RJ em Foco
Colégio Pedro II afasta alunos réus por estupro coletivo em Copacabana
Quatro homens e um menor de idade estão sendo procurados como suspeitos de cometer o crime
A Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do Campus Humaitá II informaram que iniciaram o processo de desligamento dos quatro estudantes denunciados por estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Os denunciados são Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, além de João Gabriel Bertho Xavier e Matheus Veríssimo Zoel Martins, os dois de 19. Eles respondem por estupro com concurso de pessoas e são considerados foragidos da Justiça.
Em nota divulgada à comunidade escolar, a instituição afirmou que, assim que foi notificada sobre o caso, adotou as medidas cabíveis, incluindo o acolhimento à família da vítima, “mantendo o devido sigilo conforme requisição das autoridades competentes”.
“Estamos todos indignados com o ocorrido e seguimos com os procedimentos para continuidade de processo iniciado pela gestão do campus, em conjunto com a Reitoria e sob orientação da procuradoria federal para desligamento dos estudantes”, informou o colégio.
A instituição também declarou que repudia qualquer forma de violência e reforçou seu compromisso no combate ao assédio, à violência de gênero e a toda forma de discriminação.
“Somos uma instituição que educa para o exercício pleno da cidadania. Nosso compromisso pedagógico e político objetiva a formação de uma juventude capaz de respeitar as diferenças, lutar contra as desigualdades sociais e repudiar a violência”, diz outro trecho da nota.
Ainda segundo o comunicado, a direção do campus Humaitá II e a Reitoria manifestaram solidariedade às mulheres da comunidade escolar. “Não podemos tolerar a barbárie brutal da violência de gênero vivenciada a cada hora em nosso país. Unidos na indignação, nos solidarizamos com todas as mulheres de nossa comunidade. Porque a dor de uma de nós é a dor de todas nós.”
O caso
A Polícia Civil do Rio procura quatro homens réus por estuprar uma adolescente de 17 anos em Copacabana, Zona Sul do Rio. Trata-se de Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, João Gabriel Bertho Xavier e Matheus Veríssimo Zoel Martins, os dois de 19. O crime aconteceu na noite do dia 31 de janeiro, quando um menor de 17 anos atraiu a adolescente, que seria sua ex-namorada, para um encontro amoroso num apartamento na Rua Viveiros de Castro. Quando eles estavam tendo uma relação dentro do quarto, os outros homens entraram no cômodo e praticaram o crime.
Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, uma hora depois, a saída deles do condomínio. Segundo a Polícia Civil, após o crime, a adolescente procurou a 12ª DP (Copacabana) para fazer o Registro de Ocorrência. O delegado Ângelo Lages, que conduz o inquérito, detalhou como a vítima chegou à unidade de polícia.
O exame de corpo de delito feito na vítima identificou lesões relacionadas à violência física, como ferimentos na área genital, sangue no canal vaginal e hematomas nas costas e nos glúteos.
Após a Polícia Civil indiciar os quatro homens pelo de crime de estupro com concurso de pessoas, eles foram denunciados pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) à Justiça, que os tornou réus e expediu um mandado de prisão preventiva contra eles na sexta-feira.
No sábado, a Polícia Civil fez uma operação, denominada "Não é Não", para prendê-los, mas nenhum deles foi encontrado. Eles são considerados foragidos da justiça. Trata-se de Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, João Gabriel Bertho Xavier e Matheus Veríssimo Zoel Martins, os dois de 19. Eles foram indiciados pelo de crime de estupro com concurso de pessoas.
O menor de 17 anos também está sendo procurado, mas teve sua identidade preservada. A apuração da sua conduta ficará a cargo da Vara da Infância e da Adolescência.
'Emboscada'
De acordo com as investigações, o menor, que já teve um relacionamento com a vítima entre 2023 e 2024, enviou uma mensagem a ela fazendo um convite para um encontro no apartamento de um amigo dele. E fez um pedido: que ela levasse uma amiga, mas ela afirmou não ter quem levar e foi sozinha. Ele, então, a recepcionou na portaria do prédio e, no elevador, comentou que havia outros amigos no imóvel e insinuou que eles também participariam do momento entre os dois, proposta que ela diz ter rejeitado.
Em depoimento, a vítima contou que, ao chegar ao apartamento, ela foi levada para um quarto e, durante a relação sexual entre ela e o ex-namorado, os quatro rapazes teriam adentrado o local, ficaram nus, passaram a tocá-la e a beijá-la à força. Em seguida, a obrigaram a fazer sexo oral. Ela tentou sair do quarto, mas foi impedida. A adolescente relatou ainda que sofreu penetração dos quatro sendo agredida com socos, tapas e chupes na região abdominal.
Segundo Lages, o crime de estupro praticado neste caso é qualificado pelo fato de a vítima ser menor de 18 anos, e há aumento de pena por ter sido praticado de forma coletiva. Os suspeitos podem ter que cumprir até 20 anos de prisão. De acordo com o delegado, o apartamento onde o crime aconteceu pertence ao pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos réus, e estava vazio, porque é utilizado apenas para aluguel por temporada.
O que diz a defesa
A defesa de João Gabriel Xavier Bertho negou a ocorrência de estupro. Segundo Rafael De Piro, advogado do foragido, duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feito anteriormente.
"Há nos autos do processo mensagens de texto trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Informa ainda que ele jamais foi aluno do Colégio Pedro II. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação", diz a nota.
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