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Caso Marielle: imprensa internacional destaca condenação dos irmãos Brazão e expõe vínculos entre crime e política no Rio

Veículos estrangeiros classificam o homicídio como um dos mais impactantes da história do estado e ressaltam o 'submundo da política' carioca

Agência O Globo - 25/02/2026
Caso Marielle: imprensa internacional destaca condenação dos irmãos Brazão e expõe vínculos entre crime e política no Rio
Caso Marielle: imprensa internacional destaca condenação dos irmãos Brazão e expõe vínculos entre crime e política no Rio - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A condenação dos irmãos Brazão pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, teve ampla repercussão na imprensa internacional nesta quarta-feira. O julgamento, realizado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), resultou na condenação unânime de Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e João Francisco ("Chiquinho") Brazão, ex-deputado federal. Ambos foram considerados culpados por planejar o homicídio de Marielle e Anderson, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, em março de 2018.

O jornal britânico The Guardian descreveu o crime como "um dos assassinatos mais chocantes e de maior repercussão na história do Rio e que atraiu atenção internacional".

"O caso também é amplamente visto por especialistas em segurança e ativistas de direitos humanos como um exemplo alarmante de como os laços entre política, crime e polícia estão profundamente enraizados no Rio, atingindo até mesmo os mais altos escalões da administração pública", destacou o veículo.

Já o espanhol El País ressaltou que o caso Marielle "contém todos os elementos de um thriller televisivo, abriu uma janela para o submundo fétido da política municipal e estadual do Rio de Janeiro — um reino onde, por décadas, o crime organizado manteve laços estreitos com políticos e forças de segurança para fazer negócios, garantir redutos eleitorais e assegurar a impunidade".

Segundo o jornal, "os irmãos, agora condenados, lideravam um grupo paramilitar — termo usado no Rio para máfias compostas por policiais que, nas horas vagas, atuavam em atividades criminosas, especializando-se em extorsão e esquemas imobiliários. A confissão do pistoleiro que disparou o gatilho foi crucial para identificar e punir os mentores do crime. Os juízes afirmaram que a maior parte de seu depoimento foi corroborada por documentos e depoimentos de testemunhas".