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Caso Henry: perícia descarta acidente doméstico, Jairinho e Monique deixam plenário, e depoimento de Leniel avança a madrugada; veja destaques do quinto dia de julgamento
Peritos reforçaram tese de agressões e morte antes de chegar ao hospital; Monique e Jairinho alegaram mal-estar e não assistiram ao interrogatório do pai do menino
Iniciado pouco depois das 9h de sexta-feira e ainda em andamento na madrugada deste sábado, o quinto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros foi marcado pelo fortalecimento da linha de acusação sobre a morte de Henry Borel. Ao longo da sessão, o perito criminal Luiz Carlos Leal Prestes e o médico-legista Luiz Airton Saavedra descartaram a hipótese de acidente doméstico, rejeitaram a tese de que as lesões poderiam ter sido causadas por manobras de reanimação e apontaram sinais compatíveis com agressões sofridas pela criança. Os especialistas também reforçaram a conclusão de que Henry já estava morto quando chegou ao Hospital Barra D’Or. O dia ainda foi marcado pela saída dos dois réus do plenário por alegados problemas de saúde e pelo depoimento de Leniel Borel, pai do menino.
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Henry morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos. Segundo a denúncia do Ministério Público, o menino foi vítima de agressões praticadas por Jairinho, enquanto Monique teria se omitido diante dos sinais de violência. Os dois respondem por homicídio triplamente qualificado e outros crimes relacionados ao caso. Eles são julgados pelo 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio.
Como foi o quinto dia de julgamento
Peritos descartam acidente doméstico e reforçam que lesões foram causadas por agressões
Os depoimentos técnicos ocuparam boa parte da sessão e representaram uma das principais apostas da acusação. O perito criminal Luiz Carlos Leal Prestes afirmou aos jurados que a hipótese de acidente doméstico para explicar a morte de Henry está “totalmente descartada” e classificou essa possibilidade como incompatível com os achados periciais.
— O acidente doméstico está totalmente descartado. Não existe um acidente doméstico. Isso é uma coisa fantasiosa — enfatizou.
Segundo Prestes, o corpo da criança apresentava múltiplas lesões distribuídas por diferentes regiões, incompatíveis com uma única queda. Ao detalhar os ferimentos encontrados na cabeça, o especialista afirmou que eles indicavam episódios distintos de agressão.
— São lesões independentes. Três momentos de agressão diferentes, produzindo três lesões em sítios diferentes — disse.
O perito também rebateu uma das principais linhas exploradas pela defesa de Jairinho, segundo a qual parte dos ferimentos poderia ter sido provocada pelas tentativas de reanimação realizadas no Hospital Barra D’Or. Prestes afirmou que as lesões foram produzidas quando Henry ainda estava vivo.
— A massagem cardíaca bem feita não provoca lesões no fígado. Houve a hemorragia interna, a laceração hepática, que produziu a morte e, portanto, a necessidade da massagem cardíaca — explicou.
Na sequência, o médico-legista Luiz Airton Saavedra reforçou as conclusões da perícia. Ele sustentou que as lesões encontradas no corpo do menino não eram compatíveis com procedimentos médicos nem com uma queda acidental e afirmou que fatores como a temperatura corporal e a rigidez cadavérica reforçam a conclusão de que Henry já teria chegado sem vida ao hospital.
Monique passa mal, Jairinho deixa o tribunal e os dois não acompanham depoimento de Leniel
Durante a exibição de fotografias da necropsia de Henry, no primeiro depoimento do dia, Monique Medeiros passou mal e pediu atendimento médico. Após deixar o plenário, ela foi dispensada da sessão pela juíza Elizabeth Machado Louro. Horas depois, Jairinho também deixou o tribunal. De acordo com seus advogados, o ex-vereador não se sentia bem e precisou receber medicação.
Com isso, nenhum dos dois réus acompanhou o depoimento de Leniel Borel, último a ser ouvido na sexta-feira. A ausência coincidiu com um dos momentos mais emocionais e tensos do julgamento até agora. Depois de um dia dominado por laudos, termos médicos e debates periciais, o plenário passou a ouvir o relato do pai de Henry sobre os últimos meses de convivência com o filho e os episódios que antecederam sua morte.
‘Ele não queria voltar’: Leniel relembra últimos meses do filho e é questionado pela juíza
Vestindo uma camisa estampada com o rosto do filho e um pedido por justiça sob um paletó azul, Leniel afirmou que Henry passou a demonstrar resistência crescente em retornar para a casa da mãe nos meses que antecederam sua morte. Segundo ele, a criança apresentava mudanças de comportamento e sinais físicos que o preocupavam.
— O Henry não estava querendo voltar para o apartamento. Ele queria voltar para a casa da avó, em Bangu, ou para o meu apartamento — disse.
Leniel contou que encontrou uma marca no nariz e um hematoma leve na perna do filho. Também relembrou o episódio em que Henry mencionou pela primeira vez um “abraço apertado” dado pelo então padrasto. Segundo ele, quando procurou Monique para tratar do assunto, ouviu que o menino estaria confundindo as coisas.
Ao falar sobre o último fim de semana antes da morte, o vereador afirmou que o filho ficou nervoso ao perceber que retornaria para a casa da mãe. Segundo o relato, Henry chorou, teve ânsia de vômito durante o trajeto e se agarrou ao pai ao encontrar Monique.
O depoimento levou a juíza Elizabeth Machado Louro a fazer uma pergunta direta sobre a decisão de devolver a criança diante das reclamações.
— O senhor percebe tudo isso e devolve a criança? — questionou a magistrada.
Leniel respondeu que temia perder a guarda compartilhada caso descumprisse o acordo firmado com a ex-mulher.
— Se eu soubesse o que sei hoje, eu teria sumido do país com o meu filho — respondeu.
Ao longo do depoimento, Leniel também voltou a atribuir responsabilidade a Monique pela morte do filho. Questionado pelo promotor Fábio Vieira sobre o que o levava a considerá-la responsável, ele afirmou que a então companheira de Jairinho ignorou sucessivos sinais de que Henry sofria violência. Para ele, diferentemente das ex-namoradas do médico que relataram suspeitas de agressões contra seus próprios filhos, Monique não tomou providências diante dos relatos e das marcas apresentadas pela criança.
— Qualquer mãe, ao ouvir o filho dizer que está sendo machucado, vai atrás para saber o que aconteceu. Ela não fez isso. Sempre minimizava, dizia que ele estava confundindo as coisas — afirmou.
Em seguida, acrescentou:
— Ela não foi mãe. No mínimo, foi omissa.
— Isso é o que diz a denúncia — observou o promotor.
Uso político da morte do filho
Em outro momento, Fábio Vieira afirmou que a defesa poderia sustentar que Leniel transformou a morte do filho em uma plataforma política ao se candidatar e se eleger vereador pela cidade do Rio. O pai de Henry respondeu que decidiu ingressar na vida pública para tentar equilibrar forças e ampliar sua busca por justiça.
— Eu entrei para a política porque percebi que precisava de voz. Do outro lado havia pessoas muito influentes. Eu precisava igualar as forças para continuar lutando pelo meu filho — disse.
Emocionado durante grande parte do depoimento, Leniel chorou ao lembrar o último vídeo gravado com Henry e cantarolar a música “Mãezinha do Céu”. Ele voltou a se emocionar em outros momentos ao recordar a convivência com o filho.
Acusação e defesa voltam a se enfrentar em plenário
A tensão entre as partes também marcou o quinto dia do júri. Logo pela manhã, antes do início dos depoimentos, a defesa de Jairinho voltou a atacar testemunhas ouvidas nos dias anteriores. O advogado Fabiano Tadeu Lopes afirmou que ex-companheiras do ex-vereador, interrogadas na quinta-feira, teriam sido “aliciadas” por Leniel para prestar depoimento e prometeu contestar os laudos produzidos durante a investigação.
Já durante o depoimento de Leniel, houve um bate-boca após o promotor Fábio Vieira acusar integrantes da defesa de estarem rindo enquanto o pai de Henry relatava um episódio ocorrido no Instituto Médico-Legal. Segundo Leniel, um policial lhe disse que as lesões encontradas no corpo do menino equivaliam às de uma queda do terceiro andar de um prédio.
— Pai, isso é uma pancada muito forte. É equivalente a uma queda do terceiro andar. O seu filho foi agredido — relembrou.
Os advogados negaram que tenham rido, mas ouviram reações contrárias da plateia presente no plenário.
— Eu já falei para pararem com essas risadinhas — advertiu a juíza.
Ao longo da noite, Elizabeth Machado Louro precisou intervir diversas vezes para conter discussões entre acusação e defesa. Com a sessão atravessando a madrugada, o julgamento teve seu quinto dia com acusação e defesa concentradas em consolidar suas versões diante dos jurados, às margens da fase de debates que antecederá o veredito. Das 27 testemunhas, 14 foram ouvidas até aqui.
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