Política

Até o PL de Flávio, além de União Brasil, PSD, MDB, Republicanos e Podemos reconhecem vitória de Lula; partidos se distanciam de candidato derrotado

Legendas partidárias reconhecem resultado proclamado pelo TSE; manifestações das principais legendas de centro e centro-direita ampliam isolamento de bolsonaristas

Redação 26/10/2026
Até o PL de Flávio, além de União Brasil, PSD, MDB, Republicanos e Podemos reconhecem vitória de Lula; partidos se distanciam de candidato derrotado
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, reconheceu a vitória de Lula, acompanhando manifestações de União Brasil, PSD, MDB, Republicanos, Podemos e outras legendas. O posicionamento contrasta e isola Flávio Bolsonaro

A reação dos principais partidos brasileiros à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou, nesta segunda-feira (26), uma divergência entre o posicionamento institucional das legendas e a contestação inicialmente anunciada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais.

O próprio Partido Liberal, presidido por Valdemar Costa Neto, reconheceu a vitória de Lula, acompanhando manifestações de União Brasil, PSD, MDB, Republicanos, Podemos e outras legendas que defenderam o respeito ao resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O reconhecimento por parte do PL ganhou relevância porque ocorreu depois de Flávio Bolsonaro anunciar, na noite de domingo (25), que não aceitaria o resultado e que pretendia recorrer à Justiça para pedir a anulação do segundo turno.

A diferença de posicionamentos evidencia o debate interno entre dirigentes e aliados do candidato derrotado sobre os caminhos políticos e jurídicos a serem adotados após a eleição.

Valdemar Costa Neto reconhece vitória, mas mantém questionamentos

Em manifestação divulgada nesta segunda-feira, Valdemar Costa Neto afirmou que o Partido Liberal respeita o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

O dirigente, entretanto, defendeu esclarecimentos sobre a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação até as 19 horas nas seções eleitorais que ainda permaneciam abertas.
A medida havia sido adotada após denúncias de dificuldades no transporte de eleitores em diferentes estados.

Embora tenha reconhecido a vitória de Lula, Valdemar manteve críticas a aspectos do processo eleitoral e a medidas adotadas pelo governo federal durante a campanha.

A manifestação representa uma distinção entre reconhecer o resultado anunciado pela Justiça Eleitoral e defender a apuração de possíveis irregularidades.

União Brasil reconhece soberania popular

Entre os partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno, o União Brasil também reconheceu a reeleição de Lula.

Em nota assinada pelo presidente nacional, Antonio Rueda, a legenda afirmou que o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral deve ser respeitado.

O partido destacou que a manifestação da soberania popular constitui fundamento da democracia brasileira e defendeu o diálogo político após o encerramento da disputa.

O reconhecimento ocorreu apesar do apoio declarado pela legenda à candidatura de Flávio Bolsonaro durante a campanha.

PSD de Kassab parabeniza Lula e Alckmin

O Partido Social Democrático (PSD), presidido por Gilberto Kassab, também divulgou manifestação reconhecendo a vitória presidencial.

Kassab parabenizou Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin e afirmou que a legenda pretende manter uma relação institucional com o governo federal.

Entre as áreas mencionadas pelo dirigente estão o equilíbrio fiscal, a redução das desigualdades sociais e a criação de condições para investimentos e geração de empregos.

O pronunciamento não representa adesão automática do PSD à base governista, mas sinaliza disposição para discutir propostas e manter canais de diálogo.

MDB destaca legitimidade democrática

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB), presidido nacionalmente por Baleia Rossi, reconheceu a vitória de Lula e ressaltou a legitimidade constitucional do processo eleitoral.

A legenda afirmou que a vontade popular se manifestou nas urnas e desejou que o presidente reeleito governe em benefício de todos os brasileiros.

Durante o segundo turno, diferentes lideranças e diretórios estaduais do MDB adotaram posições distintas.

O reconhecimento nacional do resultado, portanto, não significa que todas as correntes internas tenham participado da campanha de Lula.


Republicanos defende respeito ao resultado e diálogo


O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, também reconheceu a reeleição.

O dirigente afirmou que o novo mandato traz a responsabilidade de governar para todos os brasileiros, incluindo os eleitores que escolheram Flávio Bolsonaro.

O Republicanos esteve entre as legendas que apoiaram o candidato do PL no segundo turno.

Sua manifestação após o resultado reforça a distinção entre a preferência eleitoral de um partido e o reconhecimento da decisão dos eleitores.

Podemos reconhece resultado e anuncia independência

O Podemos, comandado nacionalmente pela deputada Renata Abreu, também parabenizou Lula pela reeleição.

A legenda afirmou que continuará atuando de maneira independente no Congresso Nacional, avaliando as propostas conforme suas posições partidárias.

O partido havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro durante o segundo turno.

Ao reconhecer o resultado, o Podemos destacou a necessidade de responsabilidade institucional e de respeito à decisão das urnas.


PSDB também reconhece a reeleição


O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), presidido por Aécio Neves, divulgou nota reconhecendo a escolha dos eleitores brasileiros.

A legenda, que manteve neutralidade formal durante o segundo turno, desejou êxito ao presidente reeleito e afirmou que continuará exercendo seu papel político, inclusive com críticas ao governo quando considerar necessário.

A manifestação acrescentou mais uma legenda ao conjunto de partidos que reconheceram publicamente o resultado presidencial.

Flávio Bolsonaro muda estratégia após contestação inicial

Na noite de domingo, Flávio Bolsonaro afirmou que não reconheceria o resultado da eleição e anunciou a intenção de pedir sua anulação.

A declaração ocorreu após o encerramento de um segundo turno marcado pela decisão excepcional de prorrogação do horário de votação.

Ao longo desta segunda-feira, entretanto, o debate dentro do PL passou a considerar outras possibilidades de contestação judicial.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Flávio passou a discutir uma ação relacionada a suposto abuso de poder econômico, em vez de insistir na anulação da votação.

Em manifestação posterior, o senador também afirmou que pretende liderar a oposição ao novo governo Lula.

A apresentação de eventuais ações judiciais dependerá de fundamentação específica e análise pelas autoridades competentes.

Reconhecimento não significa apoio ao governo

Embora os pronunciamentos tenham significado institucional, é importante distinguir o reconhecimento do resultado eleitoral da formação de uma aliança governista.

União Brasil, PSD, MDB, Republicanos, Podemos e PSDB possuem posições políticas distintas e bancadas com interesses próprios no Congresso Nacional.

O fato de seus dirigentes reconhecerem a reeleição de Lula não representa compromisso automático de apoiar o Executivo em todas as votações.

A formação de maiorias parlamentares continuará dependendo de negociações políticas e da avaliação das propostas apresentadas pelo governo.

Resultado das urnas confirma quarto mandato de Lula

O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a reeleição de Lula com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.

Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.

A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.

O resultado assegurou a Lula seu quarto mandato presidencial, que terá início em janeiro de 2027.

A sucessão de manifestações partidárias nesta segunda-feira marca o começo de uma nova etapa da política brasileira, na qual o reconhecimento institucional da eleição convive com divergências sobre as medidas do governo e eventuais questionamentos judiciais.

O fato central é que o próprio PL e importantes legendas que apoiaram Flávio Bolsonaro reconheceram a vitória de Lula, enquanto o candidato derrotado passou a discutir os caminhos de sua atuação política e jurídica após o segundo turno.