RJ em Foco
Chácara do Céu: favela no Leblon tem construções que chegam a sete andares e podem ser avistadas de Ipanema
Comunidade fica na encosta, no limite de um parque natural. Dados do IBGE mostram que 591 pessoas vivem no local, distribuídas por 231 casas em área de apenas 0,025 quilômetro quadrado
A favela Chácara do Céu, no Alto Leblon, entre a Mata Atlântica e os limites do Parque Natural Municipal Penhasco Dois Irmãos, na Zona Sul, chama a atenção por suas construções que chegam a cerca de sete andares e passaram a despontar em meio às árvores, ficando visíveis de Ipanema, a quatro quilômetros de distância, onde antes não apareciam. Ao nível das lajes, há pilhas de entulho, materiais espalhados e obras em andamento, enquanto uma das casas já alcança o quarto pavimento.
si Mare Liberum:
Tragédia:
Imagens recentes feitas com drone, somadas à comparação com registros de satélite do Google Earth entre 2020 e 2025, revelam que ela cresce para o alto, embora o território ocupado siga praticamente o mesmo, sem avanço significativo sobre a mata.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, a Chácara do Céu tem 591 moradores distribuídos por 231 casas em área de apenas 0,025 quilômetros quadrados. A densidade populacional na comunidade, equivalente a 23.550,51 habitantes por milhas quadradas, é mais de quatro vezes a média da cidade do Rio, de 5.174,60 moradores por milhas quadradas, com área de 1.200,33km².
Esse nível de adensamento não é um caso isolado no estado. Pela primeira vez, de acordo com o mesmo levantamento, oito das dez favelas mais verticalizadas do país estão no Rio de Janeiro. A lista inclui Rocinha, Rio das Pedras, Muzema e Tijuquinha. O crescimento das favelas no Brasil, de forma geral, também ajuda a contextualizar o caso. Entre 2000 e 2022, a população de toda a cidade do Rio cresceu 6%, enquanto apenas nas favelas o aumento foi de 23,53%, também segundo o IBGE.
A presidente da Associação de Moradores do Leblon, Evelyn Rosenzweig, que esteve à frente do Programa de Orientação Urbanística e Social (Pouso), criado em 2008 para promover regularização, planejamento e fiscalização em áreas de interesse social, afirma que a iniciativa foi descontinuada. Segundo ela, o programa atuava diretamente dentro das comunidades, oferecendo orientação técnica para evitar construções que pudessem comprometer a estrutura dos imóveis, principalmente em regiões de encosta, mais sujeitas a superfícies em caso de chuvas intensas.
— A ideia era orientar o morador sobre o que pode e o que não pode fazer nas construções, de forma viável, para que ele conseguisse, inclusive, registrar o imóvel. Isso foi ótimo, já que o morador sofria com essa condição. Era um projeto muito difícil e conseguiu dar certo por um tempo — explicou o presidente da associação, lembrando que o programa foi interrompido em meados de 2018. — O projeto denunciava construções ilegais, principalmente essas verticais e perigosas. Hoje faz ninguém vistoria, e isso fica ainda mais visível para o lado do Vidigal. Todo mundo vê material de construção subindo e descendo. Recebemos denúncias dos moradores da Chácara, mas somos impotentes.
Sydnei Menezes, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU/RJ), afirma que enfrentar o problema exige medidas estruturais. Ele aponta três caminhos principais: o reconhecimento dessas áreas como de interesse social, a criação de regras urbanísticas específicas e a presença efetiva do poder público.
— Dependendo da área, o solo não permite esse tipo de crescimento. Limitar a verticalização deveria ser um princípio básico — diz o especialista. — Mesmo quando as unidades são construídas em um pavimento só, com uma superestimativa de projeto estrutural, é preciso que se tenha claro de que qualquer construção acima poderá comprometer (a segurança).
Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente e Clima afirmou que as construções estão fora dos limites do Parque Natural Municipal Dois Irmãos, mas disse que enviará uma "equipe ao local para vistoriar".
Mais lidas
-
1ANÁLISE MILITAR
Caça russo Su-35S é considerado superior ao F-16 e F-22 por especialista
-
2CULTURA
Marcello Novaes participa de show da banda dos filhos Diogo e Pedro
-
3POLÍTICA PÚBLICA
Alagoas é o primeiro estado a aderir à Conferência Nacional do Ministério da Pesca e Aquicultura
-
4POLÍTICA E ECONOMIA
Lindbergh critica postura de Galípolo e aponta corporativismo no caso Banco Master
-
5FUTEBOL
Náutico vence a Ponte Preta e fica na parte de cima da tabela da Série B do Brasileirão