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Dois dias após determinação judicial, argentina investigada por gestos racistas segue sem tornozeleira eletrônica

Advogada e influenciadora digital, Agostina Páez, de 29 anos, está proibida de deixar o Brasil

Agência O Globo - 19/01/2026
Dois dias após determinação judicial, argentina investigada por gestos racistas segue sem tornozeleira eletrônica
Agostina Páez - Foto: Reprodução

A turista argentina , de 29 anos, não cumpriu a determinação judicial expedida no último sábado pela 11ª DP (Rocinha) de usar uma tornozeleira eletrônica, segundo policiais civis que investigam o caso. A informação foi confirmada ao GLOBO pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). A medida foi tomada no âmbito da investigação que apura se a estrangeira — advogada e influenciadora digital — cometeu ofensas e gestos racistas contra um atendente em um bar de Ipanema, na Zona Sul do Rio. Ela teria dito que não sabia que o gesto era crime no país e que se tratava de uma "brincadeira" direcionada às suas amigas.

Entenda:

Contexto:

Além da tornozeleira, a Justiça determinou a apreensão do passaporte da investigada. No entanto, como Agostina entrou no país utilizando apenas a carteira de identidade, a Polícia Federal foi acionada para impedir que ela deixe o Brasil com o documento.

Segundo o delegado Diego Salarini, titular da 11ª DP, a argentina tem até cinco dias úteis para colocar a tornozeleira. O inquérito, de acordo com a autoridade, deve ser concluído e enviado ao Ministério Público até quarta-feira. Hoje, ele ouviria novamente a vítima e o gerente do bar, que testemunhou o episódio.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, Agostina é flagrada chamando o funcionário de "mono" (macaco, em espanhol), e imitando o animal. Depois do ocorrido, na última quarta-feira, a vítima prestou queixa na delegacia e o ocorrido passou a ser investigado. Veja a seguir:

Em entrevista ao G1, Agostina disse que os atendentes fizeram gestos obscenos para ela e que tentaram a enganar. Ela ainda afirmou que não sabia que os gestos dela eram crime. "A verdade é que eles fizeram gestos obscenos para mim (…) e que tentaram me enganar. Mas eu nego categoricamente que os gestos ofensivos tenham sido dirigidos a eles”, argumentou a mulher.

De acordo com a reportagem, ela admitiu que errou ao fazer os gestos racistas. "Minha reação de fazer aqueles gestos para minhas amigas depois de ser provocado com gestos obscenos foi errada, mas eu nem sabia que eles estavam nos observando. Não sabia que era crime no Brasil", disse.

Quem é Agostina Páez?

Natural da província de Santiago del Estero, segundo o jornal argentino La Nacion, Agostina Páez é advogada e influenciadora digital. Ela possui milhares de seguidores em suas redes sociais, que atualmente estão privadas ou desativadas. Ela tem até 40 mil seguidores no Instagram e quase 80 mil no TikTok.

No entanto, seu nome ganhou notoriedade pública nos últimos meses na Argentina não apenas por sua presença nas redes sociais, mas também por um conflito legal ligado ao seu ambiente familiar: ela é filha de Mariano Páez, um empresário do ramo de transportes envolvido em casos de violência de gênero, segundo o site Info del Estero.

O empresário foi detido em 10 de novembro, acusado de agredir fisicamente e ameaçar sua ex-companheira, a advogada Estefanía Budan. Em 15 de dezembro, a Justiça ordenou sua libertação sob condições estritas, entre elas o uso de uma tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com a denunciante e regras de conduta cujo cumprimento é monitorado permanentemente. O processo judicial continua em fase de investigação.

Por sua vez, Agostina Páez apresentou uma queixa contra Estefanía, a quem acusou de assédio, difamação e violência digital, tanto a ela como em representação da sua irmã.

“Acabamos por ser também vítimas dela e, obviamente, das consequências dos atos do meu pai”, afirmou numa entrevista ao jornal El Liberal.

Segundo relatou na ocasião, as mensagens e publicações que motivaram sua ação judicial incluíam referências diretas à sua família. “A única coisa que pedi foi que ela não publicasse coisas com o nome da minha irmã, porque ela estuda”, afirmou. Ela também garantiu que Budan “dizia que meu pai batia na minha irmã” e que “falava da minha mãe falecida, dizendo que meu pai batia nela”.

A advogada esclareceu ainda que não testemunhou os episódios denunciados contra seu pai e ressaltou que sua ação judicial respondeu exclusivamente à sua situação pessoal. “Que culpa eu tenho pelo que meu pai faz? Eu não o defendo e que ele pague o que tiver que pagar”, disse ela.