RJ em Foco
Entre anúncios e recuos: confira o que avança e o que trava em projetos para o Rio no ano eleitoral
O GLOBO analisou 35 obras e iniciativas de governos e concessionárias, com avanços, atrasos e projetos ainda sem prazo
Se as promessas — algumas recicladas — de autoridades e empresas se confirmarem, este ano a Lagoa de Marapendi será interligada à estação do metrô Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca; a Maré começará a receber saneamento básico; o teleférico do Alemão voltará a funcionar após nove anos parado; e a Guarda Municipal armada estreará nas ruas do Rio. Destravar a escolha do novo concessionário dos trens suburbanos também figura na lista de metas para 2026.
Valorização:
'Zona Sul' do Reviver Centro:
Num ano eleitoral, o ritmo dos projetos pode ser influenciado pelo calendário político. O prefeito Eduardo Paes deve desembarcar na campanha para o governo do estado até abril, deixando a prefeitura sob o comando do vice e xará, Eduardo Cavaliere. O governador Cláudio Castro, por sua vez, mantém o suspense sobre a desincompatibilização para disputar o Senado.
Mas não há como escapar a atrasos que marcam algumas intervenções. Em compasso lento, a reforma da Leopoldina não ficará pronta para as comemorações do centenário da estação, em novembro. A construção da Fábrica do Samba Rosa Magalhães, para alojar as 12 escolas da Série Ouro (grupo de acesso), também teve o cronograma revisto.
Em paralelo, planos capengam, sendo empurrados para os próximos anos, como o Praça Onze Maravilha. Já alguns, como a reurbanização dos complexos do Alemão e da Rocinha, estão sem prazo.
O GLOBO buscou informações sobre os principais projetos, para traçar um panorama do que está para acontecer. Entre os 35 pesquisados, são identificados por cores aqueles com grandes chances de deslanchar (verde), os que podem ser executados embora dependam de licitações ou outros fatores (amarelo) e os postergados ou de difícil implementação (vermelho).
URBANISMO: atrasos no cronograma e prazos indefinidos
Fábrica do Samba (amarelo)
O cronograma original do edital de licitação previa que todos os 14 galpões da Fábrica do Samba Rosa Magalhães, que alojarão as 12 escolas da Série Ouro do carnaval carioca ficassem prontos em meados deste ano. Ou seja, o carnaval de 2027 já seria preparado no novo endereço da Rua Francisco Eugênio, em parte do terreno da Estação da Leopoldina. Mas os prazos foram revistos e parte das escolas deve se mudar apenas em 2028.
— Priorizamos a conclusão de barracões das escolas que mais enfrentam problemas de infraestrutura — justificou o vice prefeito Eduardo Cavaliere.
Praça Onze Maravilha (amarelo)
Para implantar o projeto Praça Onze Maravilha, o objetivo da prefeitura é aprovar lei, encaminhada à Câmara de Vereadores no fim do ano passado, criando regras para a Operação Urbana que financiará o projeto por meio de uma Parceria Público-Privada. A partir da aprovação do projeto será feita a modelagem da concessão. Ainda não está definido quando será lançada a licitação. Obras previstas, como a implosão do Elevado 31 de Março, a construção de biblioteca no Terreirão do Samba e a reurbanização do Catumbi ficarão para os próximos anos.
Estação da Leopoldina (amarelo)
O cronograma original, estabelecido em contrato de 2024, previa que a recuperação da Leopoldina seria concluída este ano a tempo de comemorar o centenário de inauguração da estação, em 6 de novembro. Contudo, a obra sofreu paralisações no ano passado e segue em ritmo lento. Agora, Cavaliere indica que a obra só será concluída em 2028.
Enchentes do Rio Acari (amarelo)
Após anos de promessas, a previsão é iniciar este semestre a primeira fase das obras para combater as enchentes do Rio Acari, reduzindo alagamentos em bairros como Acari, Fazenda Botafogo e Jardim América. Os recursos, cerca de R$ 430 milhões, virão de um empréstimo da Caixa Econômica Federal, como parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As primeiras intervenções, orçadas em R$ 58,3 milhões, terão dois anos de duração.
Complexos de favelas (vermelho)
A reurbanização do Complexo do Alemão e da Rocinha, com empréstimo de mais de R$ 300 milhões autorizado pela Câmara do Rio, ainda não tem prazo definido pela prefeitura.
Novo estádio do Flamengo (amarelo)
Em julho de 2024, o rubro-negro arrematou, em leilão da prefeitura, por cerca de R$ 138 milhões, terreno de 86 mil metros quadrados no Gasômetro, em São Cristóvão. Na ocasião, foi informado que as obras ficariam prontas em cinco anos. Contudo, um estudo encomendado à FGV, identificando que prazos e custos estavam subdimensionados, levou a nova diretoria do clube a refazer planos. O primeiro passo para o projeto poder sair do papel é a saída da Naturgy e a descontaminação do local, o que leva quatro anos. Agora, a meta anunciada pelo Flamengo numa reunião com sócios em dezembro é lançar o empreendimento em 15 de novembro de 2029, data de aniversário do clube, e concluí-lo até 2036. Até agora, o que foi apresentado é um estudo preliminar de arquitetura e engenharia da futura sede.
Novo Canecão (amarelo)
Mais de 15 anos depois do fechamento da casa de espetáculos, as obras de construção do Novo Canecão devem começar efetivamente este ano, segundo a UFRJ. A previsão é de que a casa seja inaugurada até o fim de 2027. Em 2025, foram realizadas algumas intervenções, entre elas a demolição do prédio antigo.
Mobilidade: tentativas de pisar no acelerador
BRT Metropolitano (amarelo)
A prefeitura construiu um novo terminal no Trevo das Margaridas, em Irajá. E tem intenção de iniciar, este ano, a racionalização de linhas intermunicipais que interligam a Baixada ao Centro e à Barra, com o serviço feito por articulados. Mas estado e município precisam se acertar. Apesar de a secretária estadual de Transportes, Priscila Sakalem, lembrar que as linha são intermunicipais e afirmar que nenhum acordo operacional foi fechado, Cavaliere diz que há entendimentos com municípios da Baixada.
Teleférico do Alemão (amarelo)
O equipamento está parado há 9 anos, e sua reativação tem enfrentado atrasos e promessas. Conforme a Secretaria estadual de Transportes, após o término das intervenções físicas em execução, estimado para o primeiro semestre, serão feitos testes operacionais — que durarão até 90 dias —, para que a Central Logística assuma a operação.
Transporte nas lagoas (amarelo)
Ligações aquaviárias para melhorar o ir e vir na Barra e em Jacarepaguá têm sido anunciadas nos últimos anos pela prefeitura. Ao renovar a promessa, o município assinou contrato com a AquaviaRio. A concessionária tem 36 meses para implantar oito linhas. Um dos responsáveis pelo empreendimento, Carlos Favoretto diz que a primeira linha — entre a Lagoa de Marapendi e o Jardim Oceânico — será inaugurada em outubro.
Ligação entre aeroportos (vermelho)
Anunciada em 2023, a ligação por barcas entre os aeroportos Santos Dumont e Galeão não tem data para ser implantada. As tentativas de licitar o serviço não encontraram interessados.
Trens suburbanos (amarelo)
Adiado pelo menos duas vezes, o leilão dos ativos da SuperVia, em recuperação judicial, foi remarcado para o próximo dia 27. Após o resultado, haverá uma fase de transição de 90 dias, em que a atual concessionária e o novo operador trabalharão em parceria.
Saneamento: como ficam a água e o esgoto em favelas e no asfalto
Esgoto na Maré (verde)
O presidente da concessionária Águas do Rio, Anselmo Leal, anuncia investimentos de R$ 540 milhões em 2026 na capital, dos quais R$ 65 milhões são destinados a obras de esgoto no Complexo da Maré, onde estão previstas a implantação de 18 quilômetros de redes (1,7 km em becos), além da instalação de um coletor em tempo seco, um tronco de 4,6 quilômetros. Para perfurar esse túnel de mais de quatro quilômetros, será usado um equipamento conhecido como tatuzinho, com dois metros de diâmetro.
— Iniciamos as obras na Maré no fim de 2025. Serão 24 meses de obras. Nossa expectativa é de, no final de 2026, é já ter uma profunda mudança no meio ambiente da Maré – afirma Leal
Reservatório de Jacarepaguá (verde)
A Iguá, concessionária que atua na Zona Sudoeste do Rio, cita investimentos de mais de R$ 300 milhões em 2026. Entre as principais obras, está o novo reservatório de Jacarepaguá — com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2026 —, que comporta 20 milhões de litros e deve ampliar em 66% a capacidade total de armazenamento de água da concessionária da região.
— Esse reservatório tem uma importância estratégica. Com as paradas do Guandu (em geral, para manutenção) locais de fim de linha, como Recreio e Jardim Oceânico, levamos muito tempo para repor — explica Leonardo Soares, diretor de Relações Institucionais da Iguá.
Redes em comunidades (amarelo)
Entre os investimentos da Iguá, está prevista a implantação de redes coletora de esgoto e de abastecimento de água em favelas. Leonardo Soares destaca, contudo, a dificuldade de fazer obras e manutenção em comunidades:
— Tem lugar que veículo pesado não entra. Temos ainda as resistências, por conta da presença do poder paralelo. Precisamos de licença social operacional. O que temos feito é identificar lideranças, que são pessoas naturais da localidade. Buscamos o diálogo com elas, explicando o benefício das nossas intervenções. Buscamos também gerar qualificação e contratação de mão de obra local, para, a partir daí, começar a ter licença para operar na localidade.
Água na Zona Oeste (verde)
A Rio+Saneamento cita investimentos totais de R$ 360 milhões, em 2026. Na capital, onde atua na distribuição de água na Zona Oeste, parte dos recursos será aplicada na construção de adutoras em Santa Cruz e Guaratiba, áreas com problema histórico de falta d'água. Ainda no primeiro semestre, está prevista a conclusão de obras de substituição e de extensão de redes de água na região.
Segurança: monitoramento e ações contra delitos e facções
Guarda armada (verde)
Segundo Eduardo Cavaliere, a tropa da Guarda Municipal armada estará nas ruas até o fim do primeiro trimestre. Ao todo, 610 agentes foram selecionados para um curso de treinamento ministrado pela Polícia Rodoviária Federal. Os agentes vão se concentrar em áreas de grande movimento onde são mais frequentes pequenos delitos, como furtos a transeuntes, entre elas o Centro e a Zona Sul. Eles não vão atuar em incursões em comunidades.
Monitoramento por câmeras (verde)
A promessa é que o sistema de videomonitoramento da prefeitura voltado para a segurança (Civitas) será acelerado este ano. O total de câmeras inteligentes será ampliado de 3 mil para 8,5 mil, sem contar 7 mil câmeras comuns e radares de trânsito que já são empregados na vigilância da cidade.
Combate ao crime organizado (verde)
O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, não descarta outras operações, como a que ocorreu no Complexo do Alemão. Já o plano de retomada de territórios controlados pelo crime organizado deve ter como um dos focos principais a região de Jacarepaguá. A estratégia de desmontar barricadas montadas pelo tráfico também será mantida. Os efetivos devem ser reforçados este ano com a formação de 500 soldados.
SAÚDE: à espera de novas unidades e terapia com cães
Fábrica de vacinas (vermelho)
O Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (Cibs), da Fundação Oswaldo Cruz, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, deveria estar operando desde 2023. Contudo, a construção do Cibs — projetado para produzir 120 milhões de frascos de vacinas e biofármacos por ano, o que representa quatro vezes a capacidade da Fiocruz — está empacada. O projeto é marcado por falta de recursos e impasses. Cerca de R$ 1,2 bilhão já foi gasto em obras e equipamentos, que estão encaixotados. Hoje, o terreno, de 580 mil metros quadrados, serve de pasto para gado. Nele, há o alicerce de 46 prédios. Segundo a Fiocruz, neste momento, estão sendo feitos estudos técnicos para elaborar o edital de uma Parceria Público-Privada (PPP) e definir prazos. Está prevista uma consulta pública no terceiro trimestre deste ano.
Novos hospitais de oncologia (amarelo)
A Secretaria estadual de Saúde planeja inaugurar no primeiro trimestre deste ano dois hospitais especializados em oncologia. As obras do Hospital de Oncologia de Nova Friburgo começaram em 2012, mas foram paralisadas em 2016 — enfrentando embargos entre outros problemas —, sendo retomadas em junho de 2022. Já o Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense (Onco Baixada), em Nova Iguaçu, teve obras iniciadas em fevereiro de 2024. Segundo a pasta, juntas, as unidades custaram R$ 165 milhões e estão projetadas para fazer 8,5 mil atendimentos ambulatoriais por mês. Os processos de compra de equipamentos e de contratação de pessoal para os dois hospitais, no entanto, ainda estão em andamento.
Projeto Cãonexão (verde)
Este mês, a Secretaria estadual de Saúde inicia o projeto terapêutico Cãonexão, usando cães para facilitar o tratamento de pacientes, inclusive hospitalizados, em unidades da rede. O piloto contará com oito cães voluntários, no Centro Estadual de Diagnóstico para o Transtorno do Espectro Autista (Cedtea), na Gávea, e o Hospital Estadual Anchieta. Foi realizado um cadastro dos animais em que o tutor tinha interesse em participar do projeto de forma voluntária. Depois, os cachorros, calmos e socializados — a maioria da raça golden retriever — passaram por avaliação veterinária e com adestradora voluntária.
OUTROS PROJETOS: circulação e nova destinação para áreas esquecidas
VLT na Zona Sul (vermelho)
Em 2024, Eduardo Paes anunciou a nova linha. Hoje, a prioridade é a conversão de corredores de BRT em VLT.
Bonde até o Silvestre (verde)
As obras físicas para reabrir o trecho foram concluídas. Estão sendo feitos testes operacionais para retomar a exploração nas próximas semanas.
Estação Gávea do metrô (verde)
Com a retirada da água do buraco, as obras, paralisadas há nove anos, foram retomadas em 2025. A principal intervenção este ano será a escavação de um túnel de 60 metros de extensão.
Licitação dos ônibus municipais (amarelo)
Após dois adiamentos, a prefeitura reagendou para 6 fevereiro a licitação das primeiras linhas. Mas o processo só termina em 2028.
Licitação dos intermunicipais (amarelo)
As discussões se arrastam desde 2015. Em dezembro de 2024, o Detro concluiu a minuta de um edital, ainda analisado pelos órgãos de controle.
Revitalização do Jardim de Alah (verde)
Após a liberação da Justiça, as obras começaram em 2025. Para este mês, estão previstas intervenções mais complexas.
Rua da Carioca (verde)
Transformada em Rua da Cerveja, a previsão é de que as obras de reurbanização sejam concluídas este ano.
Moinho Fluminense (amarelo)
Após várias propostas, a atual proprietária do prédio, na Zona Portuária, quer lançar um megaprojeto em abril.
Concessão do Parque Olímpico (amarelo)
A licitação está programada para 3 de fevereiro. O vencedor ficará responsável pelo complexo por 20 anos.
Parque Temático Imagine (amarelo)
Previstas na área onde é realizado o Rock in Rio, as obras estão condicionadas à posse definitiva do imóvel.
Novo Supercentro de Saúde (verde)
Nos moldes da existente em Triagem, uma unidade na Zona Oeste será aberta até o fim deste semestre, assegura Cavaliere.
Nova subida da Serra das Araras (verde)
A concessionária prevê a conclusão da duplicação da pista de subida até 2027, dois anos antes do previsto.
Nova subida da Serra de Petrópolis (vermelho)
Paralisadas há quase dez anos, as obras não têm data para serem retomadas.
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