RJ em Foco
Rocinha é a favela do Rio com mais construções em terrenos inclinados, revela estudo que usa imagens de satélite
Projeto MapBiomas constatou que os morros do Alemão e do Juramento, na Zona Norte, vêm em segundo e terceiro lugares
O projeto MapBiomas, que monitora a ocupação do território nacional com imagens de satélite, aponta a Rocinha como a favela do Rio com a maior área urbanizada em terrenos com inclinação superior a 30%. São 46,2 hectares, o que corresponde a 59% do território local. A legislação federal restringe a construção em terrenos com declividade acima desse percentual.
Cachoeiras de Macacu:
Estupro coletivo em Copacabana:
Os morros do Alemão e do Juramento, na Zona Norte, vêm em segundo e terceiro lugares nessa lista, com 23,3 e 22 hectares, respectivamente. As extensões equivalem a 46,3% e 64% de cada comunidade.
— Em encostas com declividade superior a 30%, a inclinação do terreno tende a aumentar a suscetibilidade a processos de instabilidade, como deslizamentos, especialmente em contextos de forte adensamento urbano e intervenções de relevo — observa Júlio Pedrassoli, coordenador da Equipe Urbano do MapBiomas.
Alertas sonoros
A Defesa Civil municipal contabiliza 165 áreas de risco na cidade — onde estão instaladas sirenes. Na Rocinha, há sete pontos com avisos sonoros.
Professor do Programa de Engenharia Civil da Coppe/UFRJ, Maurício Ehrlich destaca que, para evitar tragédias, o fundamental seria que a ocupação de qualquer área fosse precedida da análise do terreno e de planejamento urbano:
— Assim, se evitaria que terrenos de pior qualidade para a construção fossem ocupados. Com planejamento, os locais, antes de servir de moradia, teriam, por exemplo, rede de esgoto e seriam servidos de transporte. Esse seria o mundo ideal. Mas, infelizmente, há pessoas que constroem sem assistência técnica, de qualquer jeito. De uma maneira geral, lugares com índice de cota mais elevado são problemáticos, seja no maciço que for — analisa.
De acordo com índice desenvolvido pela agência Ambiental Media em parceria com um grupo de pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF), 599 mil domicílios do município do Rio estão localizados em áreas de risco de desastres por chuvas fortes. O índice combina dados de suscetibilidade a deslizamentos e inundações com indicadores socioeconômicos.
Áreas inundáveis preocupam tanto quanto aquelas vulneráveis a deslizamentos. O biólogo Mário Moscatelli alerta para a vizinhança do Rio Piraquê-Cabuçu, onde cresce em meio ao manguezal a comunidade do Piraquê, em Guaratiba, na Zona Oeste.
— A região ocupada, vizinha a margens do rio, tinha 325 mil metros quadrados em 2002, e passou para 538 mil metros quadrados em 2025 — diz Moscatelli, que monitora o lugar através de sobrevoo pelo projeto Olho Verde. — Parece nítido que não aprendemos muitas coisas em termos de ordenamento do uso do solo.
Segundo moradores, a Rua da Capelinha e a Travessa Piraquê, que ficam à beira do rio, são as mais castigadas.
— Na última chuva, a água subiu e invadiu as casas — reclama Sandra Márcia Pereira, de 49 anos.
A prefeitura do Rio diz que a comunidade foi beneficiada por obras de infraestrutura e urbanização e que a Fundação Rio-Águas atua na limpeza do rio. “Será enviada equipe para vistoriar o canal nas proximidades da comunidade e inspecionar o sistema de drenagem do local”, diz a nota.
A comunidade, controlada por milícia, saltou, segundo o Censo do IBGE, de 6.197 moradores, em 2010, para 9.202 em 2022.
Na Zona Sudoeste, favelas hoje controladas pelo Comando Vermelho tiveram crescimento acentuado durante o período passado sob o jugo de milicianos. Caso da Muzema, no Itanhangá, que saltou de 4.503 para 12.982 moradores, entre 2010 e 2022. A Vila Taboinha, em Vargem Grande, foi de 476 para 1.269 habitantes, de um censo a outro.
Áreas de risco com declive acentuado
1- Rocinha: 46,2 hectares, ou 59% da favela
2- Morro do Alemão: 23,3ha, ou 46,3%
3 - Morro do Juramento (Vicente de Carvalho): 22ha, ou 64%
4 - Morro do Borel (Tijuca): 21,6ha, ou 63,2%
5 - Vidigal: 15ha, ou 58,9%
6 - Morro do Urubu (Pilares e Coelho Neto): 13,1 ha, ou 49,1%
7 - Santa Terezinha (Santa Teresa): 11,2ha, ou 62,3%
8 - Morro da Formiga (Tijuca): 14,1 ha, ou 87,8%
9- Salgueiro (Tijuca): 12,1ha, ou 82,6%
10 - Morro dos Macacos (Vila Isabel): 10,5 ha, ou 74,5%.
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