Política

De 50 mil a 10 milhões: como André Janones transformou o “Exército do Lula” em fenômeno digital nas eleições

Canal criado pelo deputado mineiro ganhou milhões de seguidores no WhatsApp, tornou-se uma das principais ferramentas de mobilização da campanha e revelou o peso da comunicação direta na disputa presidencial

Vladimir Barros 26/10/2026
De 50 mil a 10 milhões: como André Janones transformou o “Exército do Lula” em fenômeno digital nas eleições
De 50 mil a 10 milhões: como André Janones transformou o “Exército do Lula” em fenômeno digital nas eleições

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato presidencial colocou em evidência um dos fenômenos mais expressivos da comunicação política de 2026: o crescimento do chamado “Exército do Lula”, canal de WhatsApp administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

A plataforma alcançou a marca de 10 milhões de seguidores em 23 de outubro, apenas dois dias antes do segundo turno presidencial.

O crescimento foi acelerado nas últimas semanas da campanha. A iniciativa passou de um canal com dezenas de milhares de seguidores para uma rede de distribuição de vídeos, mensagens políticas, convocações e conteúdos eleitorais compartilhados por milhões de usuários.

A campanha paralela nas redes sociais

O projeto ganhou força depois do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula.

Janones intensificou a mobilização digital, estabeleceu metas de crescimento e passou a organizar ações coletivas de divulgação.

Os participantes eram convidados a compartilhar conteúdos, divulgar publicações, participar de campanhas de hashtags e ampliar a distribuição de mensagens.

O próprio Lula participou de transmissões ao lado do deputado, contribuindo para ampliar a visibilidade do canal.

Uma estrutura de comunicação direta

Um dos aspectos relevantes da iniciativa foi a utilização do WhatsApp como canal de comunicação sem a necessidade de que cada mensagem fosse inicialmente distribuída pelos sistemas de recomendação das redes sociais abertas.

A estratégia privilegiou o contato direto com os inscritos e o compartilhamento dos materiais em conversas particulares e grupos.

O crescimento chamou atenção para o papel dos aplicativos de mensagens na formação de redes de mobilização eleitoral.

A iniciativa também enfrentou questionamentos judiciais durante o segundo turno, colocando em discussão os limites da propaganda política digital e a aplicação das regras eleitorais às plataformas.

Qual foi a contribuição para a reeleição?

O resultado final confirmou a vitória de Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.

O crescimento do “Exército do Lula” coincidiu com a mobilização da candidatura durante o segundo turno, mas não é possível estabelecer quantos votos foram conquistados diretamente por meio do canal.

O número de seguidores representa seu alcance potencial, não uma medida de conversão eleitoral.

Ainda assim, a experiência de Janones se tornou um caso relevante para o estudo das campanhas políticas digitais.

A eleição de 2026 mostrou que aplicativos de mensagens podem reunir grandes redes de participação política em períodos relativamente curtos, combinando comunicação direta, mobilização coletiva e circulação descentralizada de conteúdos.

Vladimir Barros

Vladimir Barros

É natural do Rio de Janeiro e radicado em Alagoas. Advogado e jornalista filiado ao SINDJORNAL, formado na Universidade Federal de Alagoas. Membro da Associação Alagoana de Imprensa e da Academia de Letras de Palmeira dos Índios, Alagoas. É Diretor de jornalismo do Grupo Tribuna do Sertão