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Milhares de fiéis lotam igreja de São Jorge em Quintino desde a madrugada

Antes das primeiras missas, show com drones reproduziu a clássica imagem do santo matando um dragão

Agência O Globo - 23/04/2026
Milhares de fiéis lotam igreja de São Jorge em Quintino desde a madrugada
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Desde os primeiros minutos do dia, na Rua Clarimundo de Melo, em Quintino, Zona Norte do Rio, foi tomada por um mar vermelho de fé. Antes mesmo da meia-noite, devotos chegaram à Igreja Matriz de São Jorge, muitos carregando folhas de espada de São Jorge, velas e terços — símbolos de proteção e resistência associados ao santo guerreiro. Alguns caminhavam em silêncio, outros entoavam orações. Muitos se emocionaram e choraram.

Este foi o início de uma das celebrações mais emblemáticas do calendário religioso carioca — e, neste ano, com um roteiro ampliado que atravessou a madrugada, misturando tradição e inovação. Antes da primeira missa, às 5h, um espetáculo de drones iluminando o céu, formando imagens religiosas, incluindo a cena clássica de São Jorge derrotando o dragão.

— Foi um verdadeiro espetáculo. Digno do tamanho da festa. Um show de drones como esse geralmente acontece apenas na praia de Copacabana. Achei incrível que trouxeram essa modernidade para a festa do santo guerreiro — disse Lurdes de Fátima, moradora do Complexo da Caixa D'Água, emocionada ao ver as imagens projetadas no céu ainda escuro.

Ao todo, mais de 300 drones participaram da apresentação, que durou cerca de 20 minutos e antecedeu a tradicional Missa da Alvorada, celebrada às 5h. O público reagiu com aplausos, gritos e lágrimas, enquanto os celulares eram erguidos para registrar o momento. A principal novidade da festa em 2026 foi a programação contínua ao longo de toda a madrugada.

Para manter o público reunido até o amanhecer, a igreja especifica uma sequência de atividades iniciadas à meia-noite, com louvores prolongados pelo padre José Bispo, samba devocional do Grupo Pretensão, oração do Santo Terço, apresentações da Banda dos Fuzileiros Navais e momentos de entusiasmo.

Entre uma atração e outra, histórias pessoais se misturaram à celebração coletiva. Jorge Luiz Neto, de 38 anos, chegou ainda de madrugada acompanhado da esposa, da mãe e da filha pequena. Para ele, estar ali era mais do que uma tradição — era um ciclo de vida.

— Eu fui batizado aqui. Depois, batizei minha filha em homenagem a São Jorge. Toda a minha família é devota. Hoje, viemos agradecer pela proteção de todos os dias. É impossível não se emocionar — relatou Jorge.

Perto da entrada da igreja, dona Maria das Graças, aposentada de 72 anos, segurava firme um terço já marcado pelo tempo. Moradora de Madureira, ela repete o ritual há mais de quatro décadas.

— Já passei por muita coisa na vida. E sempre pedi a São Jorge força pra continuar. Enquanto eu tiver saúde, vou estar aqui — declarado, com a voz embargada.

Dentro da igreja, a cena era de intensa devoção: bancos lotados, corredores ocupados e fiéis ajoelhados no chão. Muitos rezavam em silêncio, outros entoavam cânticos.

Ao longo do dia, a programação segue com dez missas, celebradas a cada uma hora e meia — da alvorada até a última, às 19h30. A celebração das 10h será presidida pelo cardeal arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. Às 16h, uma procissão tradicional percorrerá as ruas do bairro.