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Madrasta é condenada a 49 anos por envenenar enteada e tentar matar o irmão dela

Defesa de Cíntia Mariano Dias Cabral afirma que vai recorrer da decisão judicial

Agência O Globo - 05/03/2026
Madrasta é condenada a 49 anos por envenenar enteada e tentar matar o irmão dela
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Cíntia Mariano Dias Cabral foi condenada a 49 anos de prisão, em regime fechado, pelo assassinato da enteada Fernanda Cabral, de 22 anos, e pela tentativa de homicídio contra o irmão do jovem, Bruno Cabral, ambos envenenados com chumbinho. O julgamento ocorreu no III Tribunal do Júri do Rio de Janeiro e durou cerca de 15 horas. Os seis advogados que compõem a defesa de Cíntia já anunciaram que irão recorrer à sentença. As informações são do Bom Dia Rio, da TV Globo .

Envenenamento e tentativa de homicídio

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), em 15 de março de 2022, Cíntia adicionou veneno à comida servida a Fernanda. A jovem passou mal logo após a refeição, foi hospitalizada e faleceu após 13 dias internada. Dois meses depois, em maio, Cíntia utilizou o mesmo método ao servir um alimento contaminado para o enteado Bruno, então com 16 anos, que sobreviveu ao atentado.

Relatos de possíveis outras vítimas

No tribunal, os dois filhos biológicos de Cíntia afirmaram que outro enteado da acusada pode ter sido vítima de tentativa de homicídio anos antes. Eles contaram que, quando eram crianças e Cíntia estava em outro relacionamento, o então enteado dela, também criança, foi hospitalizado após ingerir um medicamento suspeito. O caso passou despercebido à época, mas, após os episódios recentes, o pai das crianças lembrou que o líquido ingerido tinha cheiro semelhante ao de querosene.

— Meu pai falou que, completou, ela tinha dado querosene ao meu irmão, de outro relacionamento dele. Na época, ele tinha 5 ou 6 anos e precisou ser hospitalizado — incidente Lucas Mariano Rodrigues.

Confissões e tentativas de manipulação

Lucas também afirmou que a mãe admitiu ter matado Fernanda e tentado matar Bruno. Segundo ele, após uma noite de conversa, Cíntia teria confessado os crimes à polícia, mas, na delegacia, tentou incriminá-lo para evitar a prisão.

Carla Mariano Rodrigues, outra filha biológica da acusada, também narrou o episódio do querosene, a confissão da mãe sobre os casos de Fernanda e Bruno, e revelou outro suposto crime. Ela relatou que, aos 12 anos, foi orientada por Cíntia a mentir sobre um suposto sequestro.

— Os bandidos entraram pela primeira vez na casa do meu pai e roubaram alguns itens. Ela então foi me buscar e, no caminho, disse que eu precisava passar em sua casa. Eu estava com medo, mas ela insistiu. Assim que subiram o morro, os bandidos já estavam nos esperando. Ela me deixou lá e foi embora. Depois de um tempo, voltei para me buscar. Ela me fez contar ao meu pai que os bandidos nos abordaram em um sinal, a caminho da casa dela — relata Carla, que só revelou a verdade ao pai durante audiência em 2024.