Política

Quase 3 milhões a menos de ausentes: queda da abstenção marcou virada eleitoral de Lula no segundo turno

Comparecimento cresceu na votação decisiva e ausência de eleitores caiu de 21,08% para 19,22%; dados mostram mudança importante em relação ao primeiro turno

Redação 26/10/2026
Quase 3 milhões a menos de ausentes: queda da abstenção marcou virada eleitoral de Lula no segundo turno
Eleitor compareceu em massa no segundo turno para derrubar a extrema-direita

Um dos acontecimentos mais relevantes das eleições presidenciais de 2026 não foi apenas a mudança na liderança da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Foi também a redução expressiva do número de brasileiros que deixaram de comparecer às urnas.

Dados consolidados da Justiça Eleitoral mostram que a abstenção passou de 21,08% no primeiro turno para 19,22% no segundo, realizado em 25 de outubro.

Em números absolutos, aproximadamente 33,4 milhões de eleitores não participaram da primeira votação.

No segundo turno, esse contingente caiu para cerca de 30,5 milhões.

A diferença representa quase 3 milhões de ausentes a menos.

Uma eleição marcada pelo esforço de mobilização

A redução da abstenção ocorreu após três semanas de campanha em que o comparecimento dos eleitores esteve entre os temas centrais das estratégias dos candidatos.

A campanha de Lula buscou mobilizar eleitores que haviam deixado de votar no primeiro turno, enquanto a candidatura de Flávio Bolsonaro também realizou ações destinadas a ampliar a participação de seus apoiadores.

A disputa contou com manifestações de rua, conteúdos compartilhados pelas redes sociais e campanhas de comunicação voltadas à participação eleitoral.

Entre as iniciativas mais conhecidas esteve o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones, que alcançou 10 milhões de seguidores no WhatsApp.

Comparecimento contrariou tendência de eleições anteriores

O aumento da participação no segundo turno chamou atenção porque, historicamente, a abstenção costuma crescer entre as duas etapas das eleições brasileiras.

Em 2026, ocorreu o contrário.

Segundo os dados consolidados, o segundo turno registrou a menor taxa de abstenção em uma eleição presidencial desde 2006.

O comportamento do eleitorado representa uma mudança importante em relação à tendência observada em diversos pleitos anteriores.

Maior comparecimento e resultado presidencial

Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, mas conseguiu reverter o resultado na votação decisiva.

No segundo turno, o presidente foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.

Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.

A redução da abstenção integra o conjunto de fatores que precisam ser considerados para compreender o resultado.

Entretanto, não é possível atribuir automaticamente a diferença de comparecimento à vitória de um candidato.

O voto secreto impede identificar diretamente a preferência dos eleitores que haviam se abstido no primeiro turno e decidiram votar no segundo.

O significado dos números

A eleição de 2026 demonstrou que a participação eleitoral pode mudar significativamente entre dois turnos realizados com intervalo de apenas três semanas.

A redução de quase 3 milhões de ausentes evidencia a capacidade de mobilização do processo eleitoral e a importância do comparecimento na definição do resultado.

Além da disputa entre os candidatos, o aumento da participação se tornou um dos principais acontecimentos estatísticos da eleição presidencial.

O dado ajuda a explicar por que a análise do resultado não deve considerar apenas os percentuais dos candidatos, mas também o comportamento dos milhões de brasileiros que decidiram comparecer às urnas no segundo turno.