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Condomínio no Cachambi volta a enfrentar apagões e moradores carregam idosos no colo

Prédio com quase 500 apartamentos ficou até 24 horas sem luz durante onda de calor; síndica registra ocorrência por negligência e moradores relatam prejuízos com aparelhos queimados e dificuldades para idosos

Agência O Globo - 19/01/2026
Condomínio no Cachambi volta a enfrentar apagões e moradores carregam idosos no colo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Moradores do Condomínio Nobre Norte Residencial, localizado na Avenida Dom Hélder Câmara, no Cachambi, Zona Norte do Rio, enfrentam dias de instabilidade no fornecimento de energia elétrica. O prédio, que reúne quase 500 apartamentos distribuídos em três blocos, ficou sem luz por até 24 horas em meio a uma onda de calor, agravando ainda mais a situação de vulnerabilidade dos residentes.

Segundo relatos, a concessionária Light desligou o fornecimento para realizar manutenção nos cabos da subestação do Cachambi, considerados obsoletos, e levou geradores ao local para suprir a demanda. No entanto, um dos equipamentos apresentou defeito, deixando o bloco 2 completamente sem energia, enquanto os blocos 1 e 3 tiveram o serviço parcialmente restabelecido ainda pela manhã.

O cenário, desde então, tornou-se de extrema instabilidade, com quedas sucessivas de luz e interrupções frequentes ao longo do dia e da noite. Moradores relatam prejuízos como aparelhos queimados, dificuldades para conservar alimentos e problemas graves de mobilidade, já que o edifício possui 14 andares e os elevadores ficaram fora de operação. Em diversos casos, idosos precisaram ser carregados no colo por familiares e vizinhos para conseguir acessar os apartamentos.

Polícia acionada e impasse com concessionárias

Diante da continuidade das falhas, a Light foi novamente acionada, mas, segundo a síndica Priscila Costa, a concessionária alegou não ser responsável pelo problema. A Polícia Militar esteve no local, mas limitou-se a mediar a situação entre a síndica e o supervisor da empresa responsável pelos geradores, sem conduzir os envolvidos de forma obrigatória.

De acordo com a síndica, o supervisor informou que teria sido emitido um ofício para a troca do gerador com defeito, mas não apresentou qualquer documento. Diante da falta de soluções, a síndica registrou ocorrência por negligência tanto da Light quanto da empresa dos geradores.

“Diversos moradores relatando aparelhos queimados. Idosos sendo carregados no colo por não ter elevador. Hoje a polícia foi chamada e disse que nada pode fazer”, relatou Renato Machado, morador do condomínio.

Enquanto a ocorrência era registrada, o delegado tentou contato com o supervisor da empresa de geradores, mas este não atendeu às ligações e teria abandonado o local, restando apenas um funcionário responsável pelo abastecimento do equipamento.

Em mensagem aos moradores, a síndica declarou: “Estou agora no condomínio, preciso que façam novamente um mutirão de contato com a Light. Irei apresentar o boletim de ocorrência, relatar formalmente abandono da empresa e solicitar, ao menos, a retirada imediata do gerador do Bloco 2”. Diversos protocolos foram abertos junto à concessionária, sem que houvesse uma solução definitiva.

Crise energética se arrasta

A situação reflete o cenário descrito pela própria Light, que reconheceu o estresse do sistema elétrico do Grande Méier devido às ondas de calor e à obra de substituição de cabos de alta tensão, prevista para ser concluída até maio. Como medida emergencial, a empresa acionou um plano de contingência com geradores, que, segundo a concessionária, estavam concentrados na subestação. O caso do condomínio, contudo, expõe o impacto da instalação desses equipamentos diretamente em prédios residenciais, com funcionamento instável e sem prazo definido para retirada.