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Bruno Allegretti se entrega em Belford Roxo após dias foragido por estupro coletivo de adolescente em Copacabana

Bruno é estudante do curso de Bacharelado em Ciências Ambientais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e foi afastado por 120 dias pela instituição

Agência O Globo - 04/03/2026
Bruno Allegretti se entrega em Belford Roxo após dias foragido por estupro coletivo de adolescente em Copacabana
Bruno Allegretti se entrega em Belford Roxo após dias foragido por estupro coletivo de adolescente em Copacabana - Foto: Reprodução

Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, se entregou nesta quarta-feira na 54ª DP (Belford Roxo) no início da tarde desta quarta-feira. Ele é o último dos acusados ​​de estupro coletivo contra um adolescente de 17 anos a se apresentar à polícia.

Entenda o caso

A investigação que começou com o estupro coletivo de um adolescente de 17 anos, em um apartamento em Copacabana, ganhou novas frentes. A Polícia Civil do Rio agora apurou três casos distintos de violência sexual ligados, ao menos em parte, ao mesmo grupo de jovens da Zona Sul. A revelação da terceira denúncia foi feita pelo delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana). Segundo ele, trata-se de uma vítima menor de idade, aluna do Colégio Pedro II, que relatou ter sido abusada em outubro do ano passado, durante uma festa organizada pela escola.

— Um dos casos já teve registro de ocorrência, no qual um adolescente relatou ter sido vítima de abuso por três homens. Dois deles eram do grupo identificado no caso de Copacabana. O terceiro suspeito ainda não se sabe se integra esse mesmo grupo. Agora, outra vítima procurou a delegacia para registrar o caso. Evidentemente, a investigação ainda está em estágio inicial, e é de extrema cautela. Vamos trabalhar de forma técnica para apurar a conduta de cada um. Portanto, é necessário reunir provas para subsidiar a investigação — pontuou o delegado Angelo Lages, titular da 12ª DP.

No depoimento prestado na delegacia, um jovem de 17 anos que sofreu um estupro coletivo no dia 31 de janeiro, em Copacabana, detalhou uma série de agressões físicas durante o episódio. No inquérito da Polícia Civil do Rio, ela afirmou que, após a entrada dos outros rapazes no quarto, passou a levar tapas e socos em diferentes partes do corpo. Ao concluir a investigação, a 12ª DP (Copacabana) indiciou Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho por violação forçada em concurso de pessoas.

Em depoimento, a vítima relatou que, em determinado momento dentro do apartamento, foi segurada pelos cabelos e orientada a praticar atos contra a própria vontade. Também relatou que o menor de idade que a encontrou para o apartamento lhe deu uma rampa na região abdominal e que os outros quatro envolveram a impedirem de deixar o quarto quando manifestaram intenção de ir embora, fechando a porta do cômodo.

Ainda conforme o depoimento, as agressões continuaram mesmo após ela afirmar que estava "cansada" e pedir para que parassem. Segundo a adolescência, o menor de idade chegou a questionar se a mãe dela a via sem roupas, e disse que ela "não podia vê-la assim porque estava com o corpo marcado e até sangrando".

Ao sair do apartamento, um adolescente invejou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Em seguida, procurou a avó, com quem mora, e foi até a delegacia registradora ocorrência.

O exame de corpo de delito anexado ao inquérito aponta a presença de múltiplas lesões, incluindo equimoses e escoriações na região dorsal e nas laterais do corpo, além de marcas na região glútea. O laudo também registra sangramento e descrições compatíveis com violência física recente.

Com base nos depoimentos, nas imagens e nos laudos periciais, a autoridade policial concluiu pelo indiciamento dos quatro jovens por estupro com concurso de pessoas. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, que decidiu sobre o oferecimento de denúncia.

Segunda

A segunda vítima que a polícia relatou sofreu o abuso em agosto de 2023. Na época, ela tinha 14 anos. Em depoimento à polícia, a mãe da jovem contou que o crime foi cometido por três homens, sendo dois deles já identificados no caso de Copacabana: o menor de idade que não teve sua identidade revelada e Mattheus Martins, de 19 anos. De acordo com o relato, a menina foi atraída para uma emboscada, assim como a outra vítima. Ela foi convidada para ir até a casa do menor e, ao chegar lá, tinha três pessoas na casa.

— A vítima relata o mesmo modus operandi. Ela já tinha ficado com o menor, confiou nele e ele a atraiu para o imóvel, que era do Mattheus — detalhes do delegado.

Em depoimento, ela contou que foi para o quarto com o menor e os outros dois homens ficaram na sala. Enquanto ela beijava o adolescente, os outros homens batiam na porta. De acordo com o documento da polícia, o menor perguntou à vítima se os amigos puderam entrar e alegou que um deles pagaria o carro de aplicativo para ela voltar para casa depois, com o objetivo de coagi-la a abrir a porta. Depois disso, o menor teria tirado a roupa da vítima "contra sua vontade" e iniciado o abuso.

O relato da jovem afirma que os demais homens abaixaram a calça e que Matheus teria dado um tapa no rosto da vítima e ordenado que ela fizesse sexo oral. Ela ainda afirmou que membros do grupo bateram em seu rosto e deram socos em suas costelas enquanto cometiam o estupro. Ela contou que o episódio durou cerca de 1h30.

No depoimento, ela contou que chorou bastante durante todo o ocorrido e que os três "riam do que fizeram".

Já o terceiro caso envolve outra adolescente, que afirmou ter sido violentada durante uma festa escolar na Zona Sul, em outubro do ano passado. Conforme destacado Lages, a acusação, neste ponto, envolve apenas Vitor Hugo.

Terceira vítima

A terceira jovem que fugiu à polícia foi ouvida pelos agentes na terça-feira. Ela acusou Vitor Hugo Oliveira Simonin de ter abusado sexualmente dela numa festa de alunos do Colégio Pedro II, num salão de festas no Humaitá, em outubro de 2025. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Possibilidade de novas vítimas

Durante a entrevista, o delegado afirmou que a polícia trabalha com a possibilidade de surgirem outros relatos. As investigações sobre os novos episódios estão na fase inicial. A polícia afirma que busca individualizar a conduta de cada investigado em cada caso.

"Nesse curto espaço de tempo, já apareceram duas outras vítimas. Há relatos em redes sociais da existência de mais vítimas. A gente conta fortemente com essa possibilidade de que outras meninas que foram vítimas desse grupo, ou de um deles, compareçam à delegacia para trazer o relato do que aconteceu", disse o delegado, durante o programa Encontro com Patrícia Poeta, da TV Globo.