RJ em Foco
Caso Marielle: parentes dos réus e da vereadora dividem espaço no Supremo
Presenças de destaque incluíram o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e deputados federais do PSOL
No plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), famílias unidas por motivos distintos compartilharam o mesmo espaço no primeiro dia do julgamento dos acusados de ordenar e planejar o assassinato da vereadora Marielle Franco. De um lado, estavam os parentes de Marielle; do outro, familiares dos réus. O deputado estadual Manoel Brazão (União), conhecido como Pedro Brazão, irmão de Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio (TCE-RJ), e de Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, ambos apontados como mandantes do crime, sentou-se na quarta fileira, oposta à dos familiares da vereadora.
Durante a sessão, Manoel Brazão permaneceu ao lado de Alice Brazão, esposa de Domingos, e dos filhos do casal. Enquanto o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, discursava, Manoel manteve a cabeça baixa, olhos fechados, e em momentos de emoção, segurou um escapulário e rezou. Durante a sustentação oral do advogado de Chiquinho, Cléber Lopes, Pedro Brazão chegou a chorar.
Após o intervalo, a esposa de Manoel, Denise, sentou-se ao seu lado e, em entrevista, declarou: “A pior coisa que tem é ser acusado por um crime que não cometeu. A família está definhando. Meu cunhado está literalmente definhando em um presídio de segurança máxima há dois anos.” Atualmente, Chiquinho está em prisão domiciliar, enquanto Domingos permanece em um presídio federal.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, comentou sobre a dor das famílias e rebateu a fala do advogado de defesa, que afirmou que a família Brazão estaria “sangrando”. “Comentei com a minha mãe na hora. Falei: ‘pelo menos a família dele sangra com o irmão dele vivo, com a pessoa viva. A gente nem essa chance teve’. Cheguei no lugar do crime e nem tive chance de levar minha irmã para o hospital”, relatou Anielle.
Frases ‘bizarras’
Anielle Franco também criticou declarações feitas durante as sustentações orais, classificando-as como “bizarras”: “É sempre o senso do descartável para mulheres desse país. O descartável por ela ser vereadora. A hora que falam que ela era de comunidade, com desdém. Ou quando tentam usar o próprio partido contra a Marielle. É uma maneira tão bizarra que fico pensando como minha mãe e meu pai aguentam isso. Sinto muito pela dor deles também. Assim como também não acho que nossa dor é comparável.”
Na plateia, junto de Anielle, estavam seus pais, Antonio Francisco da Silva Neto e Marinete da Silva, e a sobrinha Luyara Franco, filha de Marielle. Na primeira fileira também estavam Monica Benício, viúva da vereadora, e Ágatha Arnaus Reis, viúva de Anderson. Fernanda Chaves, ex-assessora de Marielle e sobrevivente do atentado, acompanhou a sessão logo atrás.
Entre as autoridades presentes, destacaram-se o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e os deputados federais Talíria Petrone, Fernanda Melchionna, Pastor Henrique Vieira, Tarcísio Motta e Chico Alencar, todos do PSOL. Marielle foi assessora de Freixo durante sua atuação como deputado estadual e presidente da CPI das Milícias. Durante a sessão, Freixo demonstrou discordância ao ter seu nome citado pelos advogados de Domingos Brazão.
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