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Estupro em Copacabana: acusado do crime teria abusado de outra adolescente durante festa junina na Zona Sul do Rio

Mattheus Veríssimo Zoel Martins, de 19 anos, e João Gabriel Xavier Bertho, da mesma idade, se entregaram à polícia

Agência O Globo - 04/03/2026
Estupro em Copacabana: acusado do crime teria abusado de outra adolescente durante festa junina na Zona Sul do Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Após o estupro coletivo de um adolescente de 17 anos no final da semana, duas acusações contra parte do mesmo grupo chegaram à 12ª DP (Copacabana) nos últimos dias. Uma mãe contou à polícia que sua filha, então com 14 anos, foi abusada sexualmente em 2023 por três homens — dois deles envolvidos no caso mais recente. Outro jovem de 17 anos compareceu ontem à delegacia e relatou que foi violentada por Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, na festa de um colégio da Zona Sul, em outubro do ano passado. Vitor Hugo está foragido — ele é um dos quatro réus que teve prisão decretada na sexta-feira. Dois deles foram entregues ontem.

Sessenta minutos de violência:

Violência sexual:

— Evidentemente, a investigação (dos novos casos) ainda está em estágio inicial, e é preciso cautela. Vamos trabalhar de forma técnica para apurar a conduta de cada um. Portanto, é necessário reunir provas para subsidiar a investigação — explicou o delegado Angelo Lages, titular da 12ª DP.

Dois foram para presídio

Mattheus Veríssimo Zoel Martins, de 19 anos, foi apresentado à delegacia de Copacabana com um advogado e teve o mandado de prisão cumprido. Já no início da tarde, João Gabriel Xavier Bertho, da mesma idade, se entregou na 10ª DP (Botafogo). Os dois não quiseram prestar depoimento e foram transferidos para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte. Também é réu por estupro moderno — por a vítima ser menor de idade — e cárcere privado Bruno Felipe dos Santos Allegretti, que está foragido assim como Vitor Hugo.

Um quinto jovem apontado pela polícia como envolvido na violência sexual tem 17 anos; a Vara da Infância e Juventude ainda não se pronunciou sobre o que vai acontecer com ele. O menor, de acordo com as investigações, foi quem atraiu a vítima para o apartamento onde ocorreu o estupro. Os dois já tiveram um relacionamento.

Foi esse rapaz que, segundo o relatório da polícia, enviou uma mensagem por WhatsApp para a vítima, por volta das 18h do dia 31 de janeiro, convidando-a para ir ao imóvel em Copacabana. Ele teria comentado que outros dois amigos iriam se encontrar com eles e sugeriu que ela levasse uma amiga. A jovem respondeu que não tinha ninguém para levar e acabou indo sozinha.

Os dois foram encontrados na portaria do prédio e, no elevador, ela ouviu a insinuação de que fariam “algo diferente”. Ela deixou claro que não gostava da ideia e não a aprovaria. Mas, quando os dois estavam tendo relação no quarto, os quatro maiores de idade entraram. A partir daí, foram momentos de terror, com agressões e violência sexual, segundo o depoimento do adolescente à polícia.

— É muito importante fazer como fez essa vítima. Ela teve uma atitude calorosa: saiu de lá (local do crime), designado para o irmão, procurou a mãe, conversou. Vieram à delegacia, confiaram no trabalho da Polícia Civil. Só assim a gente pode responsabilizar esses criminosos — disse o delegado Lages ao RJ1, da TV Globo.

O mesmo rapaz acusado de ter atraído a vítima em Copacabana é apontado como um dos que abusaram de uma jovem de 14 anos em agosto de 2023. A mãe dela esteve anteontem na delegacia. Segundo ela, Mattheus Martins, de 19 anos, acusado de estupro coletivo, também abusou de sua filha. O terceiro suspeito não foi identificado. De acordo com o relato, a menina foi igualmente atraída para uma emboscada. Ela foi convidada para ir até a casa do menor e, ao chegar lá, tinha três pessoas na casa.

— A vítima relata o mesmo modus operandi. Ela já tinha ficado com o menor, confiou nele, e ele a atraiu para o imóvel, que era do Mattheus — detalhes do delegado Lages.

O relato de uma mãe

Em depoimento, a mãe disse que a filha foi para o quarto com o menor, e os outros dois homens ficaram na sala. Enquanto ela beijava o adolescente, os outros batiam na porta. De acordo com o relato feito à polícia, o menor perguntou à vítima se os amigos poderiam entrar e alegou que um deles pagaria o carro de aplicativo para ela voltar para casa depois. Depois disso, o menor teria tirado a roupa da vítima “contra sua vontade” e iniciado o abuso.

A mãe contou que Mattheus deu um tapa no rosto da jovem e tentou que ela fizesse sexo oral. Ela ainda afirmou que membros do grupo deram socos nas costelas da filha. Segundo o depoimento, a vítima chorou bastante durante todo o episódio, que durou cerca de uma hora e meia, e que os três “riam do que fizeram”. Ela disse que só agora, após o estupro coletivo em Copacabana, a filha tomou coragem de revelar o que aconteceu.

A polícia também vai investigar uma denúncia feita por outro jovem contra Vitor Hugo Oliveira Simonin. Ele é filho de José Carlos Simonin, que foi exonerado ontem do cargo de subsecretário de Governança, Compliance e Gestão da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio. O pedido foi feito pela própria secretária Rosangela Gomes. De acordo com a massa, a medida foi adotada com o intuito de “resguardar a integridade institucional e garantir a condução responsável dos fatos noticiados”. Em nota, a secretaria afirmou ainda que mantém o compromisso com a “dignidade humana e a preservação da vida”.

A Polícia Federal informou à 12ª DP que Vitor Hugo e Bruno Felipe não deixaram o país oficialmente. Segundo o delegado Lages, os advogados dos jovens afirmaram que eles vão se entregar à polícia.

A defesa de João Gabriel Bertho afirma que ele não cometeu estupro; os advogados dos demais interessados ​​não foram encontrados.

*Estagiária sob a supervisão de Leila Youssef