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STF retoma julgamento do caso Marielle com votos de ministros da Primeira Turma

No primeiro dia, advogados e a Procuradoria-Geral da República se posicionaram sobre a denúncia

Agência O Globo - 25/02/2026
STF retoma julgamento do caso Marielle com votos de ministros da Primeira Turma
STF retoma julgamento do caso Marielle com votos de ministros da Primeira Turma - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira o julgamento do caso Marielle Franco, com a leitura dos votos finais dos quatro ministros da Primeira Turma responsáveis por decidir o destino dos acusados de ordenar o assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes.

No dia anterior, a sessão foi marcada por oito horas e meia de debates entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e os advogados de defesa dos réus, que apresentaram suas argumentações.

O principal ponto de discussão foi a validade da delação premiada de Ronnie Lessa, assassino confesso da parlamentar, e do depoimento do miliciano Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando Curicica.

O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, pediu a condenação dos cinco réus, defendendo a importância do depoimento de Orlando Curicica e da colaboração de Ronnie Lessa.

— Orlando tornou-se, a exemplo de muitos que ajudaram a desvendar os meandros da organização criminosa, um arrependido, cujo testemunho provoca verdadeiro horror aos líderes dessas organizações, justamente por revelar suas estruturas, seus participantes, seus modos de atuação — afirmou Hindenburgo. — Não importa que ele seja miliciano. O que importa é a coerência no que ele diz.

O vice-procurador-geral também destacou a relevância das declarações de Lessa, ressaltando que diversas informações fornecidas por ele foram confirmadas durante as investigações.

Durante o tempo destinado à defesa, os advogados revezaram-se em discursos que classificaram os relatos que embasaram a acusação como “mentira”, “criação mental” e “quimera”, além de apontarem “absoluta desconexão” e “absoluto jejum acerca das provas do processo”.

— A delação de Lessa é criação mental. Ele tem uma virtude: é articulado, inteligente, escreve bem. O manuscrito que antecede a delação é concatenado, bem-feito, com ideias apuradas. Essa virtude ele tem. Nas respostas durante a instrução do julgamento, fugia das dificuldades, criando uma espécie de pausa estratégica no raciocínio para organizar o pensamento. Mas ela esbarra nos fatos. A delação deve ser o caminho para chegar à prova — argumentou Cleber Lopes de Oliveira, advogado do ex-deputado federal Chiquinho Brazão.

Chiquinho e seu irmão, Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), são acusados de serem os mandantes do crime e também respondem por tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle que estava no carro e ficou ferida por estilhaços no atentado, além de integrarem uma organização criminosa. Hindenburgo foi enfático ao afirmar que os irmãos Brazão atuaram ativamente na organização criminosa na Zona Sudoeste do Rio:

— A organização criminosa composta pelos denunciados e por integrantes de milícias praticava de forma sistemática crimes como extorsão.