimo dia de julgamento da morte do menino Henry Borel, ocorrida em março de 2021, processo no qual Jairinho e Monique Medeiros são réus por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica.

Caso Henry:

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Jairinho tocava saxofone na banda da escola. Nunca brigou. Passou em segundo lugar na faculdade de medicina e é meu motivo de orgulho, é minha vaidade. Ele está sendo perseguido nesses últimos cinco anos. É uma covardia o que estão fazendo com ele — afirmou.

Em diversos momentos, coronel Jairo se emocionou ao falar sobre Jairinho. Logo após descrever o perfil do ex-vereador, foi interrogado pelo neto. Uma das perguntas que fez foi: "Qual o motivo da união que sempre tivemos", ao que coronel Jairo respondeu fazendo referência a Jairinho. Durante os questionamentos, Luís Fernando foi às lágrimas, abraçou o avô e ambos choraram. Neste momento, um silêncio tomou conta do plenário.

Covardes estão fazendo isso com meu filho — esbravejou coronel Jairo após ser abraçado pelo neto.

'Estado de choque'

Coronel Jairo é a 18ª, sendo a primeira a favor de Jairinho, das 24 testemunhas que estão previstas para serem ouvidas ao longo do júri. Seu depoimento, que começou às 15h40, já dura mais de duas horas. Ao ser questionado pela juíza Elizabeth Machado Louro, que preside a sessão, coronel Jairo afirmou que, ao chegar ao hospital Barra D'or após saber do que havia acontecido com Henry Borel naquela madrugada de 8 de março de 2021, viu Monique Medeiros "em estado de choque" e Jairinho e Leniel Borel, pai do menino, "com cara de aflitos".

Ela estava sentada ao lado do neném. Eu a abracei e beijei. Ela chorou um pouco. Peguei a mãozinha do menino, levei minha mão ao coração e comecei a orar, pedindo a Deus que ele voltassse. Fiquei cerca de 40 minutos no local, me dedicando à oração e ao apoio à Monique. O óbito dele foi declarado naquele momento — narrou a testemunha.

A estratégia do pai de Jairinho foi descredibilizar a versão de duas ex-namoradas do réu e da filha de uma delas, que relataram episódios de agressões suspostamente praticadas pelo réu contra elas.

No quarto dia do júri, Kaylane Pereira, filha de uma ex-namorada de Jairinho e hoje maior de idade, disse que chegou a usar gesso ter sido agredida no braço por ele. Déborah Mello Saraiva, ex-namorada e mãe de Enzo, menino que também teria sofrido agressões quando tinha entre 2 e 3 anos, contou que o filho revelou anos depois que Jairinho teria colocado pano e papel em sua boca enquanto pisava em sua barriga. Outra ex-namorada a atribuir agressões ao réu foi Natasha de Oliveira Machado.

Minha indignação é que as histórias são ruins. São versões claramente induzidas. Se Jairinho tivesse pisado na barrigada da criança que contou isso, ela teria morrido — retrucou, acrescentando observações sobre a convivência do réu com Henry: — Toda hora Jairinho brincava e beijava a cabeça dele.

Antes dele, foi ouvida neste domingo a babá Thayná de Oliveira Ferreira, uma das mais aguardadas do processo. Em depoimento que durou mais de quatro horas, ela relatou episódios que considerou suspeitos envolvendo Jairinho e Henry e afirmou que, após a morte do menino, recebeu orientações para apagar mensagens e minimizar qualquer relato sobre a família.

A morte

A morte Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, com múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória. Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica. Segundo a denúncia do Ministério Público, o menino foi submetido a agressões dentro do apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Zona Oeste do Rio.