RJ em Foco
Câmeras corporais revelam PMs combinando versão após morte de empresário na Pavuna
Imagens desmentem alegação de legítima defesa no caso de Daniel Patrício Oliveira, de 29 anos
Imagens de câmeras corporais dos policiais militares envolvidos na morte do empresário Daniel Patrício Oliveira, de 29 anos, na Pavuna, Zona Norte do Rio, na semana passada, contradizem a versão apresentada pelos agentes de agido em defesa legítima. Os vídeos, divulgados pelo Fantástico, da TV Globo, mostram que os dois PMs monitoraram a vítima por horas e atiraram contra o veículo onde ele estava sem emitir ordem de parada.
Após os disparos, uma das gravações registra um dos policiais orientando como o caso deveria ser apresentado oficialmente:
“A gente fala que na tentativa de abordagem o elemento tentou jogar o carro contra a continuidade”.
A declaração diverge da versão que os próprios policiais deram aos moradores, à supervisão e na delegacia, segundo a qual deveriam reagido a uma suposta ameaça. Conforme o relato inicial, eles deveriam abordar o veículo e o motorista teria que ser atualizado em direção à equipe. Ainda segundo essa versão, os disparos foram feitos “numa tentativa de salvaguardar a vida” dos agentes. As imagens, porém, não mostram blitz, bloqueio ou qualquer ordem de parada.
A investigação da Corregedoria da Polícia Militar aponta que os agentes acompanhavam os passos de Daniel desde 1h53 da madrugada, com o auxílio de um olheiro que repassava informações em tempo real. Em um dos trechos, um policial demonstra impaciência com a esperança, enquanto o colega comenta: "É difícil, mas é o trabalho, tem que ter paciência. Se teve um dronezinho era melhor ainda".
Por volta das 3h, com a localização atualizada da vítima, os PMs se posicionaram na via por onde o empresário passaria. Nas gravações, um policial avisa aos colegas: "Tá descendo o Russo agora!" Em seguida, as imagens mostram um dos agentes avançando a pé em direção à caminhonete e disparando ofertas de tiros de fuzil. Daniel foi atingido na cabeça e morreu no local.
Além de Daniel, estiveram no veículo Michel Matheus Correia Ramos da Silva, Wesley Silva de Oliveira e Herick Souza dos Santos. Segundo relatos, o grupo retornou da Estrada de Botafogo no momento da abordagem. Os sobreviventes aparecem nas gravações logo após os disparos, em estado de desespero. "Meu Deus, mano. Pelo amor de Deus, mano! Coé, meu chefe, que que a gente fez?", gritou um deles. Outro relato de que o empresário foi atingido no rosto.
Moradores que se aproximaram após os tiros também questionaram a ação policial. Mesmo assim, o agente que efetuou os disparos sustentou a versão de defesa legítima, repetindo o relato posteriormente por telefone e na delegacia.
Os dois policiais foram presos no mesmo dia, acusados de homicídio doloso. A Corregedoria informou que a ação não atingiu nenhum protocolo formal e investiga agora a motivação do crime, que ainda não foi esclarecida.
Daniel tinha 29 anos, era casado, pai de uma menina de 4 anos e trabalhava com eletrônicos. A família se preparava para se mudar para Foz do Iguaçu, no Paraná.
Mudança para Foz do Iguaçu
A irmã de Daniel contou que ele planejava deixar o Rio de Janeiro nos próximos meses, mudando-se com a esposa e a filha para Foz do Iguaçu. Segundo ela, o carro atingido seria utilizado na mudança.
— Ele não queria mais morar aqui, queria viver os sonhos dele. Já estava indo embora, ele trouxe o carro para levar a mudança. A gente mora aqui há mais de 22 anos — explicou Tais.
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