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Policial preso por morte de empresário na Pavuna fazia parte de comissão que fiscaliza câmeras da PM
Gravações revelam perseguição de mais de uma hora, tiros sem abordagem e policiais combinando versão de legítima defesa; investigação apura motivação da execução
Um dos policiais militares presos pela morte do empresário Daniel Patrício Oliveira, de 29 anos, na Pavuna, Zona Norte do Rio, integrava, desde o ano passado, uma comissão responsável por fiscalizar contratos da Polícia Militar referentes ao fornecimento de câmeras corporais. O contrato da PM com a empresa abrange o fornecimento dos equipamentos, armazenamento das imagens em nuvem e gestão das evidências digitais. A informação vem à tona no momento em que gravações dessas câmeras desmentem a versão apresentada pelos agentes sobre a abordagem que resultou na morte do empresário, atingido na cabeça na última quarta-feira, dia 22.
Quem são os policiais
O 3º sargento Rafael Assunção Marinho, de 43 anos, aparece em uma resolução da Secretaria de Estado de Polícia Militar, publicada no Diário Oficial em agosto de 2025, como integrante da comissão encarregada de fiscalizar a execução do contrato nº 111/2021, firmado entre a corporação e a empresa L8 & Group S/A.
Embora o documento não detalhe o objeto específico do contrato nº 111/2021, a L8 & Group S/A, integrante do consórcio OX21, mantém outros contratos com a Polícia Militar voltados a soluções tecnológicas de monitoramento. Em uma dessas contratações, também descrita em resolução de 2025, a empresa foi contratada para prestar “serviços contínuos e especializados” de captação, armazenamento, transmissão, gestão e custódia de evidências digitais, com fornecimento de câmeras operacionais portáteis.
Já o cabo Rodrigo da Silva Alves é citado em um processo relacionado à Lei Maria da Penha, em tramitação no Tribunal de Justiça do Rio. Segundo documento do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Regional da Leopoldina, a vítima solicitou medidas protetivas em um caso que envolve acusações de lesão corporal – incluindo formas grave e gravíssima –, violência doméstica e possível crime ou contravenção contra criança e adolescente. O registro foi feito na 27ª Delegacia Policial.
Imagens contradizem versão de legítima defesa
Vídeos divulgados pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostram que o 3º sargento Rafael Assunção Marinho e o cabo Rodrigo da Silva Alves, ambos do 41º BPM, monitoraram Daniel por horas antes da abordagem.
De acordo com a investigação da Corregedoria da Polícia Militar, a vítima passou a ser acompanhada desde 1h53 da madrugada, com apoio de um olheiro que repassava informações em tempo real. Por volta das 3h, já com a localização atualizada, os agentes se posicionaram na via por onde o empresário passaria. Nas imagens, um policial avisa: “Tá descendo o Russo agora!”. Em seguida, um dos agentes avança a pé e dispara dezenas de tiros de fuzil contra a caminhonete. Daniel foi atingido na cabeça e morreu no local.
As imagens não mostram qualquer ordem de parada, bloqueio ou tentativa formal de abordagem, contrariando o relato inicial dos policiais, que alegaram legítima defesa após o motorista supostamente avançar com o carro contra a equipe.
Após os disparos, uma das gravações registra um dos agentes orientando o outro sobre o que deveria ser dito: “A gente fala que na tentativa de abordagem o elemento tentou jogar o carro contra a guarnição”.
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