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Prefeitura do Rio declara padaria Rio-Lisboa patrimônio imaterial em meio à especulação imobiliária
Fundada em 1943 por imigrantes portugueses, padaria mantém-se no mesmo endereço do Leblon há mais de 80 anos
A tradicional Confeitaria Rio-Lisboa, localizada no Leblon, foi reconhecida como patrimônio cultural de natureza imaterial do Rio de Janeiro por meio de decreto publicado nesta quinta-feira pelo prefeito Eduardo Paes. A decisão ocorre em meio à pressão do mercado imobiliário sobre o terreno ocupado pela padaria há mais de oito décadas, que pode ser vendido para a construção de um empreendimento residencial.
O decreto municipal nº 57.651 destaca a relevância cultural do estabelecimento, fundado em 1943 por imigrantes portugueses e desde então instalado no mesmo endereço, na Avenida Ataulfo de Paiva. Segundo a prefeitura, os negócios tradicionais como a Rio-Lisboa integram o “referencial cultural” da cidade e preservam “diferentes modos de fazer, habitar e viver o cotidiano do Rio”.
De acordo com a legislação municipal, o reconhecimento como patrimônio imaterial tem validade inicial de dez anos, podendo ser renovado após avaliação do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural. O título pode ser revogado caso o estabelecimento perca as características que motivaram o reconhecimento ou encerrar suas atividades.
Após a publicação do decreto, o prefeito Eduardo Paes se manifestou nas redes sociais, ressaltando que a medida busca garantir a permanência da padaria no bairro. "A Rio-Lisboa fica! Ponto final! Essa é só a primeira medida para preservá-la!", afirmou o prefeito.
Disputa
A decisão ocorre no momento em que o imóvel da padaria desperta grande interesse do setor imobiliário. O terreno, com 280 m² numa das áreas mais valorizadas da Zona Sul, estaria sendo disputado por construtoras e investidores, com previsões que apontam valores na casa das coleções de milhões de reais.
A possível venda do espaço gera incertezas quanto ao futuro da Rio-Lisboa, famosa pelo funcionamento 24 horas e pela preservação de elementos tradicionais de arquitetura e atendimento. Frequentada por moradores do Leblon, trabalhadores da madrugada e gerações de clientes fiéis, a oferta se consolida como um ponto de encontro emblemático do bairro.
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