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Ex-vereadora do Rio Luciana Novaes tem morte cerebral decretada

Ela ficou conhecida após ser baleada em 2003, superou diagnóstico grave, construiu trajetória política e voltou à Câmara em 2023

Agência O Globo - 28/04/2026
Ex-vereadora do Rio Luciana Novaes tem morte cerebral decretada
Luciana Novaes

A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro divulgou, na noite de segunda-feira, uma nota de pesar após a confirmação do protocolo de morte cerebral da ex-vereadora Luciana Novaes, de 42 anos. A informação foi revelada pelo jornalista Ancelmo Gois. Luciana ganhou notoriedade após ser atingida por uma bala perdida em 2003, enquanto estava no campus da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, Zona Norte do Rio.

Superação e trajetória política

O episódio foi decisivo em sua vida, deixando-a tetraplégica, dependente de ventilação mecânica e com apenas 1% de chance de sobrevivência, segundo o diagnóstico da época. Apesar das adversidades, Luciana retomou os estudos, formou-se em Serviço Social e concluiu pós-graduação em Gestão Governamental.

Em 2016, foi eleita vereadora do Rio, destacando-se como parlamentar com mais leis aprovadas em seu primeiro mandato e realizando mais de 150 fiscalizações. Em 2020, por integrar o grupo de risco durante a pandemia, não conseguiu fazer campanha nas ruas, mas obteve 16 mil votos e ficou como primeiro suplente. Em 2022, concorreu a deputada federal, conquistando mais de 31 mil votos — sendo a segunda mulher mais votada do PT no estado — e ficou como segunda suplente. Em 2023, retornou à Câmara Municipal ao assumir a vaga de Tainá de Paula (PT), voltando à suplência com o retorno do titular.

Legado e azul

A Câmara ressaltou que Luciana “foi mais do que uma atuante parlamentar”, sendo símbolo de perseverança e superação. Mesmo diante de grandes adversidades, encontrou forças para reconstruir a própria vida e se dedicar ao serviço público “com dignidade, sensibilidade e compromisso com quem mais precisa”.

O legado da ex-vereadora inclui quase 200 leis externas à inclusão e defesa de pessoas com deficiência, idosos e população em situação de vulnerabilidade. Sua atuação, marcada por uma “voz firme” e “escuta generosa”, fez diferença na vida de milhares de cariocas.

Nota de pesar da Câmara de Vereadores do Rio, na íntegra

"Em virtude do acionamento do protocolo de morte cerebral da vereadora Luciana Novaes (PT), o presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Carlo Caiado (PSD), manifesta-se profundamente pesar pelo falecimento da parlamentar, uma mulher que transformou a própria dor em propósito e fez da sua trajetória um exemplo permanente de luta, coragem e amor ao próximo.

Luciana, que tinha 42 anos, foi mais do que uma atuante parlamentar. Foi símbolo de perseverança e superação. Mesmo diante de uma das maiores adversidades que alguém pode enfrentar, encontrou forças para reconstruir sua vida e se dedicar ao serviço público com dignidade, sensibilidade e compromisso com quem mais precisa.

Ao longo de sua atuação, deixou um legado consistente de quase 200 leis, sempre voltadas para a inclusão, a defesa das pessoas com deficiência, dos idosos e da população em situação de vulnerabilidade. Sua voz firme e sua escuta generosa fizeram diferença na vida de milhares de cariocas, olhando não apenas para a cidade, mas para cada indivíduo que apenas foi visto, coletado e respeitado.

Sua história, marcada por fé, resiliência e propósito, seguirá inspirando gerações. Luciana demonstrou, na prática, que limites não definem destinos quando há vontade de transformar o mundo ao redor.

Neste momento de dor, a Câmara Municipal se solidariza com familiares, amigos e toda a equipe de seu mandato. O Rio de Janeiro perde uma grande mulher, mas seu legado permanece vivo, na memória da cidade e no coração de todos que foram tocados por sua trajetória."