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Sexto dia do julgamento do caso Henry começa com testemunhas de Monique previstas para depor; júri já ouviu 13 dos 27 depoimentos
Ainda não havia definição da ordem das oitivas até o início da sessão, marcada para as 14h no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio
O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros entra neste sábado no sexto dia cercado pela expectativa dos depoimentos das testemunhas arroladas pela defesa de Monique. Ainda não havia definição da ordem das oitivas até o início da sessão, marcada para as 14h no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio.
Nos bastidores do tribunal, a avaliação dos advogados é de que o julgamento ainda deve se estender por vários dias e pode avançar até a próxima quarta-feira. Também há expectativa sobre a participação da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, uma das testemunhas indicadas pela defesa de Monique. Informações de bastidores apontam que os advogados ainda avaliam se manterão ou não o depoimento dela.
Até agora, 13 das 27 testemunhas previstas já foram ouvidas pelos jurados. Entre elas estão testemunhas de acusação, do juízo e peritos considerados centrais para a sobrevivência da morte de Henry Borel.
O quinto dia do julgamento terminou apenas às 4h20 da madrugada deste sábado, após quase 20 horas de trabalhos. A sessão foi marcada pelo depoimento de dois especialistas que reforçaram a tese da acusação de que Henry foi vítima de agressões e não de um acidente doméstico.
O perito criminal Luiz Carlos Leal Prestes afirmou aos jurados que a hipótese de uma queda acidental está “totalmente descartada”.
— O acidente doméstico está totalmente descartado. Não existe um acidente doméstico. Isso é uma coisa fantasiosa — afirmou.
Segundo o perito, o corpo da criança apresentou múltiplas lesões em regiões distintas, incompatíveis com um único acidente.
— São lesões independentes. Três momentos de agressão diferentes, produzindo três lesões em sítios diferentes — disse.
Já o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva reforçou as instruções da perícia ao afirmar que os danos não eram compatíveis com procedimentos médicos ou manobras de reanimação. Os dois especialistas também sustentaram que Henry já havia apresentado sinais de morte antes de chegar ao Hospital Barra D'Or.
O dia ainda teve um dos depoimentos mais emocionais do julgamento até agora. Vestindo uma camisa com a imagem do filho sob um paletó azul, Leniel Borel de Almeida Júnior prestou depoimento por horas e relembrou os últimos meses de vida da criança.
— O Henry não estava querendo voltar para o apartamento. Ele queria voltar para a casa da avó, em Bangu, ou para o meu apartamento — afirmou.
Em outro momento, ao ser questionado por juíza Elizabeth Machado Louro sobre ter devolvido o filho à mãe mesmo diante dos sinais que observava, respondeu:
— Se eu souber o que sei hoje, eu teria sumido do país com o meu filho.
A sessão também foi marcada pela ausência de dois réus durante parte importante dos trabalhos. Monique saiu do plenário após relatar mal-estar durante exibição de fotografias da necropsia de Henry e foi dispensada pela magistrada. Horas depois, Jairinho também deixou o tribunal após, segundo a defesa, não se sentir bem.
Até o momento, já foram ouvidos o delegado Edson Henrique Damasceno; a delegada Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas; o psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro; a médica Maria Cristina de Souza Azevedo; Kaylane de Oliveira Duarte Pereira; Natasha de Oliveira Machado; Débora Mello Saraiva; a empregada Leila Rosângela de Souza Mattos; a cabeleireira Tereza Cristina dos Santos; a manicure Paloma dos Santos Meireles; o perito Luiz Carlos Leal Prestes; o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva; e Leniel Borel de Almeida Júnior.
Agora, o julgamento entra em uma nova etapa. Se os primeiros dias foram dominados por peritos, delegados e testemunhas ligados à acusação, os próximos deverão abrir espaço para a estratégia das defesas, que tentarão apresentar aos jurados sua versão para os fatos que culminaram na morte de Henry, em março de 2021.
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