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Lula ou Flávio Bolsonaro: como foi a votação dos brasileiros na Rússia?
Neste domingo (25), milhares de brasileiros escolhem entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro para a chefia do Executivo pelos próximos quatro anos. Além dos votos no Brasil, eleitores no exterior também exerceram seu direito. Na Rússia, o único local de votação disponível é a Embaixada do Brasil, em Moscou.
Assim como no primeiro turno, a Sputnik Brasil acompanhou a votação no local e conversou com o embaixador brasileiro na Federação da Rússia, Sérgio Rodrigues. Na ocasião, ele fez um balanço do pleito inicial e explicou o processo de organização para transformar a embaixada em uma seção eleitoral.
"Fizemos todos os preparativos para o segundo turno da mesma maneira que para o primeiro, em coordenação com o Tribunal Superior Eleitoral e o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, responsável pela zona eleitoral do exterior. As funções da nossa equipe, montada para organizar as eleições na Embaixada de Moscou, são no sentido de organizar o fluxo dos eleitores", disse.
Segundo dados do setor consular, embora a comunidade brasileira na Rússia seja estimada em cerca de 600 pessoas, apenas 256 eleitores estão registrados para votar em Moscou. Desse total, 85 compareceram às urnas no primeiro turno. O embaixador explicou o processo de apuração dos votos e como os dados são enviados a Brasília.
"Uma vez terminado o horário da votação, a equipe de mesários se converte automaticamente em junta apuradora. A porta da sessão deve ser mantida aberta durante esse processo. Os votos são contados manualmente e nós rompemos o lacre da urna de lona. Em seguida, terminada a contagem, é preenchido um boletim de urna no exterior, um formulário específico", comentou.
O chefe da missão diplomática também contou à reportagem o funcionamento da votação dentro da embaixada. Excepcionalmente, o escrutínio está sendo realizado por meio de cédulas de papel, diferentemente do sistema eletrônico tradicional adotado em todas as demais zonas eleitorais brasileiras.
"O que aconteceu é que a votação aqui na Rússia é realizada com cédula de papel porque, por razões de entraves no transporte internacional, a urna eletrônica não chegou a tempo. Mas estava prevista a realização da eleição aqui com urna eletrônica. Então, diante dessa circunstância, tivemos que organizar, já desde o primeiro turno, a eleição com a urna de lona", explicou.
Brasileiros votam pelo futuro da nação em Moscou
Como a Embaixada do Brasil em Moscou é a única seção eleitoral no país, muitos brasileiros viajam de outras cidades para votar. Foi o caso do gaúcho Marcelo Granada, mestrando na Universidade Nikolai Chernyshevsky, em Saratov, que fez questão de enfatizar a importância do voto.
"Eu acho que é um ato muito importante o voto, mostrar o seu posicionamento, votar, ainda mais neste momento que o Brasil passa. Então, é muito importante dar o seu voto, mesmo os brasileiros que moram no exterior. Eu viajei quase mil quilômetros para estar aqui", destacou.
Outro cidadão brasileiro que viajou de longe apenas para exercer o direito ao voto foi o mineiro Adriano Rabelo, professor de Estudos Brasileiros na Universidade Federal de Kazan. Ele revelou que, após conversar com compatriotas que moram na Rússia, acredita em uma participação eleitoral maior neste pleito.
"Eu mesmo não pude vir no primeiro turno porque moro a 800 quilômetros de Moscou e, como não era um turno decisivo, envolvia muitos gastos. Mas agora não havia como não vir. E eu percebo essa movimentação por parte de outros brasileiros, vindo para cumprir o seu dever e votar neste momento que é fundamental da nossa história", observou.
Quem vota fora tenta incentivar o eleitorado no Brasil
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33.469.244 cidadãos brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno, realizado no último dia 4 de outubro. Um índice de abstenção considerado alto. Para o baiano Antonio Kakau, morador de Moscou, o engajamento dos eleitores no exterior pode servir de exemplo e motivar os compatriotas em solo nacional a exercerem o direito ao voto.
"Eu acho que o ato de a gente estar morando fora, no estrangeiro, sair para votar incentiva muita gente. Tanto quem está no Brasil quanto os que estão fora. Quem está no exterior também depende do presidente. Então, o voto é muito importante", concluiu.
Ainda de acordo com o TSE, 918.876 eleitores brasileiros estão aptos a votar no exterior. Desse montante, 330.882 brasileiros votaram no primeiro turno, e Lula (PT) venceu no exterior com 47,57% dos votos válidos, o que corresponde a 157.387 votos nominais. Já o candidato Flávio Bolsonaro (PL) ficou na segunda colocação fora do país, registrando 43,49% da preferência, o equivalente a 143.900 votos.
Na seção eleitoral de Moscou, o primeiro turno terminou com a vitória de Lula, que recebeu 49 votos (60,49%). O senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 25 votos (30,86%), seguido por Rui Costa Pimenta (PCO), com 3 votos (3,70%). Já Ronaldo Caiado (PCO) e Zema (Novo) registraram a mesma votação, com 2 votos (2,47%) cada um.
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