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Caso Henry: irmão defende 'inocência' de Monique Medeiros e fala sobre reação dela ao saber da morte da criança: 'Quis tirar a própria vida'
A segunda testemunha a ser ouvida será a babá que cuidava da criança na época, Thayná de Oliveira Ferreira, que tentará se retratar por ter mentido sobre o caso em depoimentos à polícia
Primeira testemunha a ser ouvida no sexto dia de julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o ex-vereador Jairinho, e de Monique Medeiros, réus pela morte do menino Henry Borel, em 2021, o irmão de Monique, o engenheiro mecânico Bryan Medeiros da Costa e Silva, conta sobre a ocorrência da ré ao saber da morte de Henry. De acordo com Bryan, Monique teria ficado "fora de si" e expressado interesse em "tirar a própria vida", "para ficar perto de Henry", ao que o pai dela teria respondido: "Não tire sua vida. Se você fizer isso, não vai encontrar Henry", relatou Bryan.
Os donos do crime:
Caso Henry:
Mais adiante, durante o interrogatório, a defesa de Jairinho fez uma série de questionamentos a Bryan, incluindo perguntas sobre contradições nos laudos do Instituto Médico Legal, na tentativa de confessar que Leniel Borel, pai da criança, teria manipulado os peritos que produziram o documento, tese sustentada pela defesa de Jairinho desde o início do processo. O depoimento de Bryan, que começou às 15h15, quando a sessão foi aberta, durou mais de oito horas, sendo encerrado após as 23h.
No meio do interrogatório de Bryan, às 21h54, a sessão chegou a ser interrompida após o julgamento de Elizabeth Machado Louro, que preside o julgamento, passar mal. Mas foi retomado seis minutos mais tarde, após uma magistrada recebendo atendimento médico.
Durante a oitiva, Bryan corroborou a tese de que Jairo foi o autor das agressões que levaram à morte de Bryan. A defesa de Jairinho, então, argumentou que o mesmo inquérito policial que Bryan usa como base para imputar Jairinho também indicia Monique. E perguntou: "Então, o senhor concorda com o inquérito em relação ao Jairo, mas não em relação à Monique". Ao que Bryan respondeu:
— O que o senhor está tentando sugerir é que o inquérito policial é o único elemento para que eu possa concluir dessa forma, mas não é. Nas mensagens interceptadas de Thayná, ela, ao falar com o noivo, por exemplo, é categórica ao falar das sessões de agressão a que Monique e Henry foram submetidos.
Caso Henry:
O advogado Zanone Manoel de Oliveira Júnior, da equipe de Jairinho, disse que não há registro sobre agressões em nenhuma delegacia. E Bryan argumentou que Monique não poderia ter total consciência da situação de violência que estava vivendo:
— Ela não faz acompanhamento psicológico. E, na época, não tinha condições de identificar que aquela situação era de agressão e que estava vivendo um relacionamento tóxico.
Por fim, Bryan foi interrogado pelo promotor do Ministério Público Fábio Vieira, que reforçou que o que pesa contra Monique é que ela "sabendo de toda a situação, preferiu fingir que não sabia de nada e entregar seu sobrinho como oferta", disse o promotor. Fábio Vieira lembrou que, ao ser alertado por Leniel Borel, pai de Henry, de que o menino reclamou de um "abraço apertado" de Jairinho, Monique disse que a criança "sonhou com a situação", numa tentativa de "proteger Jairo". O promotor citou ainda outras situações, como a ocasião em que Monique estava no salão e recebeu uma ligação da babá Thayna dizendo que Jairo estava trancado com Henry no quarto, com música alta, e, em seguida, a criança saiu mancando e chorando.
— Não tenho conhecimento de que ela tentou minimizar as situações de agressão — respondeu Bryan. — Ela jamais permitiria que ele sofresse agressão; ela jamais seria convencida com a tortura e a morte do filho dela. Infelizmente, foi criada uma campanha difamatória contra ela, com ataques deliberados contra pessoas que não a conhecem.
Depoimento da babá
A segunda testemunha que seria ouvida é a babá que cuidava da criança na época. Também arrolada pela defesa de Monique, Thayná de Oliveira Ferreira chegou ao fórum por volta das 21h deste sábado no 2° Tribunal do Júri, no Centro do Rio. Uma hora e meia depois, porém, sua advogada afirmou que ela não iria mais depor na noite deste sábado. De acordo com a defesa de Thayná, a profissional pretende ser retratada por ter mencionado o caso em depoimento à polícia. Ela apresentou diferentes versões sobre o caso e, por isso, respondeu a um processo testemunho.
Ao longo do processo, Thayná apresentou ao menos três versões sobre o episódio. No primeiro depoimento que prestou, em 24 de março de 2021, a babá negou ter presenciado qualquer anormalidade na família e garantiu que eles viviam em harmonia. Na ocasião, ela costuma dar banho em Henry, definida por ela como uma criança “boa” e “perfeita”, e garantiu nunca ter visto qualquer marca de violência em seu corpo.
Caso Henry:
Em novo depoimento, em 12 de abril, Thayna disse que, por medo, havia mencionado . Na ocasião, Monique e Jairinho já ficaram presos temporariamente e os peritos já conseguiram recuperar mensagens que mostraram ela avisando em tempo real a Monique as agressões de Jairinho contra Henry. Ela afirmou que, "por ter visto o que Jairinho tinha feito contra uma criança, ficou com medo de que algo também pudesse acontecer com ela própria". Ela afirmou, ainda, que a avó materna do menino, a professora Rosângela Medeiros da Costa e Silva, tinha conhecimento das agressões sofridas por Henry.
A funcionária disse ter presenciado agressões de Jairinho contra Henry em três momentos, inclusive narrada a patroa por WhatsApp, em 12 de fevereiro. Nas mensagens, ela disse que o vereador havia se trancado no quarto com Henry, e logo depois o menino relatou que recebeu "bandas" e "chutes" . A criança estava mancando e apresentava hematomas nos braços e nas pernas.
A análise das mensagens trocadas por Thayna revelou que aquelas não foram as primeiras situações de violência à qual Henry foi submetido e ainda que as agressões foram "bem mais graves do que foi narrado por ela na sede policial". Nas conversas, ela chega a afirmar ao pai e ao namorado que, tamanho o desespero de Henry ao ver Jairinho, fez com que a criança chegasse a rasgar sua blusa (“Ele gritou horrores”, escreveu). Ela ainda contou ter ganho R$ 100 do ex-vereador para “ficar quieta”.
No dia 6 de outubro de 2021, ao prestar depoimento como a sétima testemunha de acusação na primeira audiência de instrução do julgamento do caso, Thayna negou que teve conhecimento de agressões contra o menino. Ela disse não se lembrar das mensagens de seu celular e do incidente ter sido direcionado por Monique para dizer que ela, Jairinho e Henry tinham "uma família linda, de (comercial de) margarina".
Outras testemunhas que seriam ouvidas nesta noite são Rosângela Medeiros da Silva e Costa, mãe de Monique, e Ana Paula Medeiros Pacheco, prima da ré. Mas a defesa de Monique optou por dispensá-las.
Cronologia do julgamento
Até esta manhã, 13 das 27 testemunhas previstas já foram ouvidas pelos jurados. Entre elas estão testemunhas de acusação, do juízo e peritos considerados centrais para a sobrevivência da morte de Henry Borel. Na segunda-feira, o julgamento foi iniciado após tentativa de defesa de Jairinho de adiar o julgamento, apontando um dos motivos do infarto do advogado Fabiano Tadeu Lopes, o principal responsável pela estratégia jurídica do réu. Na terça, prestou depoimento as primeiras testemunhas de acusação, o delegado Edson Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) quando Henry morreu, em março de 2021, e a delegada Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas, ambos responsáveis pelas investigações do caso. No mesmo dia, Fabiano Lopes anunciou que voltaria à banca de defesa de Jairinho.
O terceiro dia, na quarta-feira, foi marcado por debates entre acusação e defesa e depoimentos que detalharam os últimos momentos da vida de Henry Borel. Ao longo da tarde e da noite, os jurados ouviram o psiquiatra Rafael Bernardon e a médica Maria Cristina Souza Azevedo, responsável pelo atendimento do menino no Hospital Barra D'Or na noite da morte. Durante a sessão, a defesa questionou a atuação de testemunhas da acusação e a condução do julgamento, enquanto a médica relatou os fatos de Monique após a confirmação do óbito e as tentativas de reanimação de Henry.
Caso Henry:
Já na quinta-feira teve o retorno do advogado que infartou, Fabiano Tadeu Lopes, e depoimentos com relatos de supostas agressões atribuídas ao ex-vereador, contradições em depoimentos de testemunhas e novos momentos de tensão no plenário. Uma das testemunhas ouvidas foi Kaylane Pereira, filha de uma ex-namorada de Jairinho. Hoje maior de idade, ela teve episódios de agressões que afirmam ter sofrido quando era criança.
A sexta-feira foi destacada pelo fortalecimento da linha de acusação sobre a morte de Henry Borel. Ao longo da sessão, o perito criminal Luiz Carlos Leal Prestes e o médico-legista Luiz Airton Saavedra descartaram as hipóteses de acidente doméstico, rejeitaram a tese de que as lesões poderiam ter sido causadas por manobras de reanimação e apontaram sinais compatíveis com agressões sofridas pela criança. Os especialistas também reforçaram a conclusão de que Henry já estava morto quando chegou ao Hospital Barra D'Or. O dia ainda foi marcado pela saída dos dois réus do plenário por alegados problemas de saúde e pelo depoimento de Leniel Borel, pai do menino.
Caso Henry:
Até o momento, já foram ouvidos o delegado Edson Henrique Damasceno; a delegada Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas; o psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro; a médica Maria Cristina de Souza Azevedo; Kaylane de Oliveira Duarte Pereira; Natasha de Oliveira Machado; Débora Mello Saraiva; a empregada Leila Rosângela de Souza Mattos; a cabeleireira Tereza Cristina dos Santos; a manicure Paloma dos Santos Meireles; o perito Luiz Carlos Leal Prestes; o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva; Leniel Borel de Almeida Júnior; o irmão de Monique, o engenheiro mecânico Bryan Medeiros da Costa e Silva; e Ari Mamede, amigo de Monique.
Uma morte
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada no Hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca, com múltiplas lesões internacionais e em parada cardiorrespiratória. Jairinho e Monique responderam por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica. Segundo a denúncia do Ministério Público, o menino foi submetido a agressões dentro do apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Zona Oeste do Rio.
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