Política

Ex-líder de Bolsonaro, Joice Hasselmann declara voto em Lula: “Perder a democracia, jamais”

Redação 22/10/2026
Ex-líder de Bolsonaro, Joice Hasselmann declara voto em Lula: “Perder a democracia, jamais”
Ex-líder de Bolsonaro, Joice Hasselmann declara voto em Lula: “Perder a democracia, jamais”

Jornalista afirma que retomará a oposição ao PT depois da eleição, mas considera a vitória de Flávio Bolsonaro uma ameaça ao regime democrático; ex-deputada também fez acusações graves contra a família do candidato
A jornalista e ex-deputada federal Joice Hasselmann declarou, nesta quinta-feira (22), voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Antiga adversária do petismo e ex-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, ela justificou a decisão como uma escolha em defesa da democracia.

“Apesar de todo o meu histórico de enfrentamento ao PT, domingo, dia 25, eu, Joice Hasselmann, voto Lula. Sem medo”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.

Joice iniciou o pronunciamento pedindo que os eleitores refletissem sobre as consequências da votação. Segundo ela, o resultado das urnas poderá definir não apenas quem governará o país, mas também a permanência das instituições democráticas.

“Perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais”, declarou.

A ex-parlamentar ressaltou que passou mais de duas décadas confrontando Lula e o PT e lembrou que apoiou Jair Bolsonaro na eleição de 2018. Naquele ano, Joice recebeu 1.078.666 votos em São Paulo, tornando-se, à época, a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados.

Durante o primeiro ano do governo Bolsonaro, ela exerceu a liderança do Executivo no Congresso, entre fevereiro e outubro de 2019, e participou da articulação da reforma da Previdência. O histórico da função consta no registro oficial da Câmara dos Deputados. Portal da Câmara dos Deputados

No depoimento, Joice disse que rompeu com o governo depois de conhecer por dentro o funcionamento do núcleo político da família Bolsonaro. Afirmou que perdeu poder, aliados e espaço político após denunciar fatos que, na avaliação dela, demonstrariam a existência de um projeto autoritário.

“Eu vi o clã por dentro”, disse a jornalista, acrescentando que deixou a liderança governista para denunciar o que classificou como “barbárie”.

Joice também voltou a sustentar que alertou autoridades ainda em 2019 sobre a existência de uma minuta destinada a amparar uma ruptura institucional. Segundo ela, as investigações posteriores sobre a tentativa de golpe confirmaram parte dos alertas feitos quando ainda integrava a base bolsonarista.

Ao explicar por que apoiará um adversário político histórico, Joice afirmou que Lula e o PT podem ser combatidos no campo das ideias e dentro das regras institucionais. Para ela, a mesma garantia não existiria em um governo comandado pelo grupo político de Bolsonaro.

“Dia 26, volto ao debate de ideias. Sim, volto à oposição. Mas dentro do processo democrático, onde é possível fazer oposição”, afirmou.

A declaração representa uma das mais contundentes adesões a Lula vindas de uma antiga integrante do núcleo político bolsonarista. Joice já havia rompido com o governo em 2019 e, posteriormente, denunciou a atuação do chamado “gabinete do ódio” contra adversários e antigos aliados. Portal da Câmara dos Deputados

No vídeo, a jornalista também fez acusações graves contra Flávio Bolsonaro e integrantes da família do candidato. Mencionou supostos desvios de recursos, negócios ocultos e relações com personagens investigados, além de prever que Flávio será preso no futuro.

“Eu acertei todas as previsões. E tenho mais uma. Anote aí: Flávio Bolsonaro será preso”, declarou.

Essas afirmações são acusações de Joice Hasselmann e não equivalem, por si mesmas, a conclusões da Justiça. O vídeo não apresenta documentação nova para comprovar os diferentes fatos imputados ao candidato. A campanha de Flávio Bolsonaro deve ser procurada para exercer o direito ao contraditório.

Joice reconheceu que a manifestação poderá lhe custar amizades, oportunidades profissionais e apoio entre antigos seguidores. Ainda assim, afirmou que decidiu tornar pública sua posição porque considera a eleição um momento excepcional.

“Entre discordar e o mal maior, eu fico com as regras do jogo. Eu voto em Lula no domingo. Dia 26, haverá jogo. Ou, com os milicianos, eles roubariam a bola e interditariam o campo”, concluiu.

O anúncio formaliza uma mudança anunciada depois de a ex-deputada demonstrar indecisão sobre o segundo turno. Agora, Joice afirma que apoiará Lula sem abandonar suas divergências com o PT, apresentando o voto como uma decisão pontual contra o retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto.