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Justiça do Rio autoriza apreensão de menor suspeito de articular estupro coletivo em Copacabana

Polícia Civil busca adolescente de 17 anos, considerado foragido após decisão judicial

Agência O Globo - 05/03/2026
Justiça do Rio autoriza apreensão de menor suspeito de articular estupro coletivo em Copacabana
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Justiça do Rio de Janeiro expediu, nesta quinta-feira, um mandato de busca e apreensão contra o adolescente apontado pela Polícia Civil como articulador de um estupro coletivo ocorrido em Copacabana, Zona Sul da capital fluminense. O jovem, de 17 anos, é considerado foragido e já está sendo procurado pelos agentes.

A decisão judicial foi tomada após o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) alterar seu posicionamento inicial. No primeiro momento, o órgão não exige a apreensão do menor, tendo apenas representado contra ele por ato infracional analógico ao crime investigado, sem solicitar a internação provisória — medida equivalente à prisão no sistema socioeducativo. Sem esse pedido formal do MP, a Justiça não poderia decretar a apreensão do adolescente.

O entendimento inicial do MPRJ foi divulgado na quarta-feira, quando veio a público a denúncia contra quatro homens maiores de idade pelo estupro coletivo ocorrido em 31 de janeiro, em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana.

No entanto, nesta quinta-feira, o MPRJ voltou e solícito à Justiça a internação provisória do adolescente investigado. A mudança ocorreu após o delegado Ângelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), informar ao órgão o surgimento de uma segunda vítima, que também atribuiu à menor participação em um episódio de violência sexual.

Nova

Segundo a Polícia Civil, a existência de uma segunda investigação envolveu o mesmo adolescente e ao menos um dos adultos já indiciados no primeiro caso motivou a reavaliação do MP. Os investigadores apontam que o menor teria tido papel central nos dois episódios.

A nova vítima, que acompanha a polícia, relatou ter sofrido o abuso em agosto de 2023, quando tinha 14 anos. Em depoimento, a mãe da jovem afirmou que o crime foi violação de três homens, sendo dois deles já identificados no caso de Copacabana: o menor de idade e Mattheus Martins, de 19 anos. Conforme o relato, um adolescente foi atraído por uma emboscada semelhante à da primeira vítima, sendo convidada para a casa do menor, onde encontrou três pessoas.

— A vítima relata o mesmo modus operandi. Ela já tinha ficado com o menor, confiou nele e ele a atraiu para o imóvel, que era do Mattheus — detalhou o delegado Lages.

No depoimento, o jovem contornou que foi para o quarto com o menor, enquanto os outros dois homens ficaram satisfeitos na sala. Durante o encontro, os adultos batiam na porta. Segundo o documento policial, o menor perguntou se os amigos poderiam entrar, alegando que um deles pagaria o transporte para que ela voltasse para casa, tentando coagi-la a permitir a entrada. Em seguida, o adolescente teria tirado a roupa da vítima "contra sua vontade" e iniciado o abuso.

A jovem relatou ainda que os demais homens abaixaram as calças, e Matheus teria dado uma tapa em seu rosto, ordenando que ela fizesse sexo oral. Ela afirmou que membros do grupo agrediram com tapas e socos nas costelas enquanto cometiam o estupro, episódio que durou cerca de uma hora e meia.

Durante todo o ocorrido, a vítima contornou ter chorado muito, enquanto os três homens "riam do que fizeram".

De acordo com a Polícia Civil, o episódio apresenta o mesmo modus operandi do caso investigado em Copacabana, inclusive na forma como as vítimas foram atraídas. Os elementos reunidos fortaleceram, segundo o pesquisador, a necessidade de uma nova análise sobre a situação do adolescente.