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Julgamento do caso Marielle reúne familiares de réus e da vereadora no STF

Presentes no plenário incluíram o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e deputados federais do PSOL, como Talíria Petrone, Fernanda Melchionna, Pastor Henrique Vieira, Tarcísio Motta e Chico Alencar.

Agência O Globo - 25/02/2026
Julgamento do caso Marielle reúne familiares de réus e da vereadora no STF
Julgamento do caso Marielle reúne familiares de réus e da vereadora no STF - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Famílias movidas por diferentes razões estiveram reunidas no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira. Parentes de Marielle Franco e dos acusados de ordenar e planejar sua execução dividiram espaço no primeiro dia de julgamento dos réus. Na quarta fileira, do lado oposto ao dos familiares da vereadora, estava o deputado estadual do Rio Manoel Brazão (União), conhecido como Pedro Brazão.

Análise:

Motivação e ausência de provas

Manoel é irmão de Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), e de Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, ambos apontados como mandantes do assassinato. No início da sessão, Manoel permaneceu ao lado de Alice Brazão, esposa de Domingos, e dos filhos do casal.

Durante a fala do vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, o deputado manteve-se de cabeça baixa e olhos fechados. Em alguns momentos, manifestou-se discretamente, balançando a cabeça em sinal negativo. Em outros, segurou um escapulário e rezou. Durante a sustentação oral de Cléber Lopes, advogado de Chiquinho, Pedro chorou.

Após o intervalo, sua esposa Denise sentou-se ao seu lado. Em entrevista ao GLOBO, ela afirmou que “a pior coisa que existe é ser acusado por um crime que não cometeu”.

— A família está definhando. Meu cunhado está literalmente definhando em um presídio de segurança máxima há dois anos — declarou.

Chiquinho cumpre prisão domiciliar, enquanto Domingos permanece em um presídio federal.

À reportagem, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, comentou uma das falas do advogado Cléber Lopes, que afirmou que a família Brazão estaria “sangrando”.

— Comentei com minha mãe na hora. Falei: “Pelo menos a família dele sangra com o irmão vivo, com a pessoa viva. Nós nem essa chance tivemos”. Cheguei ao local do crime e nem tive a oportunidade de levar minha irmã ao hospital — relatou Anielle.

Frases consideradas ‘bizarras’

A ministra também classificou como “bizarras” algumas frases ditas durante as sustentações orais:

— É sempre o senso do descartável para mulheres deste país. O descartável por ela ser vereadora. Quando mencionam que ela era da comunidade, com desdém. Ou quando tentam usar o próprio partido contra Marielle. É uma maneira tão bizarra que fico pensando como minha mãe e meu pai suportam isso. Sinto muito pela dor deles também. Assim como não acho que nossa dor seja comparável.

No lado oposto do auditório, além de Anielle, estavam seus pais, Antonio Francisco da Silva Neto e Marinete da Silva, e a sobrinha, Luyara Franco, filha de Marielle. Na primeira fileira também estavam as viúvas da vereadora, Monica Benício, e de Anderson, Ágatha Arnaus Reis. Logo atrás, Fernanda Chaves, ex-assessora de Marielle, que sobreviveu ao atentado.

Também estiveram presentes o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, além dos deputados federais Talíria Petrone, Fernanda Melchionna, Pastor Henrique Vieira, Tarcísio Motta e Chico Alencar, todos do PSOL.

Marielle foi assessora de Freixo quando ele era deputado estadual e presidiu a CPI das Milícias. Durante a sessão, o atual presidente da Embratur demonstrou discordância ao ter seu nome citado por advogados de Domingos Brazão.