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Alunos do Sesi criam máquina controlada a partir de guitarra gamer para torneio nacional de robótica

Agência O Globo - 06/03/2026
Alunos do Sesi criam máquina controlada a partir de guitarra gamer para torneio nacional de robótica
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Para que sirva uma guitarra gamer (além de jogar, claro)? Alunos da Escola Firjan Sesi Friburgo, na Região Serrana do Rio, deram um novo uso ao equipamento: uma máquina de porte industrial fabricada por eles é controlada a partir de um aparelho do tipo durante as apresentações do Torneio Nacional de Robótica, que vai até domingo em São Paulo. Entre robôs feitos com peças de Lego e outros com mais de um metro e meio de altura, o grupo se destacou na primeira fase da competição, que reúne mais de 2 mil estudantes de escolas públicas e privadas de todo o país.

O tema da edição deste ano é a Arqueologia, algo que remete ao resgate e à valorização do passado. Pensando nisso, a equipe de Robótica da escola criou uma nova versão da participação da equipe no torneio de 2023, quando também ganhou uma guitarra e venceram o prêmio de Imagem.

— Eu nunca toquei guitarra, nem no modelo gamer, mas é bastante intuitivo. A partir de certos "acordes", o robô faz a coleta, articulação e lançamento de materiais — explica a piloto e “guitarrista” Letícia da Cunha Gomes, de 17 anos.

O estudo da Robótica ajudou Letícia a planejar o futuro profissional: devido às pesquisas que fizeram no ano passado, quando o tema foi Oceano, ela decidiu fazer graduação em Oceanografia. Já Elloá Conceição e Souza, de 16 anos, aluna da Escola Firjan Sesi São Gonçalo, decidiu fazer Programação, após uma ajuda robótica-la a se manter dedicada aos estudos:

— Perdi minha mãe um pouco antes da pandemia, minhas notas caíram a cair e ficaram pela primeira vez em recuperação. Conheci a Robótica num curso preparatório para escolas como a Firjan Sesi, onde um ex-membro da equipe esteve para apresentar o projeto, e isso me estimulou muito. Tanto que, hoje, quero seguir na área.

Matheus Cardoso Costa, de 17 anos, aluno da Escola Firjan Sesi Jacarepaguá e morador da Cidade de Deus, teve na Robótica uma motivação a mais para continuar estudando. Hoje, pretendo se tornar engenheiro de software.

— A dificuldade para ir à escola me desanimou por bastante tempo, mas tinha em mente o dever de ajudar minha família pelo tanto que eles me ajudaram. A Robótica se tornou mais do que um estímulo importante, mas um abrigo onde eu posso me divertir, aprender e ter a oportunidade de conhecer lugares que eu não teria a chance de ir — conta ele.

Mais de 80 jovens na equipe

A Firjan Sesi participa do torneio com 84 alunos, entre 9 e 19 anos, das unidades de Barra Mansa, Resende e Barra do Piraí, no Sul Fluminense; São Gonçalo, na Região Metropolitana; Nova Friburgo, na Região Serrana; e do bairro de Jacarepaguá, na capital. Os vencedores do torneio vão disputar o Mundial de Robótica em Houston, nos Estados Unidos. A competição ainda tem troféus em categorias diversas, que contam a qualidade do trabalho apresentado e a cultura da Robótica na comunidade, entre outros pontos. No ano passado, por exemplo, o técnico Rômulo de Jesus Costa, da equipe de Friburgo, foi eleito o melhor técnico do Brasil.

A competição inclui as categorias FLL (FIRST Lego League Challenge), na qual alunos de 9 a 15 anos constroem robôs com peças Lego e criam um projeto de inovação; FTC (FIRST Tech Challenge), composto por estudantes do ensino médio e robôs de porte semi-industrial; e FRC (FIRST Robotics Competition), com a missão de programar robôs de porte industrial, com até 55kg e mais de 1,5 metro de altura.

Para estar entre os melhores do Brasil, os jovens da Firjan Sesi disputaram com 61 equipes, num total de cerca de 500 estudantes de escolas públicas, privadas, ONGs e equipes independentes de todo o Rio e de outros dois estados (Bahia e Espírito Santo). Para o mundial nos Estados Unidos, que acontece entre 29 de abril e 2 de maio, serão classificados três concorrentes da FLLC, cinco da FTC e quatro da FRC.

— Mais de 80% dos nossos alunos têm renda familiar inferior a quatro intervalos mínimos, mas suas notas médias são equiparadas aos alunos de maior renda, que costumam ter mais oportunidades de acesso à cultura e à educação. E a Robótica é uma das várias metodologias diferenciadas que estão restritas para isso — explica Vinícius Cardoso, diretor de Educação e Cultura da Firjan Senai Sesi.