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Pais se mobilizam e pedem ampliação do debate de gênero nas escolas do Rio

Articulação começou após a repercussão de casos recentes de violência contra mulheres, como o estupro coletivo em Copacabana

Agência O Globo - 05/03/2026
Pais se mobilizam e pedem ampliação do debate de gênero nas escolas do Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Pais e responsáveis ​​de adolescentes cariocas estão se mobilizando nas redes sociais e organizando abaixo-assinados para que as escolas do Rio de Janeiro reforcem uma abordagem do debate de gênero em seus currículos. O movimento ganhou força após a grande repercussão dos recentes casos de violência contra mulheres, como o estupro coletivo em Copacabana, no qual quatro jovens e um adolescente foram acusados ​​de crime. Outro caso semelhante foi registrado na Baixada Fluminense, com quatro suspeitos ainda foragidos.

Mobilização nas partes

Pais de pelo menos três escolas — Andrews, Edem e Sá Pereira — estão colhendo assinaturas em plataformas online para apoiar o tema. Os textos que fundamentam os abaixo-assinados destacam que a educação das crianças começa em casa, mas ressaltam o papel fundamental dos colégios como espaços de diálogo e apoio pedagógico.

Segundo os pais, as escolas já desenvolvem trabalhos voltados ao combate à violência de gênero em seus projetos pedagógicos, mas há espaço para intensificar os debates.

"Acreditamos que o letramento de gênero é uma ferramenta essencial para formar cidadãos mais conscientes, empáticos e responsáveis. Falar sobre respeito, consentimento, igualdade e diversidade desde cedo é investir em relações mais saudáveis ​​e em uma sociedade menos violenta", afirma um trecho dos textos.

Posicionamento das instituições

O Colégio Andrews informou que sempre "se comprometeu em promover um ambiente educativo que valorize o aprender a conviver, o respeito mútuo e o cuidado com o outro" e que "a temática de gênero já integra nossas práticas pedagógicas, sendo tratada com seriedade, responsabilidade e alinhamento aos valores institucionais."

A escola Edem destacou que as questões de gênero fazem parte do currículo, sendo trabalhadas em diversas disciplinas e também em dinâmicas conduzidas por psicólogas. O colégio afirmou que irá intensificar as ações, revisitando as relações de gênero em cada faixa etária, da Educação Infantil ao Ensino Médio. Em nota, acrescentou que já está prevista uma ação para a próxima segunda-feira, “com o objetivo de marcar os dados de Luta das Mulheres e abordar as relações de gênero no Brasil e na escola”.

Já a escola Sá Pereira ressaltou que essas questões já são tratadas em seus projetos e no cotidiano escolar, e afirmou acreditar "que a educação se fortalece quando a escola e os responsáveis ​​caminham juntos na construção de ambientes seguros". O colégio acrescentou que "será uma honra seguir ampliando espaços de conversa e reflexão conjunta".