RJ em Foco
Tecnologia e segurança pública são tema de debate no Diálogos RJ
Evento gratuito discute, nesta terça-feira, o uso e os limites de ferramentas como IA e reconhecimento facial
O uso de inteligência artificial, reconhecimento facial e sistemas integrados de dados como ferramentas estratégicas na segurança pública será o foco da primeira edição do ano do Diálogos RJ, nesta terça-feira (24), às 9h30. O evento, promovido pelo Globo, é gratuito e aberto ao público, com o tema “Tecnologia na segurança pública: eficácia, controle e direitos”. A iniciativa vai reunir autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir resultados práticos, desafios técnicos e os limites éticos e legais do uso dessas tecnologias no estado.
A proposta do encontro é promover o diálogo entre gestores da área de segurança e estudiosos do direito digital, abordando tanto a efetividade das ferramentas quanto as garantias constitucionais envolvidas no uso de dados e no monitoramento em larga escala. As inscrições podem ser feitas pelo link.
O primeiro painel, “O uso de novas ferramentas no combate e na prevenção ao crime”, contará com a participação do diretor de Infraestruturas de Tecnologia do Centro Integrado de Comando e Controle da PM, major Agdan Fernandes; do coordenador do Disque Denúncia e presidente do Instituto MovRio, Renato Almeida; e do CEO e cofundador da empresa Gabriel, Erick Coser.
Na segunda mesa, “Como garantir direitos e privacidade da população”, estarão presentes o secretário de Segurança Pública, Victor César dos Santos; a porta-voz do programa de Telecomunicações e Direitos Digitais do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), Julia Abad; e o professor da FGV Direito Rio Luca Belli, coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da instituição. A mediação será de Rafael Soares, repórter dos jornais O Globo e EXTRA.
O secretário Victor dos Santos destaca que a tecnologia passou a ocupar papel central na política de segurança do estado. Segundo ele, a integração de bases estaduais e municipais por meio do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp) reduziu o tempo de resposta e facilitou a atuação conjunta das forças.
“Hoje trabalhamos com reconhecimento facial, leitura automática de placas, extração de dados com autorização judicial e sistemas integrados que cruzam informações em tempo real. A inteligência artificial transforma grandes volumes de dados em inteligência aplicada, orientando o policial na ponta e permitindo decisões mais rápidas e precisas. A tecnologia não substitui o policial, mas fortalece sua atuação, dá mais transparência ao serviço e aumenta a proteção ao cidadão”, afirma.
Avanços e regulação em debate
O major Agdan Fernandes apresentará dados sobre o impacto das ferramentas tecnológicas: “Em pouco mais de dois anos, o reconhecimento facial permitiu a prisão de cerca de 800 criminosos, a recuperação de mais de mil veículos e a localização de mais de 80 desaparecidos. As câmeras corporais também reduziram confrontos”, relata.
O professor Luca Belli ressalta que o avanço tecnológico deve ser acompanhado de regras claras: “O reconhecimento facial já é usado no Brasil, mas ainda não há lei específica para disciplinar seu uso na segurança pública. É preciso transparência no tratamento de dados biométricos, que são sensíveis. Segurança e direitos não são opostos”, defende.
O evento será realizado no auditório da Editora Globo, na Rua Marquês de Pombal, 25, Centro.
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