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Secretário de Segurança do Rio celebra decisão dos EUA sobre facções: 'Orgulho'

Victor Cesar Carvalho dos Santos participou de articulações com autoridades americanas

Agência O Globo - 29/05/2026
Secretário de Segurança do Rio celebra decisão dos EUA sobre facções: 'Orgulho'
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas foi comemorada por Victor Cesar Carvalho dos Santos, Secretário de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Em seu perfil no Instagram, Santos publicou nos stories uma imagem com a bandeira dos EUA e a mensagem: "Orgulho define. Parabéns, amigos" .

Atuação Internacional e Articular

Além do envolvimento em negociações com o governo de Donald Trump sobre as facções, Santos também esteve na Itália em 2025, onde se reuniu com o general Michele Carbone, diretor da Direção de Investigação Antimáfia (DIA), segundo informações do blog Segredos do Crime (GLOBO). O foco das conversas foi a presença do Comando Vermelho na Europa e estratégias para enfraquecer as facções por meio da perda de patrimônio e redução dos lucros.

Especialistas alertam para impactos na soberania

Especialistas avaliam que a decisão dos Estados Unidos, que entra em vigor em 5 de junho, pode afetar a soberania nacional, ainda que o Brasil não esteja diante de uma crise semelhante à vivida pela Venezuela após intervenção norte-americana. Vitor de Pieri, pesquisador e professor do Instituto de Geografia da Uerj, recomenda cautela na análise da medida:

— Embora a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas seja comemorada por setores da segurança pública para ampliar instrumentos de cooperação internacional e combate financeiro às facções, existem ao menos três ressalvas importantes que precisam ser consideradas: a primeira diz respeito à própria definição de terrorismo. Do ponto de vista jurídico e conceitual, há uma diferença relevante entre organizações terroristas e organizações criminosas. O terrorismo possui tradicionalmente, motivação política, ideológica ou religiosa, buscando influências governamentais, alterando regimes ou produzindo efeitos políticos por meio do medo. Já o PCC e o Comando Vermelho possuem como finalidade central a obtenção de lucro através de mercados ilícitos.

Investigação dos EUA sobre o CV

Segundo o professor da Uerj, mesmo recorrendo à violência extrema e desafiando o Estado, a principal lógica das facções é econômica.

— A ampliação indiscriminada do conceito de terrorismo pode gerar uma banalização da categoria e produzir confusões conceituais que dificultam a própria compreensão do conhecimento criminal.

O enquadramento do CV e do PCC como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos também pode impactar a soberania nacional, pois essas classificações passam a integrar uma arquitetura jurídica e de segurança internacional mais ampla do que aquela normalmente empregada no combate ao crime organizado. O especialista ressalta que a experiência histórica latino-americana, marcada por ações contra o comunismo, narcotráfico e terrorismo, além do contexto de reposicionamento geopolítico dos EUA no continente, deve ser considerada nas análises.

— A decisão dos EUA pode abrir espaço para mecanismos mais agressivos de monitoramento financeiro, análises extraterritoriais e pressões diplomáticas sobre países considerados incapacitados de controlar determinadas ameaças. Não se trata de negar a necessidade de cooperação internacional, mas de restrição que a classificação pode ampliar a margem de atuação externa sobre temas que, tradicionalmente, pertencem à esfera da soberania nacional — afirma o especialista. — Isso não significa minimizar o poder das facções ou ignorar os desafios que representam ao Estado brasileiro. Significa apenas considerar que decisões dessa natureza produzem efeitos que vão além do enfrentamento ao crime organizado.