Política
Lula aguarda Flávio Bolsonaro topar desafio de abrir o sigilo pessoal
Petição protocolada no TSE abrange dados bancários, fiscais e telefônicos dos últimos oito anos, mas condiciona divulgação à reciprocidade do adversário
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou no Tribunal Superior Eleitoral uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos oito anos. A medida foi apresentada como resposta ao candidato Flávio Bolsonaro e está condicionada à divulgação dos mesmos dados pelo adversário e por familiares e empresas ligados a ele.
O pedido tramita como Petição Cível 0603195-27.2026.6.00.0000, distribuída nesta terça-feira (20) ao ministro André Mendonça. Não houve pedido de decisão liminar e o processo não está sob segredo de Justiça.
Além dos próprios dados, Lula incluiu na manifestação a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e seus cinco filhos: Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio. A autorização de cada familiar, contudo, depende de manifestação individual juridicamente válida.
Do outro lado, a petição propõe que Flávio apresente dados equivalentes dele próprio, da esposa, Fernanda Bolsonaro, do pai, Jair Bolsonaro, da mãe, Rogéria Nantes, e dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan.
O documento também menciona pessoas jurídicas ligadas aos dois grupos familiares. No caso de Lula, aparece a LILS Palestras, Eventos e Publicações. Entre as empresas atribuídas pela petição ao entorno de Flávio estão Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, All In One Corretora de Seguros, Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação, Bolsonaro Digital e Alcazar Holdings.
A defesa de Lula pediu que as informações fossem tornadas públicas até esta quarta-feira (21). O prazo, porém, representa uma solicitação dos advogados, e não uma determinação já proferida pelo TSE. A íntegra do pedido está disponível no processo oficial.
A apresentação voluntária dos próprios dados é juridicamente possível, mas não transfere automaticamente ao TSE a responsabilidade de investigar toda a movimentação financeira dos candidatos e de seus familiares. Também não autoriza o acesso a dados de terceiros sem consentimento individual ou decisão judicial fundamentada.
Politicamente, o movimento procura transformar a transparência patrimonial em tema da reta final da campanha. A resposta de Flávio e uma eventual decisão do relator definirão se o episódio produzirá documentos públicos ou permanecerá apenas como desafio político entre os candidatos.
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