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Lar da Mulher completa 19 anos com mais de 3,4 mil vítimas de violência acolhidas no Estado do Rio
Mantido em endereço sigiloso, espaço do governo estadual oferece abrigo temporário, apoio psicológico e jurídico a mulheres e crianças em risco iminente de morte
O Lar da Mulher, equipamento do Governo do Estado do Rio voltado ao acolhimento de vítimas de violência doméstica em situação de risco, completa 19 anos neste mês com mais de 3,4 mil pessoas atendidas desde sua criação, em 2007. Administrado pela secretaria da mulher em parceria com o RioSolidario, o espaço funciona em endereço confidencial e oferece abrigo temporário, além de suporte psicológico, jurídico e ações de reintegração social para mulheres e seus filhos ameaçados.
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A unidade atende mulheres em risco iminente de morte, muitas delas vítimas de ameaças e perseguições. Encaminhadas por Centros Especializados de Atendimento à Mulher (CEAMs) ou pela Central Judiciária de Acolhimento da Mulher Vítima de Violência Doméstica (CEJUVIDA), elas encontram no local um ambiente protegido para recomeçar. O acolhimento inclui também crianças, que são matriculadas na rede pública de ensino e recebem os mesmos cuidados oferecidos às mães.
— A importância do Lar não é somente abrigar ou acolher mulheres, mas dar um recomeço para nós. Vi o quanto a vida é importante. Não só a minha, mas a de todas nós. Neste lugar, eu sou respeitada, acolhida e amada. Sou encorajada a ter uma nova vida. Agora, meus filhos sorriem de felicidade e isso é muito importante para mim — relata uma das abrigadas, em condição de anonimato.
Aberto 24 horas, o espaço tem capacidade para receber até 60 pessoas por um período de até seis meses. Ao todo, são 1.300 metros quadrados divididos em 15 quartos, além de brinquedoteca, berçário, sala de jogos, refeitório, salão de beleza e jardim. A estrutura busca garantir não apenas segurança, mas também condições para a recuperação emocional das vítimas.
Para a diretora do Lar da Mulher, Sônia Ciriaco, o trabalho desenvolvido vai além do acolhimento emergencial.
— Não estamos apenas comemorando um aniversário, mas também celebrando a coragem, a superação e os recomeços. Aqui, histórias são transformadas todos os dias. Para muitas das mulheres que acolhemos, a violência deixou marcas profundas e oferecer um espaço protegido e seguro é devolver algo essencial: a possibilidade de viver sem medo e, mais do que isso, de voltar a sonhar — afirma.
O atendimento inclui escuta qualificada, acompanhamento psicossocial, apoio pedagógico e ações voltadas ao resgate da autoestima. Também são realizados processos de regularização documental e tentativa de restabelecimento de vínculos familiares. Segundo a assistente social Marta Pereira, o objetivo é promover autonomia progressiva.
— Como resultado, as mulheres tendem a sair mais seguras, fortalecidas, com autoestima resgatada, documentação organizada e, em alguns casos, reinseridas no convívio familiar ou com aluguel de espaço próprio por meio de algum benefício social — explica.
A presidente do RioSolidario, Paola Figueiredo, destaca que o serviço integra a rede de proteção do estado.
— O serviço oferecido no Lar da Mulher representa o cumprimento do dever do Estado de garantir a efetividade da rede de serviços destinados a mulheres em risco iminente de morte. É o caminho para restaurar a dignidade. Mantê-lo é dar a possibilidade de elas vislumbrarem um futuro melhor para si e também para seus filhos — diz.
Como buscar ajuda
Mulheres vítimas de violência podem procurar atendimento por meio dos CEAMs ou delegacias especializadas. O estado também disponibiliza o aplicativo Rede Mulher, que permite localizar serviços de apoio, solicitar medidas protetivas, registrar ocorrências e acionar a Polícia Militar em casos de emergência.
A Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas por dia pelo telefone 180 ou via WhatsApp (61) 9610-0180, oferecendo orientação e encaminhamento de denúncias. Em situações de urgência, a recomendação é ligar para o 190.
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