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'Só quero que eles paguem', diz mãe de vítima de estupro coletivo em Copacabana

Polícia Civil recebe relatos informais sobre possíveis outras vítimas do mesmo grupo acusado do crime

Agência O Globo - 02/03/2026
'Só quero que eles paguem', diz mãe de vítima de estupro coletivo em Copacabana
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

A mãe da adolescente vítima de estupro coletivo em Copacabana, Zona Sul do Rio, pediu justiça e a condenação dos cinco acusados pelo crime. Em entrevista ao RJ2, da TV Globo, ela destacou a coragem da filha ao denunciar o grupo:

— Quando ela suspendeu o vestido até aparecer a nádega, fiquei desesperada. Só peguei os documentos e disse: 'Vamos para a delegacia'. Minha filha foi muito corajosa, tanto que reconheceu esses meliantes. Através desse reconhecimento, outras vítimas podem surgir. Eu só quero que eles paguem — afirmou.

Investigações e novos relatos

A investigação do estupro coletivo, ocorrido em janeiro, pode ter novos desdobramentos. A Polícia Civil informou que recebeu relatos informais, principalmente pelas redes sociais, sobre possíveis outras vítimas do mesmo grupo. Segundo o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), ainda não há registros formais, mas a delegacia aguarda que eventuais vítimas se apresentem.

De acordo com Lages, a confirmação de novos casos pode alterar o rumo das investigações, que já resultaram na prisão preventiva de quatro jovens maiores de idade por estupro com concurso de pessoas. A Justiça ainda não se manifestou sobre o jovem de 17 anos, ex-namorado da vítima. O delegado informou também que dois dos investigados têm antecedentes por rixa, relacionados a brigas.

Exame comprova lesões

Os quatro réus são Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin (ambos de 18 anos), João Gabriel Bertho Xavier e Matheus Veríssimo Zoel Martins (ambos de 19 anos). O crime ocorreu na noite de 31 de janeiro, quando um menor de 17 anos, ex-namorado da vítima, atraiu a adolescente para um encontro amoroso em um apartamento na Rua Viveiros de Castro. Durante a relação sexual no quarto, os outros homens entraram e cometeram o crime.

Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, cerca de uma hora depois, a saída deles do condomínio.

Após o crime, a adolescente procurou a 12ª DP para registrar o caso. O exame de corpo de delito confirmou lesões compatíveis com violência física em partes íntimas. A defesa de João Gabriel Xavier Bertho negou o estupro, alegando que há imagens da jovem se despedindo com um sorriso e um abraço. João Gabriel, atleta do Serrano Football Club, foi afastado do clube após a acusação. Os demais não foram localizados para comentar.

Colégio Pedro II afasta acusados

A Reitoria do Colégio Pedro II e a direção do campus Humaitá II comunicaram o início do processo de desligamento dos alunos envolvidos. "Não podemos tolerar a barbárie brutal da violência de gênero vivenciada a cada hora em nosso país. Unidos na indignação, nos solidarizamos com todas as mulheres de nossa comunidade. Porque a dor de uma de nós é a dor de todas nós", diz a nota da instituição.

Conversa por mensagem com ex-namorado

O menor de 17 anos também está sendo procurado, com identidade preservada. Sua conduta será apurada pela Vara da Infância e da Adolescência. Segundo as investigações, ele teria convidado a ex-namorada para um encontro no apartamento de um amigo. A jovem chegou a sugerir levar uma amiga, mas acabou indo sozinha. As conversas mostram a combinação do encontro e os horários em que ela avisou que estava chegando.

A investigação aponta que o menor a recebeu na portaria e, no elevador, mencionou que outros amigos participariam do encontro, proposta que a adolescente não consentiu.

No sábado, a Polícia Civil realizou a operação "Não é Não" para prender os acusados, mas nenhum deles foi encontrado. Todos são considerados foragidos da Justiça.