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Leniel relata medo de Henry em voltar para casa, é questionado pela juíza e chora ao lembrar último vídeo

Pai de Henry Borel afirma que sofre coação de familiares e advogados de Monique e Jairinho

Agência O Globo - 30/05/2026
Leniel relata medo de Henry em voltar para casa, é questionado pela juíza e chora ao lembrar último vídeo
Henry Borel - Foto: YOUTUBE/Reprodução Fonte: Agência Senado

Vestindo blazer azul e uma camisa com o rosto do filho, o vereador Leniel Borel prestou depoimento na noite desta sexta-feira durante o julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros, sua ex-mulher. Pai de Henry Borel, Leniel detalhou aos jurados os últimos dias de convivência com o filho antes da morte, descreveu a resistência do menino em voltar para a casa da mãe e se emocionou ao recordar o último vídeo gravado com Henry.

Comportamento atípico e marcas no corpo

Leniel relatou que buscou Henry no condomínio Majestic, na Barra da Tijuca, no sábado anterior à morte da criança, e notou marcas no corpo do menino. Segundo ele, o filho vinha apresentando comportamento "atípico" nos fins de semana anteriores, chorando ao retornar para a casa da mãe. Apesar do alerta, pessoas próximas afirmaram que a reação seria natural devido à separação do casal, ocorrida cerca de seis meses antes.

Devolução à mãe e resistência de Henry

Ao relembrar o domingo em que devolveu o filho à mãe, Leniel contou que Henry ficou nervoso ao saber que não iria para a casa da avó, em Bangu, mas sim para a residência de Monique. Segundo o vereador, o menino chegou a ter ânsia de vômito durante o trajeto e, ao encontrar a mãe, se agarrou nele, dizendo: “não, mamãe”. Leniel também relatou que Monique afirmou que o filho "precisava entender que o céu não é tão azul quanto ele acha" e que ele deveria ser "mais firme" com Henry.

Juíza questiona devolução e Leniel justifica

A juíza Elizabeth Machado Louro questionou o motivo de Leniel ter devolvido a criança, mesmo diante das reclamações e resistência de Henry. O vereador respondeu que temia perder a guarda compartilhada caso descumprisse o acordo firmado com Monique. Acrescentou ainda que, se soubesse o que sabe hoje sobre o caso, "teria sumido do país" com o filho. Antes, a magistrada chegou a interromper o depoimento após Leniel mencionar uma suposta “premeditação”, esclarecendo que tal hipótese não consta no processo.

Denúncias de coação e emoção ao lembrar do filho

Durante o depoimento, Leniel afirmou que sofre coação de familiares e advogados ligados aos réus desde a morte do filho. Segundo ele, há publicações em redes sociais pedindo que seja investigado e ataques feitos durante transmissões ao vivo e até na Câmara Municipal do Rio. A juíza precisou intervir diversas vezes devido a interrupções de advogados de defesa — especialmente da defesa de Monique, que negou as acusações — e da assistência de acusação, enquanto Leniel fazia seu relato.

“Eles fazem lives contra mim, dizem que preciso ser investigado, que não era tão bom pai assim. Já foram na Câmara Municipal para me coagir”, afirmou Leniel.

Emocionado, o pai de Henry chorou ao cantarolar a música “Mãezinha do Céu”, a mesma que o filho entoou no último vídeo registrado.

“Minha reação foi gravar. Esse é o último vídeo do meu filho”, disse, comovido.