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’Apaga as mensagens’: babá relata orientação de Monique após a morte de Henry e promete se retratar no julgamento
Uma das testemunhas mais aguardadas do júri, Thayná Ferreira afirmou à juíza que mentiu anteriormente e descreveu episódios envolvendo Jairinho, além de suposta pressão para falar bem do casal após a morte do menino
A babá Thayná de Oliveira Ferreira, uma das testemunhas mais aguardadas do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros pela morte de Henry Borel, afirmou neste domingo, que pretende se retratar de versões apresentadas anteriormente sobre o caso. Em depoimento à juíza Elizabeth Machado Louro, antes de ser formalmente ouvida como testemunha, ela relatou episódios que esses suspeitos envolvendo Jairinho e Henry e afirmou que, após a morte do menino, recebeu orientações para apagar mensagens e minimizar qualquer relato sobre a família.
Caso Henry:
Caso Henry:
— Apaga como mensagens. Vou te perguntar, fale o mínimo. Fala que a nossa relação era muito boa — disse Thayná, ao apoiar a orientação para Monique.
A babá foi ouvida inicialmente na condição de informante, já que respondeu a um processo por falso testemunho em razão das diferentes versões que apresentaram ao longo da investigação. Logo no início, confirmado à magistrada que desejava se retratar.
Segundo Thayná, ela trabalhou por cerca de um mês na casa onde Henry morava com a mãe e Jairinho, entre o fim de janeiro e o início de março de 2021. Ao ser questionada pela juíza, explicou três episódios que a fez suspeitar que algo não estava bem na relação entre o então vereador e a criança.
O primeiro teria acontecido poucos dias após ela começar a trabalhar no apartamento do condomínio Majestic, na Barra da Tijuca. De acordo com o relato, Henry acordou esperando pela mãe, que havia saído para jogar futebol. Jairinho então teria dito que o menino era “mimado” e o levado para o quarto do casal para uma conversa.
Segundo ela, Henry apareceu cerca de meia hora no quarto e saiu “amoadinho”, sem explicar o que havia acontecido. Mais tarde, já na brinquedoteca do condomínio, teria reclamado de dores no joelho e demonstrava desinteresse em brincar com outras crianças.
O segundo episódio, considerado um dos mais relevantes do depoimento, teria acontecido dias depois, quando Monique estava no salão de beleza. Thayná afirmou que Jairinho chegou ao apartamento em um horário incomum, chamou Henry para o quarto do casal e fechou a porta.
Desconfiada da situação, ela passou a trocar mensagens com Monique enquanto tentava entender o que acontecia no interior do cômodo.
— Ela pediu para eu ficar vendo o que estava apostando, tentando escutar alguma coisa. Mandava eu bater, chamar, tentar ouvir — contorno.
Segundo a babá, depois que o menino deixou o quarto, ele saiu andando. Ela gravou um vídeo e deu inveja para Monique. Durante o banho, Henry teria reclamado de dores na cabeça e relatou que havia levado uma “banda” e caído da cama.
Thayná também falou sobre um momento de forte resistência da criança quando Jairinho tentou pegá-la no colo após o episódio.
— Ele não queria sair do meu colo. Puxou a minha blusa e rasgou — afirmou.
A babá disse ainda que, depois disso, recebeu R$ 100 de Jairinho para comprar outra roupa, mas interpretou o gesto como uma tentativa de silenciar.
— Aquilo não era para comprar uma blusa. Era para comprar o meu silêncio — declarou.
Ela também relatou ter ficado indignada quando Monique chegou ao apartamento horas depois e comentou que havia um borrado a uma unha ao voltar para casa.
— Eu estava passando por uma situação de nervosismo com aquela criança e ela ficou preocupada porque tinha borrado a uma. Isso me deixou mais nervoso ainda — afirmou.
Outro trecho que chamou a atenção do depoimento foi a descrição do período imediatamente posterior à morte de Henry. Segundo Thayná, ela e a empregada foram levadas por Monique e por uma assessora de Jairinho para um escritório de advocacia onde receberam orientações sobre o que deveria dizer publicamente.
A babá afirmou que foi pressionada a apagar mensagens de celular e orientada a sustentar que a convivência entre os membros da família era harmoniosa.
Ela afirmou ainda que, no escritório, um advogado insistiu para que ela falasse com jornalistas e defendesse o casal.
— "A senhora não vai querer incriminar eles, né? Eles são gente boa" — disse Thayná, reproduzindo a fala que atribuiu ao profissional.
Segundo a babá, embora não quisesse dar entrevistas, acabou cedendo à pressão.
— Eles ficaram me forçando para eu poder dar essa entrevista. E foi exatamente o que eu fiz — declarou.
O depoimento de Thayná foi considerado um dos mais aguardados do julgamento justamente porque, ao longo da investigação, ela apresentou versões diferentes sobre os acontecimentos. Em um primeiro momento, afirmou nunca ter presenciado qualquer situação anormal na família. Posteriormente, passou a relatar episódios de agressão e mensagens enviadas em tempo real a Monique relatando comportamentos de Jairinho em relação ao menino.
Após a fase em que respondeu às perguntas da juíza como informante, Thayná passou a ser interrogada pelas partes no plenário. O julgamento segue no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
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