Política
Procon-BA encontra 370 ônibus parados em garagens de Salvador
Fiscalização durante eleições revela irregularidades no transporte público
O Procon da Bahia identificou 370 ônibus parados em garagens de empresas de transporte público de Salvador neste domingo, 25, durante o segundo turno das eleições presidenciais. A fiscalização foi realizada após denúncias de eleitores sobre a redução da oferta de coletivos na capital baiana, em meio à determinação do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) para que a frota completa fosse colocada em circulação.
Inicialmente, os fiscais encontraram 252 veículos parados, mas aptos a operar, em garagens da OT Trans e da Integra Plataforma. O número subiu para 370 após a identificação de outros 118 ônibus no pátio da OT Trans G3, em Campinas de Pirajá. O órgão informou que adotará as medidas administrativas cabíveis e dará continuidade às inspeções.
Em entrevista ao Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, acusou o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, de terem impedido deliberadamente a circulação dos veículos para prejudicar o deslocamento dos eleitores.
"Todos os indícios são de que nós estamos diante de um crime eleitoral praticado pelo prefeito de Salvador, através do secretário de Mobilidade Urbana", afirmou Freitas.
O secretário estadual também contestou a justificativa apresentada pela prefeitura, que atribuiu os atrasos a problemas operacionais relacionados a manifestações políticas e à presença de adesivos partidários nos ônibus. Segundo Freitas, imagens obtidas pela fiscalização mostram veículos novos, sem adesivos ou marcas de propaganda eleitoral, estacionados nas garagens.
"Essa informação não procede, nós temos vídeos do Procon da Bahia, em que veículos, sem nenhum tipo de adesivo e sem marca de adesivo, ou seja, veículos sobre os quais nunca tenha sido colado qualquer adesivo, que eram veículos novos, estavam na garagem", disse.
Freitas afirmou ainda que o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, estaria na França, mesmo após a ordem de prisão expedida pela Justiça Eleitoral. "Mas ele não está no Brasil, o que é um forte indício de que ele sabia o que estava fazendo e que fez isso para se proteger da prisão", afirmou.
O secretário estadual também citou uma declaração de Hélio Ferreira, do Sindicato dos Motoristas, à Rádio Metrópole, segundo a qual os trabalhadores teriam sido convocados para operar a frota habitual de domingo, e não a de um dia útil, como exigido para garantir o transporte dos eleitores. Para Freitas, a informação reforça a suspeita de que a redução da circulação dos ônibus foi planejada.
Mais cedo, o presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou que a prefeitura e as concessionárias disponibilizassem toda a frota de ônibus, sob multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento. A Justiça Eleitoral também determinou a prisão em flagrante de Pablo Souza.
A prefeitura, por sua vez, afirmou ter ordenado a liberação dos veículos, inclusive daqueles com adesivos considerados propaganda irregular, e sustentou que a operação estava sendo normalizada por meio de diálogo com representantes sindicais.
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