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MP-RJ denuncia Marcinho VP, familiares e aliados por lavagem de dinheiro e organização criminosa

Denúncia aponta que facção manteve esquema financeiro comandado por Marcinho VP mesmo com o traficante preso há mais de 20 anos

Agência O Globo - 01/05/2026
MP-RJ denuncia Marcinho VP, familiares e aliados por lavagem de dinheiro e organização criminosa
MP-RJ denuncia Marcinho VP, familiares e aliados por lavagem de dinheiro e organização criminosa - Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou à Justiça, nesta sexta-feira, o traficante Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, sua esposa Marcia Gama Nepomuceno, o filho Mauro Nepomuceno (Oruam) e outras novas pessoas pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A Polícia Civil deflagrou uma operação na última quarta-feira para cumprir mandatos de prisão e de busca e apreensão contra os denunciados. Segundo a 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada, o grupo atuou no 'branqueamento' de dinheiro proveniente do tráfico de drogas em comunidades do Rio de Janeiro. As investigações apontam que Marcinho VP ainda exerce influência hierárquica relevante no Comando Vermelho, coordenando recursos financeiros e estratégias para expansão da facção, mesmo estando preso há mais de duas décadas.

Atribuições no esquema

De acordo com os promotores, Márcia Nepomuceno era a principal responsável pela gestão financeira do esquema. As investigações indicam que ela recebia regularmente dinheiro em espécie de membros da facção, como Edgar Alves de Andrade (Doca), Wilton Carlos Rabello Quintanilha (Abelha) e Luciano Martiniano (Pezão).

Para ocultar o patrimônio ilícito, Márcia Nepomuceno teria adquirido e administrado estabelecimentos comerciais, imóveis e fazendas.

Oruam, segundo as investigações, foi beneficiário direto do esquema. A denúncia afirma que o artista recebeu recursos ilícitos e utilizou sua carreira musical para valores dissimulares obtidos nas atividades criminosas. Ele teria recebido dinheiro de tráfego como Doca e Pezão para despesas pessoais, viagens, festas e investimentos.

Lucas Nepomuceno integraria o núcleo familiar, sendo responsável por intermediar ordens e auxiliar na gestão de ativos. Já Carlos Alexandre Martins da Silva, Luiz Paulo Silva de Souza (Magrão) e Jeferson Lima Assis fariam parte do núcleo de suporte operacional, atuando na lavagem de dinheiro e como testamentos de ferro.

No núcleo de liderança operacional estariam Doca, Abelha, Pezão, 2D e Sam, apontados como responsáveis ​​pela atuação nas comunidades, incluindo o tráfico de drogas, e pelo repasse de parte dos valores arrecadados ao núcleo familiar.