Política

Flávio libera o “caneco” em vídeo com Rico Melquíades; falta abrir o sigilo cobrado por Lula; veja vídeo

Em conversa com influenciador, candidato promete respeitar direitos LGBT; na disputa presidencial, adversário cobra transparência bancária e telefônica

Redação 20/10/2026
Flávio libera o “caneco” em vídeo com Rico Melquíades; falta abrir o sigilo cobrado por Lula; veja vídeo
Flávio diz que pode liberar o "caneco", mas silencia quanto ao seu sigilo

O “caneco” está liberado. Foi o que respondeu o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ao influenciador Rico Melquiades, em um bate-papo sobre direitos da população LGBT divulgado nas redes sociais. Com perguntas diretas e linguagem popular, Rico quis saber se um eventual governo do candidato perseguiria homossexuais ou retiraria direitos conquistados pela comunidade.

“Quando você assumir a presidência, você vai caçar os gays? Vai perseguir? Vai tirar o direito deles?”, perguntou o influenciador. Flávio negou e afirmou que o poder público não deve interferir na intimidade das pessoas.

O diálogo ganhou seu momento mais explícito quando Rico perguntou: “Então, no seu governo, ninguém vai ficar sem poder dar o caneco?”. A resposta veio no mesmo tom: “Pode dar à vontade”. A conversa foi divulgada nesta segunda-feira (19).

A expressão oferece um trocadilho para o momento eleitoral: Flávio libera o “caneco”, mas a cobrança de Lula é para abrir outro tipo de intimidade — a das contas bancárias e dos registros telefônicos.

Essa segunda parte é sátira política. Lula não pediu a abertura de nenhum “caneco bancário”: desafiou o adversário a autorizar o acesso aos sigilos bancário e telefônico, incluindo os de familiares, propondo submeter também os seus à análise.

O desafio foi apresentado no debate da Band, no domingo (18), e reiterado na segunda-feira (19). Em Porto Alegre, Lula anunciou que entregaria ao Tribunal Superior Eleitoral uma autorização para acesso aos próprios dados e aos de sua família, cobrando atitude semelhante de Flávio. O anúncio, por si só, não comprova que os documentos já tenham sido entregues ou divulgados.

Na linguagem do palanque, Lula afirmou que a abertura serviria para esclarecer ao eleitor quem teria cometido atos de corrupção. Flávio, por sua vez, declarou que não tem nada a esconder. Essa declaração, porém, não equivale à apresentação dos registros cobrados pelo adversário.

No bate-papo com Rico, o candidato também ouviu perguntas sobre a preservação de direitos relativos às uniões entre pessoas do mesmo sexo, à divisão de patrimônio e à herança. Flávio prometeu manter essas garantias.

O vídeo mistura humor, intimidade e discurso eleitoral. A liberdade sexual aparece na conversa como algo que o candidato promete respeitar. Já a transparência sobre contas e telefonemas permanece no centro do desafio lançado por Lula.

Na paródia dessa campanha, a frase cabe sem rodeios: para o “caneco”, Flávio disse “pode dar à vontade”. Para os sigilos, fica a cobrança: pode abrir também?

Veja o vídeo ao final da matéria.