Política

TSE investiga suspeita de favorecimento da Meta e do X à chapa Flávio–Alfredo

Plataformas terão de explicar funcionamento de algoritmos, inteligência artificial e anúncios eleitorais; candidato alagoano Alfredo Gaspar terá cinco dias para apresentar defesa

23/10/2026
TSE investiga suspeita de favorecimento da Meta e do X à chapa Flávio–Alfredo
TSE investiga suspeita de favorecimento da Meta e do X à chapa Flávio–Alfredo - Foto: Reprodução

O Tribunal Superior Eleitoral abriu uma investigação sobre um possível tratamento desigual das candidaturas presidenciais pelas plataformas da Meta e do X. A suspeita é de que ferramentas digitais teriam favorecido a chapa formada por Flávio Bolsonaro (PL) e pelo alagoano Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, em prejuízo da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão foi tomada nesta quinta-feira (22) pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, na Ação de Investigação Judicial Eleitoral nº 0603276-73.2026.6.00.0000. Meta e X receberam prazo de 24 horas para fornecer esclarecimentos técnicos. O descumprimento injustificado poderá gerar multa diária de R$ 500 mil para cada empresa.

A ação foi apresentada pela coligação Brasil Pronto pra Mais contra Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar. Os autores alegam abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social, por meio de sistemas de recomendação, inteligência artificial, moderação de conteúdo e distribuição de propaganda eleitoral.

Segundo a acusação, contas e publicações favoráveis a Lula teriam sofrido limitações, enquanto perfis, canais e conteúdos ligados a Flávio Bolsonaro teriam recebido recomendações ou alcance privilegiado.

Entre os episódios citados estão testes nos quais a Meta AI e o Grok, ferramenta de inteligência artificial do X, teriam produzido peças associadas a “Flávio 22”, mas recusado solicitações semelhantes contendo “Lula 13”. A petição sustenta ainda que a Meta AI chegou a inserir o número 22 em imagens solicitadas por usuários sem referência direta a qualquer candidato. Essas afirmações integram a acusação e ainda precisarão ser submetidas ao contraditório e à análise técnica do TSE.

O que as plataformas terão de explicar

A Meta deverá detalhar os critérios empregados na distribuição e recomendação de publicações, no impulsionamento de propaganda eleitoral e na remoção ou redução do alcance de conteúdos. A empresa também terá de prestar informações sobre traduções automáticas, resultados de buscas por GIFs e hashtags e o funcionamento da Meta AI.

O X deverá explicar especificamente os critérios de funcionamento e moderação do Grok, inclusive eventuais diferenças nas respostas produzidas para cada candidatura.

Cueva determinou ainda que a Meta submeta a revisão humana, caso isso ainda não tenha ocorrido, o vídeo de divulgação do episódio “Flavinho de Papai”, da série “Revelando”. O material foi retirado do Instagram sob a justificativa de possível uso de inteligência artificial.

O ministro, entretanto, não acolheu todos os pedidos imediatamente. Foi negada a exigência de revisão humana prévia de qualquer conteúdo jornalístico ou de opinião relacionado à eleição, por ser considerada excessivamente abrangente. Outras solicitações, como a suspensão de traduções automáticas e a recomposição do alcance de anúncios, serão analisadas depois das explicações das empresas.

Chapa terá de apresentar defesa

Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar foram notificados para apresentar defesa no prazo de cinco dias. Na ação, a coligação de Lula pede, ao final do processo, a cassação do registro ou do diploma dos integrantes da chapa. Também requer a inelegibilidade de Flávio e, em relação a Alfredo Gaspar, condiciona essa sanção à eventual comprovação de participação nos fatos investigados.

A abertura da AIJE, porém, não representa uma condenação. O próprio corregedor afirmou que os elementos apresentados justificam a investigação, mas ainda não comprovam as irregularidades nem a responsabilidade dos candidatos.

A Meta nega interferência eleitoral ou favorecimento político. A empresa afirma que as falhas registradas tiveram alcance amplo e afetaram diferentes contas e anunciantes.

O caso ganha peso especial em Alagoas porque envolve diretamente Alfredo Gaspar, integrante alagoano da chapa presidencial. O resultado da investigação dependerá agora das informações técnicas apresentadas pelas plataformas, da defesa dos candidatos e da produção de provas no TSE.