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Cavaliere volta a falar em 'caixa-preta' dos ônibus e cita 'indícios' de 'desencaixe' entre dados e número real de passageiros

Declaração foi dada ao citar o fim do pagamento em dinheiro como forma de o município saber as reais informações sobre quantidade de embarques

Agência O Globo - 29/05/2026
Cavaliere volta a falar em 'caixa-preta' dos ônibus e cita 'indícios' de 'desencaixe' entre dados e número real de passageiros

Durante a coletiva de imprensa em que anunciou o adiamento do fim do pagamento em dinheiro nos ônibus para 28 de junho, o prefeito Eduardo Cavaliere voltou a falar em "caixa-preta". O termo normalmente era indicado por seu antecessor Eduardo Paes, que deixou a prefeitura para concorrer ao governo do estado, ao falar sobre o controle da bilhetagem dos ônibus. Desta vez, em seu discurso, Cavaliere afirma que "quase 96%" dos embarques já são feitos com bilhetes, mas informa que "pode ​​ser que não consiga chegar a 100% das transações" nessa modalidade.

Caso Henry:

Esquema milionário:

— Aí vocês vão perguntar "Por quê?" Essa é a mesma pergunta que a gente faz. Aliás, essa pergunta é a razão também de as pessoas estarem implementando o fim do dinheiro circulando dentro dos ônibus. Estamos apurando, acho que vamos conseguir ter essa informação 100% quando concluirmos essa transição do fim do pagamento das passagens em dinheiro, mas pode ser, sim, que tenha um desencaixe entre o volume de passageiros reais e o volume de passagens, de passageiros declarados ao final — disse o prefeito. — Cada vez mais a gente tem que confiar no que é isso que acontece.

Acompanhado do secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, e da presidente da Mobi-Rio, Cláudia Secim, Cavaliere também anunciou que todos os ônibus municipais passam a aceitar pagamento em PIX a partir do fim da semana.

Julgamento do caso Henry:

O EXTRA envolveu a Semove — novo nome da Fetranspor (Federação das Empresas de Mobilidade do Estado do Rio de Janeiro) — e a Riocard, responsáveis ​​pela bilhetagem anterior ao Jaé, e o Rio Ônibus, sindicatos que reúnem as empresas de ônibus que operam na capital, mas não obtiveram retorno até a última atualização desta reportagem.

Imbróglio dois anos

O Jaé começou a ser usado em julho de 2023, anunciado como um substituto do Riocard. Mas a transição definitiva foi demorada.

Novidade:

À época, Eduardo Paes abriu os impasses para a prefeitura receber os dados da empresa Riocard TI, que é administrada pelos próprios empresários que operam as linhas de ônibus da cidade. Sem poupar críticas, o entãoprefeito afirmou que era "a raposa tomando conta do galinheiro". Assim, o Jaé viria como um substituto a esse sistema, passando a funcionar de forma exclusiva nos modais municipais e sendo aceito nos estaduais e interessados, permitindo integração.

O novo sistema de bilhetagem teve todo o cronograma revisado em outubro de 2023, quando previsão de começar a ser aceito em ônibus municipais, vans legalizadas, VLTS e cabritinhos a partir de 1º de novembro daquele ano. Até então, apenas o sistema BRT fazia uso do novo sistema.

Isto aconteceu porque houve demora para concluir de testes operacionais para corrigir falhas e superar problemas técnicos e até dúvidas jurídicas se a prefeitura pudesse exigir que os quatro consórcios que operam os ônibus (Transoeste, Transcarioca, Santa Cruz e Internorte) arcassem com os custos da instalação dos novos validadores.

Os planos da prefeitura incluíam uma operação exclusiva em seus modais a partir de fevereiro de 2024, o que não aconteceu.

Quem é

A prefeitura deu como novo prazo para implementação julho de 2024, o que novamente não aconteceu. Sem conseguir, em agosto daquele ano, a estimativa era que apenas 1% dos embarques ocorriam com o cartão Jaé. Um novo dado foi então anunciado para fevereiro de 2025.

A dificuldade e a demora em instalar os validadores foi um dos motivos do atraso. A prefeitura também tentou formar uma integração entre os sistemas Jaé e Riocard, resolvida em julho do ano passado, em um acordo entre município e estado.

Na prática, beneficiários do Bilhete Único Intermunicipal (BUI) — bancado pelo Governo do Rio a quem recebe salário de até R$ 3.205,20 — seguem acessando os modais municipais por meio de validadores do Riocard. Os demais passageiros precisaram migrar para o Jaé. O próximo passo será o fim do pagamento em dinheiro, que começaria a valer neste sábado. Por determinação da Justiça, a mídia entrará em vigor só no fim de junho.

*Estagiária sob supervisão de Cláudia Meneses