RJ em Foco
Leniel relata medo de Henry ao voltar para casa, é questionado por juíza e se emociona ao lembrar último vídeo
Pai de Henry Borel afirma que sofre coação de familiares e advogados de Monique e Jairinho
Vestindo um blazer azul e uma camisa estampada com o rosto do filho, acompanhada de um pedido por justiça, o vereador Leniel Borel prestou depoimento na noite desta sexta-feira durante o julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros, sua ex-mulher. Pai de Henry Borel, Leniel descreveu aos jurados os últimos dias de convivência com o menino antes de sua morte, relatou a resistência da criança em retornar à casa da mãe e se emocionou ao recordar o último vídeo gravado com o filho.
Comportamento atípico e resistência de Henry
Leniel contou que buscou Henry no condomínio Majestic, na Barra da Tijuca, no sábado anterior à morte da criança, e percebeu marcas no corpo do filho. Segundo ele, Henry vinha apresentando comportamento "atípico" nos fins de semana anteriores, chorando ao ter que voltar para a casa da mãe. O pai afirmou ainda que pessoas próximas justificavam a reação como consequência natural da separação do casal, ocorrida cerca de seis meses antes.
Ao relembrar o domingo em que devolveu o filho à mãe, Leniel afirmou que Henry ficou nervoso ao saber que não iria para a casa da avó, em Bangu, mas sim para a residência de Monique. Segundo o vereador, a criança chegou a ter ânsia de vômito durante o trajeto e, ao encontrar a mãe, se agarrou nele e disse: "não, mamãe". Leniel relatou que Monique afirmou que o menino "precisava entender que o céu não é tão azul quanto ele acha" e que ele deveria ser "mais firme" com o filho.
Juíza questiona decisão do pai
A juíza Elizabeth Machado Louro questionou por que Leniel decidiu devolver a criança, mesmo diante das reclamações e da resistência demonstrada por Henry. Em resposta, o vereador afirmou que temia perder a guarda compartilhada caso descumprisse o acordo firmado com Monique. Ele acrescentou que, se tivesse as informações que conhece hoje sobre o caso, "teria sumido do país" com o filho.
Durante o depoimento, a magistrada interrompeu Leniel após ele mencionar uma suposta "premeditação", esclarecendo que essa hipótese "não está no processo".
Denúncias de coação e emoção ao lembrar do filho
Leniel afirmou ainda que sofre coação de familiares e advogados ligados aos réus desde a morte do filho. Segundo ele, há publicações em redes sociais pedindo que seja investigado, além de ataques realizados durante transmissões ao vivo e até mesmo na Câmara Municipal do Rio. A juíza precisou intervir diversas vezes devido a interrupções de advogados de defesa — especialmente a de Monique, que negou a acusação — e da assistência de acusação, enquanto Leniel fazia seu relato.
— Eles fazem lives contra mim, dizem que preciso ser investigado, que não era tão bom pai assim. Já foram na Câmara Municipal de Vereadores do Rio para me coagir — relatou Leniel.
O pai de Henry também chorou ao cantarolar a música “Mãezinha do Céu”, a mesma que o menino entoou em seu último registro de vídeo.
— Minha reação foi gravar. Esse é o último vídeo do meu filho — disse, emocionado.
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