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Estupro em Copacabana: para delegado, adolescente envolvido no caso 'é a mente por trás disso tudo
Os impactos se agravam quando os alvos são pessoas em formação, caso da adolescente de 17 anos vítima de um estupro coletivo em Copacabana
Os quatro acusados de estupro coletivo de um adolescente de 17 anos, em Copacabana, estão presos preventivamente. Os últimos dois réus ainda foragidos foram apresentados ontem à polícia. Por volta das 11h, Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, chegou à 12ª DP (Copacabana) acompanhado de um advogado. Cerca de duas horas depois, foi a vez de Bruno Felipe dos Santos Allegretti, também de 18 anos, entregar-se na 54ª DP (Belford Roxo), na Baixada Fluminense. O quinto participante, menor como vítima, não teve a sua apreensão autorizada. De acordo com o delegado Angelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), há acusações de que o menor, que mantinha relacionamento anterior com a vítima, teria desempenhado papel central na trama que levou ao crime.
Sessenta minutos de violência:
'É uma assist de morte':
— A gente representou pela busca e apreensão (do menor), até por entender que ele é a mente por trás disso tudo. Ele que tinha a confiança das vítimas, ele que já teve o relacionamento anterior com essas vítimas, uma de 14 anos, a outra de 17 anos. O promotor opinou pela não apreensão, e a gente está aguardando a decisão da Justiça, que ainda não se pronunciou — explicou Lages, fazendo menção a outro crime de estupro que teria sido agressão pelo mesmo grupo em agosto de 2023. — Em relação a essa nova vítima, a gente precisa trabalhar. O fato foi em 2023, e vamos tentar trazer provas para, e se necessário, representar novamente pela busca e apreensão do menor — concluído.
O pedido para apreender o suspeito foi enviado na segunda-feira passada, e o promotor Carlos Marcelo Messenberg, da 1ª Promotoria da Infância e da Juventude Infracional da capital, manifestou-se contrário à medida. Em nota, o Ministério Público do Rio (MPRJ) disse que representou para que o adolescente “responda por ato infracional analógico ao crime investigado, não tendo sido solicitado, naquele momento, pedido de internação provisória” e que “eventuais medidas cautelares podem ser requeridas no decorrer da investigação”.
Além dos dois casos, a polícia apura ainda uma terceira denúncia de violência sexual ligada, ao menos em parte, aos próprios acusados. Esse outro crime, também com uma adolescente como vítima, teria ocorrido em outubro do ano passado durante uma festa.
O delegado lamentou ainda o fato de não ter recebido autorização para apreender os celulares e outros aparelhos eletrônicos usados pelos acusados. Segundo ele, é comum que crimes desse tipo envolvam registros em vídeo e troca de mensagens antes e depois dos fatos. A polícia queria acessar eventualmente imagens e conversas que pudessem indicar combinação prévia de encontro e soluções após o crime.
— É muito comum que, nesse tipo de crime, eles façam filmagens. A gente queria ter acesso a essas imagens e às conversas porque provavelmente combinamos antes e podemos ter trocadas mensagens depois do ocorrido — afirmou.
Os quatro presos foram encaminhados para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica. Ao ser transferido, ontem, Vitor Hugo Simonin foi alvo de xingamentos por parte de curiosos que estavam na porta da 12ª DP. O grupo de manifestantes chegou a cercar o carro onde ele foi prorrogado e teve que ser detido por policiais que escoltavam o acusado. O advogado Ângelo Máximo, que representa Simonin, negou a participação do rapaz no crime e classificou como precipitada a acusação contra seu cliente.
— O que a defesa afirma, por enquanto, é que se trata de uma acusação precipitada. Não foi dado, até agora, o direito de defesa ao Vitor. Ele poderia ter tido a oportunidade de se manifestar antes do pedido de prisão preventiva, mas a autoridade policial não optou por garantir esse direito. Ele está sendo execrado publicamente, sem ampla defesa e sem presunção de inocência a seu favor — disse o advogado.
Sobre a alegação da defesa, o delegado Angelo Lages afirmou não havia sentido em tomar o depoimento dos suspeitos anteriormente:
— Eu não tinha necessidade de eles, uma vez que ouvimos provas de que naquele apartamento aconteceu esse crime brutal.
Após a repercussão do caso, o pai de Vitor Hugo, o advogado José Carlos Costa Simonin, que ocupava cargo de subsecretário de Governança, Compliance e Gestão na Secretaria estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, teve sua exoneração publicada no Diário Oficial do estado de ontem.
Dezcântaro por dia
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), apurados pelo GLOBO, mostram que no primeiro semestre do ano passado, 1.870 crianças e adolescentes foram vítimas de estupro ou tentativa de estupro no Estado do Rio. O número equivale a dez vítimas por dia, em média, com idades entre 0 e 17 anos — a maioria (60%) parda ou preta. Os dados são os mais recentes disponíveis.
Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Petrópolis são os municípios que possuem mais registros. Na capital, os bairros com mais vítimas são Santa Cruz, Campo Grande, Bangu e Paciência, todos na Zona Oeste.
O levantamento revela também que, quando há relação identificada entre vítima e autor, os acusados com mais ocorrências são padrasto, pai, tio, vizinho e primo, nesta ordem. Além disso, dois terços dos casos (66%) dos estupros são crimes dentro de casa.
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