RJ em Foco
Castro nega loteamento apontado pela PF e defende governo de coalizão
Governador rebate relatório da Polícia Federal que aponta divisão de cargos em autarquias estaduais
O governador Cláudio Castro, durante a inauguração de uma base da Operação Segurança Presente em Duque de Caxias, contestou as conclusões do relatório da Polícia Federal que indicam o loteamento de cargos em órgãos do Executivo estadual. Segundo Castro, a composição do governo segue a lógica de uma coalizão partidária, prática semelhante à adotada no governo federal.
Questionado sobre uma possível perda de controle nas nomeações ou conhecimento das indicações citadas na investigação, Castro negou qualquer irregularidade e comparou a estrutura do Estado à do governo federal.
— Essa é a maneira de eu fazer política — afirmou, ressaltando que seu governo é formado por diferentes partidos, assim como ocorre em Brasília. — Eu queria que o mesmo delegado federal fizesse a mesma coisa no Governo Federal. Ele vai ver três ministérios do MDB, cinco do PT, outros do Solidariedade, outros do PSDB.
A investigação da PF, que resultou no indiciamento do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, cita uma planilha que detalha a divisão de cargos entre deputados aliados em órgãos como Ceperj, Fundação Leão XIII, Lei Seca e o próprio Segurança Presente.
De acordo com o relatório, sob a gestão de Bacellar, a Alerj teria “potencializado sua influência na tomada de decisões que estariam inseridas no rol de prerrogativas do Governador do Estado”. A PF também menciona uma anotação com a expressão “cargos para compensar o Ceperj”.
Ao ser questionado sobre eventual perda de controle do Executivo, Castro foi categórico:
— Não tem isso de perder o controle, são 460 mil servidores. É impossível o governador saber de todas as questões agora.
O governador também criticou a atuação do delegado responsável pelo relatório e afirmou ver “politização” na condução da investigação. “Tenho certeza, aliás, que há uma politização desse delegado”, declarou, acrescentando que o investigador estaria “completamente instrumentalizado”.
— Ele (delegado da PF responsável pela investigação) coloca isso como uma forma de desgastar o governo. O governo sempre foi de coalizão, com participação dos partidos, exatamente como é o Governo Federal — concluiu Castro.
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